30 abril 2015

Quatro posters e um novo banner de "Fantastic Four". Channing Tatum pode protagonizar adaptação cinematográfica de "The Forever War". Sophie Turner como Jean Grey e Lana Condor como Jubilee na nova foto do set de "X-Men: Apocalypse". Cary Fukunaga vai realizar um filme sobre Joe e Jadin Bell. Anunciada a sequela de "Ouija". Notícias - 30 de Abril de 2015: Parte 2

- Já se encontram online quatro novos posters e um novo banner do reboot de "Fantastic Four". O filme é realizado por Josh Trank ("Chronicle"), através do argumento de Simon Kinberg. Via Super Hero Hype.
 "Fantastic Four" conta no elenco com Miles Teller, Michael B. Jordan, Kate Mara, Jamie Bell, Toby Kebel, entre outros. Miles Teller vai interpretar Mr. Fantastic, Kate Mara vai dar vida a Invisible Girl. Já Michael B. Jordan está confirmado como Human Torch e Jamie Bell como The Thing. Toby Kebell vai interpretar o Dr.Doom.

 - Vem aí uma sequela para "Ouija" (via Deadline). A Universal confirmou que "Ouija 2" vai estrear a 21 de Outubro de 2016 nos EUA. O filme ainda não conta com um realizador contratado. O argumento está a cargo de Mike Flanagan e Jeff Howard. Vale a pena recordar que "Ouija" obteve cerca de cem milhões de dólares em receitas ao redor do Mundo, valores que superam e muito os cinco milhões de dólares do seu orçamento.

- O Deadline noticiou que a Warner Bros. e a Sony encontram-se a disputar a adaptação cinematográfica de "The Forever War". O filme vai contar com o argumento de Jon Spaihts ("Prometheus"). A mesma fonte adianta que Channing Tatum vai protagonizar "The Forever War". O argumento do filme é baseado no livro "The Forever War". O livro foi escrito por Joe Haldeman e conta com a seguinte sinopse (via Wook): "Em 1997 a Terra entra pela primeira vez em contacto com os extraterrestres tauranos. Este encontro marca o início de uma guerra impiedosa. As autoridades terrestres decidem enviar um contingente de elite, e preparam um programa de treino quase inumano, destinado a produzir soldados capazes de aguentar tudo. William Mandella é um desses soldados. A fim de viajar até à frente de batalha, os soldados têm de atravessar portais chamados collapsars, que causam uma distorção no espaçotemporal, fazendo com que o tempo subjetivo da nave seja mais lento que o tempo «real» do universo. Ou seja, quando Mandella regressa a casa após dois anos, quase três décadas passaram na Terra. E conforme viajam para mais longe, maior é a dilatação, passando de décadas para séculos inteiros. A luta mais cruel que estes soldados terão de travar será a sua batalha pessoal contra o tempo".

- Bryan Singer revelou uma foto de Sophie Turner e Lana Condor no set de filmagens de "X-Men: Apocalypse". Turner vai interpretar Jean Grey, enquanto que Condor vai interpretar Jubilee. Via Instragram.
 O filme conta no elenco com Michael Fassbender, James McAvoy, Jennifer Lawrence, Oscar Isaac, Kodi Smith-McPhee, Alexandra Shipp, Sophie Turner, Tye Sheridan, Ben Hardy, Olivia Munn, Lana Condor, entre outros. "X-Men: Apocalypse" vai ser realizado por Bryan Singer, através do argumento de Simon Kinberg, Mike Dougherty e Dan Harris. O enredo de "X-Men: Apocalypse" vai desenrolar-se em 1980, colocando em confronto os elementos dos X-Men contra o Apocalipse.

- O Deadline noticiou que Cary Fukunaga ("True Detective") vai realizar um filme baseado na história verídica de Joe e Jadin Bell. O argumento está a cargo de Diana Ossana e Larry McMurtry. Jadin Bell suicidou-se aos quinze anos de idade, após ter sido constantemente alvo de bullying devido a ser homossexual. É então que Joe, o pai de Jaden, decide percorrer o país tendo em vista a despertar a consciência das outras pessoas para as consequências perigosas que os preconceitos (e os actos associados aos mesmos) podem causar nos outros.

Teaser trailer de "Legend", um filme protagonizado por Tom Hardy. Novo poster internacional de "Terminator: Genisys". James Wan em negociações iniciais para realizar a adaptação cinematográfica de "Robotech". Teaser trailer de "The Last Witch Hunter". Michael Fassbender no novo poster de "Macbeth". Trailer de "Youth" (aka “La Giovinezza”), o novo filme do realizador Paolo Sorrentino. Notícias - 30 de Abril de 2015

- O The Hollywood Reporter noticiou que James Wan encontra-se em negociações iniciais para realizar a adaptação cinematográfica de "Robotech". A produção de "Robotech" está a cargo de Gianni Nunnari e Mark Canton. O argumento de "Robotech" é baseado na série de animação homónima desenvolvida pela Harmony Gold USA e a Tatsunoko Productions durante a década de 80. O enredo do épico de ficção científica começa quando a Terra desenvolve robôs gigantes a partir de tecnologia de uma nave alienígena que caiu numa ilha no sul do Oceano Pacífico. Os seres humanos são conduzidos a usar a tecnologia para defenderem-se de sucessivas tentativas de invasões extraterrestres, que ameaçam colocar em causa a existência da humanidade. A sobrevivência do planeta Terra acaba na mão de dois jovens pilotos.

- Foi divulgado um teaser trailer de "The Last Witch Hunter". O filme é realizado por Breck Eisner ("Crazies"), através do argumento de Cory Goodman ("Priest"). "The Last Witch Hunter" conta no elenco com Vin Diesel, Rose Leslie, Elijah Wood, Lotte Verbeek, Ólafur Darri Ólafsson, Rena Owen, entre outros.
 O enredo de "The Last Witch Hunter" centra-se num caçador de bruxas semi-imortal (Vin Diesel) que se alia a uma inimiga natural, uma bruxa (Rose Leslie). A dupla tem de impedir que uma bruxa obtenha uma relíquia poderosa que permitirá lançar uma praga sobre a humanidade.



- Foi divulgado o primeiro teaser trailer de "Legend", um thriller escrito e realizado por Brian Helgeland. O filme conta no elenco com Tom Hardy, Emily Browning, Taron Egerton, entre outros.
 Tom Hardy vai interpretar os infames irmãos gémeos Ronald e Reginald Kray, dois gangsters que praticaram um conjunto de crimes durante a década de 50 e 60 em Londres. Estes lideraram um grupo criminoso chamado "The Firm" e praticaram crimes que envolveram outros gangsters, políticos, celebridades, entre outros. Este não é o primeiro filme baseado nos Krays. Vale a pena recordar "The Krays", realizado por Peter Medak.



- Já se encontra online um trailer de "Youth" (aka “La Giovinezza”), o novo filme do realizador Paolo Sorrentino ("La Grande Bellezza").  O argumento do filme foi escrito por Sorrentino. "La Giovinezza" conta no elenco com Jane Fonda ("Fathers and Daughters"),Rachel Weisz ("The Deep Blue Sea"), Harvey Keitel ("The Congress"), Paul Dano (“Prisoners”), Michael Caine ("Mr. Morgan's Last Love"), entre outros.


 O enredo de "Youth" centra-se em Fred e Mick, dois amigos de longa data, na casa dos oitenta anos de idade, que vão passar férias aos Alpes. Fred é um compositor e maestro reformado, enquanto Mick é um realizador ainda em actividade que luta para terminar aquele que pensa ser o seu último filme. Fred não tem intenções de regressar ao mundo da música, apesar de alguém pretender a todo o custo ouvir as suas músicas e vê-lo a assumir o papel de mastro. Mick e Fred decidem enfrentar o futuro juntos, observando com curiosidade a vida dos seus filhos, bem como dos outros habitantes do hotel.



- Foi divulgado mais um poster da nova adaptação cinematográfica de "Macbeth". O poster é centrado no personagem interpretado por Michael Fassbender. O filme é realizado por Justin Kurzel ("Snowtown"), através do argumento de Todd Louiso e Jacob Koskoff. "Macbeth" conta no elenco com Paddy Considine ("The Double"), David Thewlis ("The Zero Theorem"), Sean Harris ("The Borgia"), Jack Reynor ("Delivery Man") e Elizabeth Debicki ("The Great Gatsby"), Marion Cotillard ("Rust & Bone") e Michael Fassbender ("Shame"). Via The Playlist.
 O filme é baseado no clássico escrito por William Shakespeare e apresentará uma "abordagem visceral à história, incluindo nas cenas das batalhas".  O livro tem a seguinte sinopse (via Sinopse do Livro): Em Macbeth (1605), a ambição é o motivo que leva à conspiração contra a vida de um rei. Lady Macbeth, movida pelo desejo de vingança e pela ambição de se tornar rainha, seduz Macbeth a cometer o assassinato do Rei Duncan, pretendendo assim herdar o trono. O ambiente é sombrio, fúnebre, como as almas dos personagens e os seus sórdidos planos pela conquista do poder.

- Foi divulgado mais um poster internacional de "Terminator: Genisys". O filme é realizado por Alan Taylor, através do argumento de Laeta Kalogridis ("Avatar", "Shutter Island") e Patrick Lussier ("Drive Angry)". Poster via Coming Soon.
 Vale a pena recordar que Emilia Clarke ("Game of Thrones") vai dar vida a Sarah Connor, Jason Clarke ("Zero Dark Thirty") vai interpretar John Connor, e Jai Courtney ("A Good Day to Die Hard") ficou com o papel de Kyle Reese. O filme conta ainda no elenco com Arnold Schwarzenegger, J.K. Simmons, Dayo Okeniyi, Byung-hun Lee, Michael Gladis, Sandrine Holt, Matt Smith, entre outros.

FESTin 2015 - Resumo da cobertura

 Um dos objectivos que tinha para o Rick's Cinema em 2015, para além de tentar nunca descurar os filmes oriundos de países asiáticos, centrava-se em ver e escrever mais sobre obras cinematográficas brasileiras. A cobertura do FESTin serviu mais uma vez para me colocar em contacto com alguns filmes oriundos do Brasil, com a sexta edição do festival a ter sido marcada por uma clara melhoria a nível qualitativo da programação em relação a edições anteriores. Filmes como "A Despedida" merecem figurar em vários tops anuais, com Marcelo Galvão a ter efectuado uma obra-prima. Obras cinematográficas como "O Rio nos Pertence", "Entre Nós", "Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa", "Um Filme Francês", "A Vizinhança do Tigre", entre outros, demonstram que o cinema brasileiro está bem, recomenda-se e urge ser visto. Pelo lado negativo coloco "Jogo de Xadrez" e "Confia em Mim", sobretudo o primeiro. É impossível gostar de todos os filmes. No caso de "Jogo de Xadrez" e "Confia em Mim" penso que ficaram muito aquém daquilo que poderiam ter apresentado (felizmente ainda temos a independência de podermos dar a nossa opinião). Este foi também um dos festivais que funcionou melhor a nível de coordenação com a assessoria de imprensa, algo que facilitou imenso a cobertura, existindo sempre uma enorme disponibilidade para conciliar horários e permitir que conseguíssemos o maior número de entrevistas possíveis, independentemente de sermos um blog. Nesse sentido, a cobertura conteve oito entrevistas, catorze críticas, um artigo sobre a programação, um post sobre os vencedores e este texto manhoso sobre o resumo da cobertura, só não damos cacahuetes porque passatempos e o blog não combinam, nem eu tenho pachorra para tal. Embora o FESTin procure acima de tudo destacar filmes em língua portuguesa, é praticamente inegável a sua ENORME relevância na divulgação do cinema brasileiro. Esta sexta edição do festival voltou a comprovar isso mesmo e a deixar-nos com uma enorme vontade que o FESTin regresse. Venha daí a sétima edição.

Texto sobre a programação:

Entrevistas (ordem de publicação):

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- Entrevista a Marcelo Galvão sobre "A Despedida".

Críticas (ordem de publicação):
 
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- Vencedores:

Resenha Crítica: "O Uivo da Gaita"

 Filme de uniões e separações, de romances que se iniciam, dilaceram, reformulam e atomizam, de pequenos barcos contrastados com embarcações de dimensões elevadas, de poucos diálogos e sentimentos nem sempre decifráveis, de planos fixos e movimentados, de peixes que são cortados ao meio e bebidas distintas que são reunidas num copo, "O Uivo da Gaita" surge pronto a estimular sensações e emoções, com uma narrativa por vezes oblíqua mas hipnotizante. Este é mais um dos "frutos" da chamada "Operação Sonia Silk", "uma pro­dução da DAZA, TB Pro­duções e Alum­bra­mento, em co-pro­dução com o Canal Brasil e a Teleim­age, da qual resultaram os filmes “O Rio nos Per­tence”, “O Uivo da Gaita” e “O Fim de Uma Era", um colectivo que "se inspira no gesto e no imag­inário dos fimes real­iza­dos nos anos 1970 pela pro­du­tora Belair, de Julio Bres­sane e Rogério Sganz­erla". Diga-se que Bruno Safadi, o realizador de "O Uivo da Gaita", chegou a trabalhar como assistente de cineastas como Júlio Bressane, tendo ainda realizado "Meu nome é Dindi", "Belair", entre outras películas, tendo nesta longa-metragem que faz parte da Operação Sonia Silk uma obra cinematográfica que nos deixa com a certeza de estarmos diante de algo que procura estimular as sensações do público e desafiar o mesmo. Tal como "O Rio nos Pertence", também "O Uivo da Gaita" surge diante de nós como uma obra muito marcada por dualidades e fragmentos, mas também pela presença do mesmo elenco, formado por Mariana Ximenes, Leandra Leal e Jiddu Pinheiro, para além de contar com alguns cenários semelhantes (a casa e a praia), embora a atmosfera do primeiro fosse muito mais sombria. Os personagens interpretados pelo trio pouco falam ao longo da narrativa. Os sentimentos são expressos na maioria das vezes pelos gestos, seja uma espécie de movimentos de dança, seja num jogo de cartas marcado por uma atmosfera de enorme sensualidade, seja numa refeição de sushi, seja numa despedida, seja numa cena mais calorosa na praia. Este momento mais quente é apresentado logo nos momentos iniciais do filme, quando Antônia (Mariana Ximenes) e Luana (Leandra Leal) chegam num barco a remos a uma praia paradisíaca, marcada por um Sol abrasador, em Niterói. A areia prende-se nos seus corpos, enquanto ficamos diante de momentos de alguma sensualidade entre as duas mulheres que parecem apaixonadas. A cena é filmada com algum erotismo e enorme delicadeza, surgindo paradigmática do envolvimento destas mulheres. Esta relação vem afectar o casamento de Antônia com Pedro (Jiddu Pinheiro), com estes três elementos a viverem estranhos momentos e sentimentos ao longo desta narrativa fragmentada que tanto nos deixa diante de uma praia paradisíaca em Niterói como do Porto do Rio de Janeiro, onde barcos chegam e partem, tal como estes personagens parecem prontos a unirem-se e separarem-se. É um filme de sentimentos e temperaturas elevadas, que o digam os copos e os pratos onde é colocado o sushi de uma refeição confeccionada por Pedro, um elemento que parece prestável e simpático, para a amada. O derretimento dos copos e dos pratos onde foram colocados os pedaços de sushi e o acto de Pedro cortar delicadamente um salmão ao meio, surgem praticamente como pequenos (grandes) símbolos para os acontecimentos que se seguem entre o personagem interpretado por Jiddu Pinheiro e Antônia, ou não assistíssemos ao casamento a desfazer-se gradualmente, com os sentimentos desta a dividirem-se entre o esposo e Luana.

Ao longo do filme ficamos diante dos sentimentos destes elementos, com poucos diálogos a serem expostos enquanto muitos são os sons a serem exacerbados, com a música a ter um papel de relevo em "O Uivo da Gaita". Isso não implica que os personagens não dialoguem. Veja-se quando assistimos a Antônia a dialogar em off com Pedro, salientando a sua vontade em sair do Rio de Janeiro e ir para um local mais pequeno como Mauá, uma situação que este duvida que seja possível. Pedro vê a sua relação com Antônia ser afectada pela presença de Luana, com o próprio a também ser algo seduzido pela presença desta mulher, enquanto Bruno Safadi procura captar os gestos e emoções destes personagens. Veja-se quando Antônia prepara uma bebida alcoólica, reunindo três líquidos de cores diferentes em cada copo, enquanto assistimos estas substâncias a diluírem-se e a unificarem-se, em mais um momento metafórico, que simboliza a procura da personagem interpretada por Mariana Ximenes em reunir-se em simultâneo com os outros dois elementos, parecendo ter algum receio em ter de se separar de Pedro ou Luana. Antônia alcooliza-se e aos dois companheiros, a banda sonora transmite sentimentos de inquietação e ao mesmo tempo de sedução, enquanto os corpos e a câmara bailam, os personagens unem-se e afastam-se, ficando sempre presente uma atmosfera algo erótica onde o álcool parece permitir libertar os sentimentos mais reprimidos. É também um momento onde sentimos mais uma vez a enorme dificuldade de Antônia em decidir-se em relação ao futuro com Luana ou Pedro. Antônia trai Pedro com Luana, mas parece amar ambos de maneira semelhante, com "O Uivo da Gaita" a procurar explorar as relações amorosas contemporâneas a partir destes personagens. O desejo está presente, bem como a intimidade e o erotismo, ao mesmo tempo que estes se expressam de forma muito própria. Mais do que nos dar diálogos longos e eloquentes ou uma narrativa certinha que nos facilita a vida, "O Uivo da Gaita" procura instigar as nossas sensações, com as emoções, sentimentos e desejos dos personagens que habitam a história a surgirem como um dos fios condutores de uma narrativa que nos coloca diante de um estranho triângulo amoroso, que pouco fala mas muito transmite. Estes reúnem-se para pequenos momentos aparentemente banais, expõem os seus sentimentos, enquanto a cinematografia de Ivo Lopes Araújo volta a sobressair pela capacidade em explorar estas contradições que envolvem constantemente "O Uivo da Gaita". Diga-se que Ivo Lopes Araújo é um dos elementos em comum entre "O Uivo da Gaita" e "O Rio nos Pertence", para além do elenco, com estes filmes a procurarem jogar com as barreiras e linguagem cinematográfica, surgindo como trabalhos meio experimentais, cujo baixo orçamento e método de laborar permitiu uma maior liberdade a nível da fruição artística por parte dos envolvidos. É certo que por vezes a obra cinematográfica poderia ficar enriquecida com um contexto adicional em relação ao passado dos protagonistas, mas também não deixa de parecer notório que aquilo que interessa a Bruno Safadi é o momento que os personagens estão a viver neste contexto em que se encontram. Acima de tudo são os relacionamentos deste trio que vão ser expostos ao longo do filme, com o trabalho dos actores a ser fundamental para "O Uivo da Gata", com "simples" gestos e olhares de Mariana Ximenes, Leandra Leal e Jiddu Pinheiro a conseguirem transmitir-nos algo para interpretarmos em relação aos personagens a quem dão vida.

Leandra Leal e Mariana Ximenes sobressaem como estas duas mulheres misteriosas, com a presença da personagem interpretada pela primeira a destabilizar uma relação afectiva que parecia sólida, contribuindo para o nascimento de algo mais complexo no seio destes elementos. Jiddu Pinheiro interpreta eficazmente o marido traído, impotente em relação ao destino da mulher, cuja delicadeza para com a mesma parece ser exposta em pequenos gestos como a preparação da comida ou a escolha da música ambiente. Tal como em "O Rio nos Pertence", cabe ao personagem interpretado por Jiddu Pinheiro citar obras de outros autores, neste caso um trecho de "Os 6 Minutos Mais Belos da História do Cinema", presente no livro "Profanaciones", de Giorgio Agamben. É um momento que nos faz lembrar obras de Júlio Bressane como "A Erva do Rato" e "Educação Sentimental", com a influência do cineasta a também se fazer parecer sentir nesta "Operação Sonia Silk", para além de cineastas como Godard que procuravam jogar com os sons, as imagens e as palavras. A certa altura do filme encontramos os barcos a circularem relativamente ao longe no Porto do Rio de Janeiro. Aos poucos a câmara deixa essa distância e aproxima-se deste trio. Primeiro através dos momentos entre Luana e Antônia, posteriormente nas cenas entre esta última e Pedro, para além das sequências dos três personagens em conjunto. Diga-se que, em alguns momentos, os cenários que permeiam o enredo e envolvem os protagonistas são expostos de forma solitária, surgindo quase desgarrados da narrativa, com várias imagens a poderem remeter para a relevância deste espaço para os comportamentos dos personagens. A própria junção entre os personagens e os cenários remete para a influência que estes apresentam no trio, algo desde logo visível nas cenas da praia entre Antônia e Luana, com o calor a rodear o cenário e os corpos. Sons e imagens são trabalhados para proporcionar ao espectador uma experiência sensorial marcante, ao longo de uma obra cinematográfica onde se forma um estranho triângulo amoroso cujos elementos - vale a pena repetir - exibem os seus sentimentos mais pelos gestos do que pelas palavras. Esta situação exige que Leandra Leal, Mariana Ximenes e Jiddu Pinheiro transmitam muitos dos sentimentos dos personagens através do seu olhar, dos seus gestos, com o trio a ser competente neste capítulo e a convencer-nos do intrincado relacionamento entre as figuras que interpretam. Leandra Leal, tal como foi dito no texto sobre "O Rio nos Pertence", é uma das actrizes brasileiras mais interessantes da actualidade, com Mariana Ximenes a não se ficar atrás neste filme onde tem mais espaço para sobressair do que na obra cinematográfica realizada por Ricardo Pretti. Quando a câmara se foca nos rostos das duas muito é dito, com os diálogos a quase nem serem necessários para decifrarmos alguns dos sentimentos das mesmas. Ou melhor, talvez os diálogos nos facilitassem mais a vida, mas provavelmente não dariam tanto espaço para a interpretação ou divagações que se arriscam a aproximar da estupidez, tais como aquela que eu estou a fazer. As duas interpretam personagens que se envolvem e nos envolvem num enredo nem sempre coerente (sobretudo a nível temporal), que poderia facilmente ser um sonho, ao mesmo tempo que nos compelem a seguir os acontecimentos que ocorrem ao longo do filme. "O Uivo da Gaita" vem mais uma vez expor a fruição criativa nascida da "Operação Sonia Silk", surgindo como uma obra cinematográfica estimulante para os sentidos, pronta a desafiar e envolver o espectador, ao mesmo tempo que o deixa diante das complexas e instáveis relações sentimentais humanas através de um trio de personagens tão comum mas ao mesmo tempo tão peculiar.

Título original: "O Uivo da Gata". 
Realizador: Bruno Safadi.
Argumento: Bruno Safadi.
Elenco: Leandra Leal, Mariana Ximenes e Jiddu Pinheiro.

29 abril 2015

Clip de "Aloha". Poster internacional de "Youth" (La giovinezza), um filme de Paolo Sorrentino. Novo trecho do remake de "Poltergeist". Fox prepara sequela para "Kingsman: The Secret Service". Teaser poster de "The Last Witch Hunter". Notícias - 29 de Abril de 2015: Parte 2.

- Foi divulgado um clip de "Aloha", o novo filme escrito e realizado por Cameron Crowe ("We Bought a Zoo"). O filme conta no elenco com John Krasinski ("Promised Land"), Bill Murray ("Moonrise Kingdom"), Jay Baruchel ("This is the End"), Bradley Cooper ("Silver Linings Playbook"), Danny McBride ("Your Highness"), Rachel McAdams ("Passion"), Emma Stone ("The Amazing Spider-Man") e Alec Baldwin ("Blue Jasmine").
O enredo de "Aloha" centra-se em Brian (Bradley Cooper), o supervisor de uma empresa privada de defesa civil. Este reencontra-se com uma antiga namorada (Rachel McAdams), desenvolvendo pelo caminho uma estranha relação com Ng (Emma Stone), uma piloto da Força Aérea dos Estados Unidos da América. Entretanto, um bilionário misterioso decide lançar um complexo sistema de satélites.



-  Já se encontra online um poster internacional de "Youth" (aka “La Giovinezza”), o novo filme do realizador Paolo Sorrentino ("La Grande Bellezza").  O argumento do filme foi escrito por Sorrentino. "La Giovinezza" conta no elenco com Jane Fonda ("Fathers and Daughters"),Rachel Weisz ("The Deep Blue Sea"), Harvey Keitel ("The Congress"), Paul Dano (“Prisoners”), Michael Caine ("Mr. Morgan's Last Love"), entre outros. Via IMP Awards.

 O enredo de "Youth" centra-se em Fred e Mick, dois amigos de longa data, na casa dos oitenta anos de idade, que vão passar férias aos Alpes. Fred é um compositor e maestro reformado, enquanto Mick é um realizador ainda em actividade que luta para terminar aquele que pensa ser o seu último filme. Fred não tem intenções de regressar ao mundo da música, apesar de alguém pretender a todo o custo ouvir as suas músicas e vê-lo a assumir o papel de mastro. Mick e Fred decidem enfrentar o futuro juntos, observando com curiosidade a vida dos seus filhos, bem como dos outros habitantes do hotel.

- Foi divulgado um novo clip do remake de "Poltergeist". O filme é realizado por Gil Kenan ("Monster House") e produzido por Sam Raimi. David Lindsay-Abaire ("Oz the Great and Powerful") é o argumentista. O remake conta no elenco com Jared Harris, Kyle Catlett, Sam Rockwell, Rosemarie DeWitt, entre outros. "Poltergeist" estreou originalmente em 1982, tendo sido realizado por Tobe Hooper e produzido por Steven Spielberg.



- Foi divulgado um teaser poster de "The Last Witch Hunter". O filme é realizado por Breck Eisner ("Crazies"), através do argumento de Cory Goodman ("Priest"). "The Last Witch Hunter" conta no elenco com Vin Diesel, Rose Leslie, Elijah Wood, Lotte Verbeek, Ólafur Darri Ólafsson, Rena Owen, entre outros. Poster via IMP Awards.
 O enredo de "The Last Witch Hunter" centra-se num caçador de bruxas semi-imortal (Vin Diesel) que se alia a uma inimiga natural, uma bruxa (Rose Leslie). A dupla tem de impedir que uma bruxa obtenha uma relíquia poderosa que permitirá lançar uma praga sobre a humanidade.

- O The Wrap noticiou que a Fox encontra-se a trabalhar no desenvolvimento de uma sequela para "Kingsman: The Secret Service". O filme original foi realizado por Matthew Vaughn, tendo contado no elenco com Taron Egerton, Colin Firth, Samuel L. Jackson, entre outros. "Kingsman: The Secret Service" obteve 401 milhões de dólares em receitas de bilheteira ao redor do Mundo (o orçamento encontra-se avaliado em 81 milhões de dólares). Ainda não existem detalhes em relação à sequela de "Kingsman: The Secret Service". 

Estreias da semana - 30 de Abril de 2015

Boa-tarde, caros leitores, e bem-vindos a mais um post das estreias da semana.

A partir de amanhã, dia 30 de Abril, vamos ter seis novos filmes nas salas de cinema portuguesas, um número mais reduzido do que o habitual, possivelmente porque se espera que as atenções se concentrem, maioritariamente, no blockbuster gigantesco "Vingadores: A Era de Ultron".

Para além da continuação dessa famosa franquia, só estreará por cá um outro filme norte-americano, em concreto "A Idade de Adaline", um drama romântico que, lá fora, parece ter sido mais bem recebido pelo público do que pela crítica, apesar de a sua receita de bilheteira ainda não ter suplantado o valor do seu orçamento.

Os outros filmes são, também, bastante diferentes entre si. Por um lado temos algumas produções multi-nacionais como o documentário "A Respeito da Violência", de Göran Olsson, ou o drama "Éden", de Mia Hansen-Løve, e, por outro, filmes de um país só, como o polaco "Walesa" ou o francês "Uma Turma Difícil".

Realçaremos, por agora, os filmes que, por um motivo ou por outro, mais chamaram a nossa atenção.


Em primeiro lugar destacamos a chegada às nossas salas do polaco "Walesa", reconhecido em alguns festivais de prestígio como os de Chicago, Palm Springs e Veneza.

A obra foi realizada pelo reputado Andrzej Wajda, e elaborada a partir de um argumento de Janusz Glowacki.

O seu elenco conta com Agnieszka Grochowska, Iwona Bielska, Maria Rosaria Omaggio, Robert Wieckiewicz e Zbigniew Zamachowski.

Sinopse: Filme biográfico sobre Lech Walesa, o lendário líder polaco do movimento Solidariedade (Solidarnosc), figura marcante da segunda metade do século XX.





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Realçamos igualmente a estreia do documentário escandinavo-americano (produção sueca, finlandesa, dinamarquesa e norte-americana) "A Respeito da Violência", que chegou a ser premiado no Festival de Berlim de 2014, e que tem sido bem recebido pela crítica estrangeira.

A obra foi escrita e realizada pelo sueco Göran Olsson, e inspirada num livro de Franz Fanon.

Sinopse: Uma narrativa visual ousada e nova de África, baseada em material de arquivo recentemente descoberto que abrange a luta de libertação do domínio colonial, no final dos anos 1960 e nos anos 1970, acompanhado por excertos de Os Condenados da Terra, de Frantz Fanon.





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Destaque-se também o advento de "Éden", uma obra franco-inglesa que teve críticas muitíssimo positivas pela Europa fora.

O filme foi realizado por Mia Hansen-Løve, e feito a partir de um argumento da própria e da sua irmã Sven Hansen-Løve.

Arnaud Azoulay, Arsinée Khanjian, Félix de Givry, Greta Gerwig, Pauline Etienne e Vincent Macaigne fazem parte do seu elenco.

Sinopse: A história de vida de um inventivo DJ francês, influência seminal do género de música eletrónica que ganhou popularidade nos anos 90, e que veio a ficar conhecido como "french house" ou "french touch", e da sua longa esteira de seguidores e criadores.




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Refira-se por fim a estreia de "Vingadores: A Era de Ultron", a continuação da famosa franquia da Marvel que dispensa de apresentações.

O filme foi realizado por Joss Whedon, a partir de um argumento do próprio, e conta no elenco com Robert Downey Jr como Tony Stark aka Iron Man, Samuel L. Jackson como Nick Fury, Chris Hemsworth como Thor, Mark Ruffalo como Hulk, Jeremy Renner como Hawkeye, Chris Evans como o carismático Capitão América, Jeremy Renner como Hawkeye, James Spader como Ultron, Elizabeth Olsen como Scarlet Witch, Aaron Taylor-Johnson como Quicksilver, Thomas Kretschmann como Barão Wolfgang Von Strucker, Paul Bettany como The Vision, entre outros.

O título "Age of Ultron" remete para a minissérie de Comics homónima, escrita por Brian Michael Bendis, com o enredo a contar com Ultron como antagonista. "Age of Ultron" contou com dez volumes, que foram publicados entre Março a Junho de 2013.

Sinopse: Algo corre mal com o programa de manutenção de paz iniciado por Tony Stark. Os super-heróis mais poderosos do planeta Terra, incluindo o Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Incrível Hulk, Viúva Negra e o Gavião Arqueiro são colocados à prova enquanto salvam o planeta da destruição pelo vilão Ultron.

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Resenha Crítica: "Phantom Lady" (1944)

 Não é uma novidade encontrarmos a personagem feminina principal a procurar provar ou defender a inocência do seu amado nos filmes noir. Veja-se desde logo "Stranger on the Third Floor", aquele que é considerado o primeiro ou um dos primeiros filmes deste subgénero, no qual Jane (Margaret Tallichet), a partir do último terço, teve de procurar o assassino e provar que o noivo era inocente, ou em "Black Angel", onde Catherine Bennett (June Vincent) teve de encontrar evidências que ilibassem o esposo da pena de morte. "Phantom Lady" surge depois de "Stranger on the Third Floor" e dois anos antes de "Black Angel", mas partilha com ambos esta faceta de atribuir algum destaque à protagonista feminina, sobretudo em relação a este último. O acusado de assassinato é Scott Henderson (Alan Curtis), um engenheiro cuja relação matrimonial se encontra no ocaso. Num dos momentos iniciais do filme, Scott encontra-se num bar, onde decide convidar uma estranha (Fay Helm) de semblante triste para ir consigo a um espectáculo. A estranha inicialmente reluta, mas acaba por aceitar, embora nunca revele o seu nome a Scott. No espectáculo, Estela Monteiro (Aurora Miranda), a estrela do mesmo, fica irritadíssima pela estranha ter um chapéu igual ao seu, um suposto exclusivo, algo que Cliff (Elisha Cook, Jr.), o baterista, já tinha reparado. Não poderia faltar a presença de um clube nocturno num filme noir e "Phantom Lady" não é diferente, deixando-nos perante um local marcado pela presença desta dançarina de ritmos latinos. Diga-se que não faltam vários elementos associados aos filmes noir em "Phantom Lady", entre os quais, a utilização do chiaroscuro, as sombras bem salientes, os personagens fumadores, a cidade como local de insegurança, os espaços nocturnos, as identidades trocadas ou melhor os mal-entendidos, a atmosfera negra e algo pessimista, não faltando até um momento perto de alguma alucinação por parte de Jack Marlow (Franchot Tone), um suposto amigo do protagonista. Quando chega a casa, Scott encontra vários elementos das autoridades, incluindo o Inspector Burgess (Thomas Gomez), devido à esposa do protagonista ter sido encontrada morta na cama, tendo sido estrangulada com uma gravata do personagem interpretado por Alan Curtis. Este tenta defender a sua inocência, procurando salientar que esteve num bar, onde conheceu uma mulher que não lhe disse o nome, tendo ido com esta a um espectáculo. O empregado do bar não se lembra da mulher e, estranhamente, Cliff e Estela também fingem não saber quem esta é, algo que conduz Scott a não ter um álibi sólido para se defender em tribunal (o próprio não sabe bem como descrever esta mulher). Perante a prisão do seu chefe e condenação à morte, Carol Richman (Ella Raines), também conhecida como "Kansas", decide provar a inocência de Scott, exibindo pelo caminho a paixão escondida em relação ao seu superior. Carol conta ainda com a ajuda não oficial de Burgess, que considera que o caso está mal explicado, sobretudo devido a Scott agarrar-se a uma justificação que não faria sentido utilizar se não fosse verdade, devido à fraca defesa que lhe proporciona em tribunal. Carol encontra-se decidida a envolver-se na investigação, entrando em contacto com o empregado do bar, bem como com o baterista do espectáculo, descobrindo aos poucos que alguém andou a pagar dinheiro para estes elementos fingirem que não viram a misteriosa mulher desaparecida. A chegada de Jack, o suposto melhor amigo de Scott, traz um novo elemento ao enredo, com Robert Siodmak a evidenciar-nos desde logo um lado mais negro deste personagem e a mostrar que Carol corre grave perigo de vida.

 Robert Siodmak consegue criar um filme negro inquietante, marcado por algum mistério e tensão em níveis elevados, conseguindo que a certa altura temamos pelo destino de Carol e nos esqueçamos de alguns elementos implausíveis que envolvem o enredo. A inocência de Scott raramente parece ser colocada em causa, tirando para os elementos do tribunal. Diga-se que Siodmak deixa-nos quase sempre com mais conhecimento em relação aos acontecimentos do que aos seus personagens (algo que Alfred Hitchcock efectuou de forma exímia em obras como "Notorious", "The Rope", entre outras), tornando-nos cúmplices dos mesmos, ao mesmo tempo que nos deixa curiosos em saber se a verdade será ou não descoberta. Sabemos que Scott esteve com uma mulher misteriosa, sabemos que Jack é o assassino, mas poucos personagens conseguem discernir logo estes elementos, enquanto "Phantom Lady" coloca a protagonista em diversos locais, seja um bar, um clube nocturno, a casa de Cliff, a habitação de Jack, bem como a visitar o protagonista na sala de visitas da prisão. Existe uma cena onde Scott e "Kansas" se encontram onde a aprumada cinematografia de Woody Bredell fica latente, com a luz difusa a invadir este espaço algo soturno e obscuro da sala, qual réstia de esperança que se encontra a rodear o casal. Ella Raines é o elemento que mais se destaca ao longo do filme, como esta mulher que parece incansável nesta procura de encontrar a figura feminina misteriosa que todos parecem desconhecer. A investigação é complicada e por vezes parece não conduzir a lado algum, até gradualmente a vida de Kansas ficar em perigo. Robert Siodmak cria uma tensão gradual em volta desta investigação, enquanto as mortes se vão sucedendo e o personagem interpretado por Franchot Tone vai aumentando gradualmente de relevância. Este interpreta convincentemente um psicopata aparentemente afável, com notórias dores de cabeça e um tique nas mãos que evidenciam a sua vontade de matar. Robert Siodmak coloca-nos desde cedo a desconfiar deste indivíduo, numa obra que conta ainda com Elisha Cook Jr. a interpretar um personagem secundário relevante, com o actor a ser uma presença habitual neste subgénero de filmes. Vale ainda a pena salientar Alan Curtis como este homem inocente que é considerado culpado por um crime que não cometeu, parecendo aos poucos perder a esperança, embora "Kansas" procure a todo o custo encontrar a "mulher fantasma". Scott aos poucos até começa a desconfiar que a sua memória o pode ter atraiçoado, sobretudo devido a não se conseguir lembrar detalhadamente desta mulher que o acompanhou, com o filme a abordar levemente questões relacionadas com o papel das nossas recordações e como em situações adversas podemos deixar de acreditar naquilo que sabemos ser verdade. Não vamos entrar em mais detalhes sobre esta história marcada pelo mistério, com uma tensão gradual, onde as sombras cobrem os espaços e por vezes toldam os sentidos, existindo ainda um cuidado na elaboração dos cenários interiores, sobretudo na casa do antagonista. Esta habitação é marcada por uma certa frieza (a simbolizar a personalidade de Jack), várias esculturas e uma cómoda que pode conter mais informação do que aquilo que esperamos, num filme que não se limita a explorar os cenários interiores, algo visível na representação dos espaços externos desta cidade. É também na cidade onde se desenrola a investigação, com estes cenários exteriores a surgirem marcados por sombras salientes e figuras estranhas, onde a morte pode surgir a qualquer momento. Primeiro filme noir realizado por Robert Siodmak nos EUA, "Phantom Lady" confirma a capacidade do cineasta em criar uma atmosfera negra, onde a morte e a tensão surgem quase sempre presentes, confirmando a relevância deste para as obras cinematográficas deste subgénero.

Título original: "Phantom Lady". 
Título em Portugal: "A Mulher Desconhecida".
Realizador: Robert Siodmak.
Argumento: Bernard C. Schoenfeld.
Elenco: Franchot Tone, Ella Raines, Alan Curtis, Elisha Cook, Jr., Thomas Gomez, Regis Toomey.

Filmes vistos e/ou revistos em 2015 - "Amour Fou" (138)

Álbum completo em: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.752316198184904.1073741836.152704134812783&type=3&uploaded=1

Trailer de "Irrational Man", o novo filme de Woody Allen. Cecily Strong no elenco de "Michelle Darnell". Novo trailer de "Strangerland", um filme protagonizado por Nicole Kidman e Joseph Fiennes. Jeff Daniels pode juntar-se ao elenco das duas partes de "The Divergent Series: Allegiant". Novo poster de "Barely Lethal". Pierce Brosnan e Milla Jovovich no novo poster de "Survivor". Notícias - 29 de Abril de 2015

- Foi divulgada o trailer de "Irrational Man", um filme realizado por Woody Allen.  O filme conta no elenco com Parker Posey ("Louie"), Jamie Blackley ("If I Stay"), Joaquin Phoenix ("The Master"), Emma Stone ("Magic in the Moonlight"), entre outros.

Sinopse de "Irrational Man": O professor de filosofia Abe Lucas (Joaquin Phoenix) está emocionalmente frágil, incapaz de encontrar qualquer significado ou alegria na vida. Sente que tudo o que tentou fazer, desde o ativismo político ao ensino, não fez qualquer diferença na sua existência. Ao mudar-se para uma pequena cidade para lecionar uma nova turma, Abe envolve-se com duas mulheres: Rita Richards (Parker Posey), uma professora solitária que só deseja que ele a liberte do seu casamento infeliz; e Jill Pollard (Emma Stone), a sua jovem e melhor aluna, que se torna na sua melhor amiga. Jill adora o seu namorado Roy (Jamie Blackley), mas descobre em Abe a sua personalidade artística, torturada, sensível e um passado exótico irresistível. Mesmo mostrando todos estes sinais de desequilíbrio mental, Jill não consegue parar de sentir enorme fascínio pelo seu professor e amigo. Ainda assim, quando ela tenta dar um passo à frente na relação entre ambos, ele recua. Tudo se altera quando Abe e Jill ouvem a conversa de um estranho e sentem-se mergulhados nessa história que parece ter sido escrita para eles. Ao fazer uma introspeção profunda à sua existência, Abe sente-se com toda a força e energia para abraçar novamente a vida. Mas a sua decisão define uma série de acontecimentos que irão afetar Abe, Jill e Rita, para sempre.






-  O Deadline noticiou que Cecily Strong vai juntar-se ao elenco da comédia "Michelle Darnell". Não foram revelados detalhes em relação à personagem que Strong vai interpretar. O filme é realizado por Ben Falcone, através do argumento do próprio, Melissa McCarthy e Steve Mallory. "Michelle Darnell" conta no elenco com Kristen Bell, Melissa McCarthy, Peter Dinklage, Kathy Bathes, entre outros. O enredo de "Michelle Darnell" acompanha uma empresária de sucesso que é detida devido à prática de inside trading. A protagonista procura limpar a sua imagem e regressar ao mundo dos negócios, contando com a ajuda da sua antiga secretária. No entanto, Michelle logo descobre que nem todos os elementos estão dispostos a perdoar os actos que cometeu no passado.

- Foi divulgado um trailer de "Strangerland", um drama australiano protagonizado por Nicole Kidman. O filme foi escrito por Fiona Seres ("série australiana "Tangle") e Michael Kinirons e vai ser realizado por Kim Farrant, realizadora do documentário "Naked on the Inside" e de episódios da série australiana "Rush".
 O enredo de "Strangerland" acompanha um casal cuja relação é levada a um ponto de ruptura depois de os seus dois filhos adolescentes desaparecerem no deserto de Outback.



- O The Hollywood Reporter noticiou que Jeff Daniels encontra-se em negociações para juntar-se às duas partes da adaptação cinematográfica de "Allegiant", o terceiro e último capítulo da saga "Divergent". Como não poderia deixar de ser, o livro vai ser adaptado ao grande ecrã em duas partes. A primeira parte vai ser realizada por Robert Schwentke. Daniels pode interpretar David, o líder do Bureau of Genetic Welfare. O THR salienta que ainda não é certo que Schwentke regresse para realizar "The Divergent Series: Allegiant - Part 2". O filme vai ainda contar no elenco com Shailene Woodley, Theo James, Ansel Elgort, entre outros.
 "Allegiant" foi publicado em Portugal com o título "Convergente" e tem a seguinte sinopse (via Wook): A sociedade de fações em que Tris Prior acreditava está destruída - dilacerada por atos de violência e lutas de poder, e marcada para sempre pela perda e pela traição. Assim, quando lhe é oferecida a oportunidade de explorar o mundo para além dos limites que conhece, Tris aceita o desafio. Talvez ela e Tobias possam encontrar, do outro lado da barreira, uma vida mais simples, livre de mentiras complicadas, lealdades confusas e memórias dolorosas. Mas a nova realidade de Tris é ainda mais assustadora do que a que deixou para trás. As descobertas recentes revelam-se vazias de sentido, e a angústia que geram altera as vontades daqueles que mais ama. Uma vez mais, Tris tem de lutar para compreender as complexidades da natureza humana ao mesmo tempo que enfrenta escolhas impossíveis de coragem, lealdade, sacrifício e amor.

- Foi divulgado um novo poster de "Barely Lethal". O filme é realizado por Kyle Newman ("Fanboys"), através do argumento de John D'Arco. "Barely Lethal" conta no elenco com Gabriel Basso, Jessica Alba, Samuel L. Jackson, Sophie Turner, Hailee Steinfeld, entre outros Poster via IMP Awards.
O enredo de "Barely Lethal" centra-se na personagem interpretada por Hailee Steinfeld, uma jovem assassina que apenas pretende ter uma "adolescência normal". Para alcançar este desiderato, a protagonista finge a sua morte e procura recomeçar a sua vida ao inscrever-se numa escola secundária nos subúrbios. No entanto, esta cedo percebe que ser popular popular na escola secundária pode ser bem mais doloroso do que pensava.

- Já se encontra online um novo poster de "Survivor", um filme realizado por James McTeigue ("V for Vendetta"), através do argumento de Phil Shelby. O filme conta no elenco com Dylan McDermott, Milla Jovovich, Emma Thompson, Pierce Brosnan, Angela Bassett, entre outros. Poster via IMP Awards.
 O enredo de "Survivor" acompanha uma funcionária do Departamento de Estado dos EUA que é designada para trabalhar na embaixada em Londres. Esta é envolvida numa conspiração terrorista, tendo de lutar contra o tempo para travar um atentado e limpar o seu nome.

Resenha Crítica: "Out of the Past" (1947)

 Robert Mitchum é a par de Humphrey Bogart e Dana Andrews um dos actores que melhor personificou o típico protagonista dos filmes noir, atribuindo um cinismo, dureza e carisma latentes aos seus personagens. "Out of the Past", um dos mais elogiados filmes deste subgénero, comprova a capacidade de Mitchum para protagonizar estas obras cinematográficas, interpretando Jeff Bailey, um indivíduo algo cínico, fumador e pronto a disparar falas sardónicas, com um passado conturbado, que se estabeleceu com uma gasolineira em Bridgeport, na Califórnia. Tem um caso com Ann Miller (Virginia Huston), uma jovem algo inocente com quem costuma pescar, algo que desperta o desagrado de Jim (Richard Webb), um indivíduo interessado na personagem interpretada por Virginia Huston. Estamos num filme noir, já sabemos que o romance não vai durar muito tempo, com Joe Stefanos (Paul Valentine) a chegar a Bridgeport em busca do protagonista, procurando que este se reúna com Whit Sterling (Kirk Douglas), um influente indivíduo de poucos escrúpulos, em Lake Taohe. Jeff é obrigado a contar a história do seu passado a Ann, revelando chamar-se Jeff Markham, tendo outrora trabalhado como detective privado com Jack Fisher (Steve Brodie). Num longo flashback, Jeff conta-nos a sua história desde o momento em que foi contratado por Whit, tendo em vista a encontrar Kathie Moffat (Jane Greer), a namorada do personagem interpretado por Kirk Douglas, uma mulher que supostamente deu um tiro no mesmo e roubou-lhe quarenta mil dólares. Whit assegura que não pretende vingar-se da namorada, procurando apenas que esta regresse e devolva o dinheiro, embora o seu carácter vingativo fique bem presente ao longo do filme. Jeff viaja até Acapulco, onde se acredita que esteja Kathie, uma informação que se comprova verdadeira. O que não estava previsto era que Jeff se apaixonasse pela femme fatale, iniciando um romance com esta, algo que traz problemas quando Joe e Whit viajam para o local. São momentos de pura tensão, embora Jeff os consiga despistar temporariamente. Jeff e Kathie saem de Acapulco, escondendo-se de possíveis elementos ligados a Whit que os pudessem perseguir. Tudo se complica quando são descobertos por Jack, com este último a protagonizar um violento combate com o protagonista e antigo sócio, enquanto Kathie observa a cena num misto de medo, orgulho e prazer, vendo dois homens a digladiarem-se devido à sua pessoa. A cena é das mais conhecidas do filme, expondo desde logo o carácter imprevisível e dúbio desta mulher cujas lealdades deambulam consoante os interesses.

Kathie é a típica femme fatale, bela e sedutora, aparentemente frágil mas mortífera, capaz de seduzir os homens embora não consiga enganar o protagonista durante todo o filme, com Jane Greer a criar uma personagem forte e venenosa. Um veneno que se entranha nas almas daqueles que esta seduz, embora gradualmente percebamos que esta não é tão frágil como aparenta inicialmente. A relação entre Jeff e Kathie é marcada nestes flashbacks por alguns momentos de sedução mútua, com esta a convencê-lo da sua inocência em relação ao roubo, pelo menos até a femme fatale eliminar Jack, fugir e deixar um comprovativo da transferência bancária que a coloca como culpada do furto. No presente, Jeff procura reunir-se com Whit e resolver a contenda de uma vez por todas. Escusado será dizer que Kathie já se encontra novamente envolvida com Whit, algo que deixa o protagonista surpreendido e desiludido. Whit procura que Jeff salde a sua dívida ao roubar os registos fiscais que se encontram na posse de Leonard Eels (Ken Niles), o seu advogado, um indivíduo que supostamente o anda a chantagear. Escusado será dizer que a missão é uma armadilha, com Jeff a ver-se envolvido num caso de assassinato, com a sua vida a ficar em perigo, tendo de procurar a todo o custo resolver a situação. Longe vão os momentos iniciais idílicos a pescar com a bela Ann, num espaço quase rural, distante da atmosfera de malaise que rodeia os territórios citadinos deste marcante filme noir. Não faltam traições, várias reviravoltas, espaços citadinos contaminados pelo crime e corrupção, clubes nocturnos, algum pessimismo e um protagonista cínico que se prepara para lidar com um conjunto de situações adversas difíceis de ultrapassar. Estamos perante um universo narrativo típico dos filmes noir, com Jacques Tourneur a criar uma das obras mais memoráveis deste subgénero. Voltamos a ter o protagonista a narrar-nos alguns momentos do enredo, bem como a utilização paradigmática do jogo de luz e sombras, com estas últimas a consumirem os cenários e as almas, que o diga Jeff. Este até procura seguir uma vida correcta ao lado de Ann, mas o seu passado logo o atormenta, quer na figura de Whit, quer na de Kathie. Kirk Douglas é um secundário de peso neste filme, com o personagem que interpreta a contribuir e muito para adensar a atmosfera negra que rodeia "Out of the Past". Whit é um indivíduo vingativo que não difere assim tanto do protagonista em termos de comportamentos, apresentando um enorme cinismo e aparente frieza, gerando-se várias disputas de poderes entre ambos. Disputam a sua independência e autoridade, mas também Kathie, embora esta pareça deambular consoante os interesses. A cena protagonizada por Kirk Douglas, Robert Mitchum e Paul Valentine enquanto se encontram a dialogar à mesa é de pura tensão, com o protagonista a procurar que Whit e Joe não reparem que Kathie está pelo local, enquanto estes parecem desconfiados de Jeff.

O passado de Jacques Tourneur, associado aos filmes de terror, tais como "Cat People", "I Walked With a Zombie", "The Leopard Man" certamente terão influenciado a execução das cenas de maior tensão, com o cineasta a conseguir criar alguns momentos de ansiedade no espectador em relação aos destinos do protagonista. A cinematografia de Nicholas Musuraca é praticamente imaculada, contribuindo para esta atmosfera inebriante e negra, incrementando uma obra bastante recomendável, onde o fumo dos cigarros exala de forma intensa e permite expressar os estados de espírito dos personagens (algo salientado por Roger Ebert). Temos ainda alguns personagens secundários de relevo. Veja-se Rhonda Fleming como Meta Carson, um contacto de Whit que finge ser secretária de Jeff para enganar Eel, mas também Paul Valentine como o violento Joe Stefanos, para além de Dickie Moore como The Kid, um surdo-mudo que é amigo do protagonista. Vale ainda a pena realçar Virginia Huston como Ann, uma jovem que apresenta uma enorme doçura e confiança no protagonista, com quem este passa inicialmente alguns momentos românticos, embora este não seja um filme para sentimentos mais doces. É uma obra marcada por almas inquietas, onde o passado parece influenciar em demasia o seu presente, na qual Robert Mitchum e Kirk Douglas exibem o seu enorme talento e carisma, debitando algumas falas típicas destes filmes. O argumento teve como base o livro "Build My Gallows High" de Daniel Mainwaring, remetendo mais uma vez para a tradição dos filmes deste subgénero de surgirem como adaptações de obras literárias, com "Out of the Past" a ser uma das mais recomendáveis. Recheado de traições e reviravoltas, personagens cínicos e sombras salientes, "Out of the Past" coloca-nos perante um filme noir de excepção, onde as traições surgem quando menos se espera e a felicidade parece muito improvável de ser obtida.

Título original: "Out of the Past".
Título em Portugal: "O Arrependido".
Realizador: Jacques Tourneur.
Argumento: Daniel Mainwaring.
Elenco: Robert Mitchum, Jane Greer, Kirk Douglas, Rhonda Fleming.

28 abril 2015

Marion Cotillard, Léa Seydoux, Vincent Cassel, Nathalie Baye e Gaspard Ulliel no elenco do novo filme de Xavier Dolan. TV Spot de "Aloha". Novo poster da terceira temporada de "Orange is the New Black". Trailer final de "Mad Max: Fury Road". Damián Szifrón vai escrever o argumento de "Six Billion Dollar Man". Notícias - 28 de Abril de 2015: Parte 2

- Antes de começar a filmar "John F. Donovan", Xavier Dolan vai realizar a adaptação cinematográfica da peça "Juste la fin du Monde" ("It's Only The End of the World"). O filme vai contar no elenco com Marion Cotillard,  Léa Seydoux, Vincent Cassel, Nathalie Baye e Gaspard Ulliel. A peça foi escrita por Jean-Luc Lagarce.
  O enredo centra-se num escritor que regressa à sua cidade natal, doze anos depois de ter abandonado a mesma, tendo em vista a anunciar à família que se encontra prestes a morrer. No entanto, esta reunião com os familiares vem trazer ao de cima vários ressentimentos antigos, alimentados pela solidão e pela dúvida, enquanto todas as tentativas de criar empatia são sabotadas pela incapacidade das pessoas em ouvirem e amarem. Via The Playlist

- Foi divulgado um novo poster da terceira temporada de "Orange is the New Black" (via IMP Awards): 

- Já se encontra online o "trailer final" de "Mad Max: Fury Road". O filme é realizado por George Miller (realizador dos anteriores filmes da franquia), através do argumento do próprio, Nick Lathouris e Brendan McCarthy.

 "Mad Max: Fury Road" conta no elenco com Tom Hardy ("The Dark Knight Rises"), Charlize Theron ("Prometheus"), Nicholas Hoult ("X-Men: First Class"), Riley Keough ("Magic Mike"), Zoe Kravitz ("X-Men: First Class"), Adelaide Clemens ("Silent Hill: Revelation 3D"), Rosie Huntington-Whiteley ("Transformers: Dark of the Moon"), Megan Gale ("Stealth"), entre outros. "Mad Max: Fury Road" desenrola-se numa paisagem desértica localizada nos confins do planeta Terra, um território onde quase todos os seres humanos lutam desesperadamente pela sua sobrevivência. Existem dois rebeldes em fuga que podem ser capazes de restaurar a ordem no interior deste mundo marcado pelo sangue e o fogo: Max (Tom Hardy), um homem de acção e de poucas palavras, que procura encontrar paz interior após ter perdido a mulher e o filho. Furiosa (Charlize Theron), uma mulher de acção que acredita que o caminho para a sua sobrevivência pode ser alcançado se conseguir atravessar o deserto e regressar ao local onde cresceu.



-  Bob Weinstein revelou que Damián Szifrón ("Relatos Salvajes") vai escrever o argumento de "Six Billion Dollar Man" (via CS). O filme que vai ser realizado por Peter Berg. Mark Wahlberg está confirmado como protagonista de "Six Billion Dollar Man". O enredo centra-se em Steve Austin, um antigo astronauta que sofreu um grave acidente. O corpo de Steve sofreu várias lesões em diversos membros, algo que conduziu os médicos a substituírem as suas pernas, o seu braço direito e o seu olho esquerdo por elementos biónicos. Esta situação permitiu a Steve ficar com super-poderes, passando a servir os serviços secretos. A história é baseada no livro "Cyborg", escrito por Martin Caidin. O livro foi livremente adaptado para a série televisiva "The Six Million Dollar Man" e a sua derivada "The Bionic Woman".

- Foi divulgado um TV Spot de "Aloha", o novo filme escrito e realizado por Cameron Crowe ("We Bought a Zoo"). O filme conta no elenco com John Krasinski ("Promised Land"), Bill Murray ("Moonrise Kingdom"), Jay Baruchel ("This is the End"), Bradley Cooper ("Silver Linings Playbook"), Danny McBride ("Your Highness"), Rachel McAdams ("Passion"), Emma Stone ("The Amazing Spider-Man") e Alec Baldwin ("Blue Jasmine").
O enredo de "Aloha" centra-se em Brian (Bradley Cooper), o supervisor de uma empresa privada de defesa civil. Este reencontra-se com uma antiga namorada (Rachel McAdams), desenvolvendo pelo caminho uma estranha relação com Ng (Emma Stone), uma piloto da Força Aérea dos Estados Unidos da América. Entretanto, um bilionário misterioso decide lançar um complexo sistema de satélites.


Filmes vistos e/ou revistos em 2015 - "Respire" (137)

Álbum completo em: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.752316198184904.1073741836.152704134812783&type=3&uploaded=1

Marion Cotillard e Michael Fassbender nas novas imagens de "Macbeth". Adam Wingard vai realizar a adaptação cinematográfica de "Death Note". Novo poster de "Loin des Hommes" (Far From Men). Maika Monroe no elenco de "Independence Day 2". Novo poster de "Magic Mike XXL". Brian Tee vai interpretar Shredder em "Teenage Mutant Ninja Turtles 2". Notícias - 28 de Abril de 2015

- O The Hollywood Reporter noticiou que Adam Wingard ("The Guest") vai realizar a nova adaptação cinematográfica de "Death Note". O argumento está a cargo de Jeremy Slatter. Vale a pena recordar que Shane Black foi anteriormente associado ao cargo de realizador do filme. A obra cinematográfica vai adaptar a série de mangas homónima escrita por Tsugumi Ohba e ilustrada por Takeshi Obata. "Death Note" contou com três adaptações cinematográficas no Japão, bem como uma série de anime.

-  Foi divulgado um novo poster internacional de "Loin des Hommes" (Far From Men), um filme escrito e realizado por David Oelhoffen (um estreante na realização de longas metragens). O filme é baseado em "The Host", um dos seis contos de "Exile and Kingdom" (L'Exil et le royaume), uma obra de Albert Camus. "Loins des Hommes" conta no elenco com Viggo Mortensen, Reda Kateb, entre outros. Poster via IMP Awards.
Mortensen vai interpretar um professor francês que lecciona num pequeno território da Argélia, em 1957, durante a guerra da Argélia, que opunha esta nação contra a França. Este é obrigado pelas autoridades a entregar um dissidente, mas os dois acabam por formar um laço inesperado.

- Roland Emmerich anunciou na sua conta do Twitter que Maika Monroe vai integrar o elenco da sequela de "Independence Day". O filme conta ainda no elenco com Joey King, Brent Spiner,  Travis Tope, Vivica A. Fox, Charlotte Gainsbourg, Jessie Usher, Liam Hemsworth e Jeff Goldblum. Spiner vai voltar a dar vida a Brackish Okun, o personagem que interpretou no primeiro filme. Tope vai dar vida a Charlie, um personagem descrito como "duro". Fox vai interpretar Jasmine Dubrow, a mesma personagem a quem deu vida no primeiro filme. Usher vai interpretar o filho de Steven Hiller, o personagem interpretado por Will Smith em "Independence Day". Vale a pena recordar que Will Smith não vai integrar o elenco de "Independence Day 2". O filme vai ser realizado por Roland Emmerich. O argumento inicial foi escrito por James Vanderbilt, tendo posteriormente sido revisto por Carter Blanchard. O argumento mais recente do filme foi escrito por James A. Woods e Nicolas Wright . O enredo da sequela de "Independence Day" ainda não é conhecido.

- A Variety noticiou que Brian Tee vai interpretar Shredder em "Teenage Mutant Ninja Turtles 2". A sequela de "Teenage Mutant Ninja Turtles" vai ser realizada por David Green ("Earth to Echo"), através do argumento de Josh Applebaum e Andre Nemec. O filme conta ainda no elenco com Will Arnett (Vernon), Megan Fox (April O'Neil), Stephen Amell (Casey Jones), Tyler Perry (Baxter Stockman), entre outros. O enredo de "Teenage Mutant Ninja Turtles 2" ainda não é conhecido. Vale a pena recordar que os produtores Brad Fuller e Andrew Form confirmaram na CCXP - Comic Con Experience que Rocksteady e Bebop, dois dos antagonistas mais conhecidos das Tartarugas Ninja, estarão na continuação de "Teenage Mutant Ninja Turtles".

-  Foi divulgado um novo poster de "Magic Mike XXL", um filme realizado por Gregory Jacobs ("Wind Chill"). O filme vai contar no elenco com os regressos de Channing Tatum, Matt Bomer, Joe Manganiello, Kevin Nash, Adam Rodriguez e Gabriel Iglesias, para além de receber novos elementos como Elizabeth Banks ("The Hunger Games"), Donald Glover ("Community"), Amber Heard ("The Rum Diary"), Andie MacDowell ("Footloose"), Jada Pinkett Smith ("Gotham") e Michael Strahan ("Live with Kelly and Michael"). Poster via IMP Awards.
 "Magic Mike XXL" decorre três anos depois de Mike ter abandonado a vida de stripper no topo da sua forma. O filme acompanha os restantes Kings of Tampa, com estes a encontrarem-se prontos a abandonar a actividade de strippers. Estes pretendem dar um último espectáculo em Myrtle Beach, tendo como cabeça de cartaz Magic Mike. Na estrada, a caminho do espectáculo, com paragens em Jacksonville e Savannah estes renovam antigas amizades e fazem novos amigos, enquanto Mike e os seus colegas aprendem alguns novos movimentos.

- Foram divulgadas três imagens da nova adaptação cinematográfica de "Macbeth". O filme é realizado por Justin Kurzel ("Snowtown"), através do argumento de Todd Louiso e Jacob Koskoff. "Macbeth" conta no elenco com Paddy Considine ("The Double"), David Thewlis ("The Zero Theorem"), Sean Harris ("The Borgia"), Jack Reynor ("Delivery Man") e Elizabeth Debicki ("The Great Gatsby"), Marion Cotillard ("Rust & Bone") e Michael Fassbender ("Shame"). Via The Playlist.

 O filme é baseado no clássico escrito por William Shakespeare e apresentará uma "abordagem visceral à história, incluindo nas cenas das batalhas".  O livro tem a seguinte sinopse (via Sinopse do Livro): Em Macbeth (1605), a ambição é o motivo que leva à conspiração contra a vida de um rei. Lady Macbeth, movida pelo desejo de vingança e pela ambição de se tornar rainha, seduz Macbeth a cometer o assassinato do Rei Duncan, pretendendo assim herdar o trono. O ambiente é sombrio, fúnebre, como as almas dos personagens e os seus sórdidos planos pela conquista do poder.

Resenha Crítica: "Cássia Eller" (2015)

 A velocidade com que Cássia Eller passou por este Mundo é apenas igualada pela marca que deixou na música brasileira. Magnética, intensa, irreverente, sensível, pronta a desafiar-se e a exibir a sua versatilidade, bem como a alargar os horizontes daqueles que a seguiam, Cássia Eller uniu gerações em volta das suas canções, tendo no documentário "Cássia Eller" de Paulo Henrique Fontenelle uma obra cinematográfica capaz de nos transmitir a grandeza desta figura, quer na sua dimensão artística, quer na sua dimensão humana, com ambas a estarem intrinsecamente ligadas. Paulo Henrique Fontenelle cria um documentário pulsante de vida, capaz de nos envolver, emocionar, vibrar com as canções desta cantora genial, intensa e marcante. Sem esconder o consumo de droga por parte de Cássia Eller, a identidade do pai de Francisco, o filho desta, a homossexualidade da mesma e as relações extra-conjugais que esta tinha apesar de manter uma relação de longa data com Maria Eugênia Vieira Martins, guardiã do legado da cantora, "Cássia Eller" não procura efectuar uma hagiografia sobre a figura do título, mas sim exibir a complexidade da mesma, o seu enorme talento e manter vivo o seu legado, conseguindo pelo caminho chamar à atenção de fãs e não seguidores da cantora. Tal como Cássia Eller se procurou reinventar constantemente e esbater possíveis catalogações que pudessem fazer da mesma, também Paulo Henrique Fontenelle afasta-se do típico documentário que parece uma reportagem televisiva ao elaborar uma obra cinematográfica dinâmica, capaz de mesclar com enorme assertividade material de arquivo como concertos, entrevistas, vídeos caseiros e fotografias (excelente trabalho com as fotos) da cantora com depoimentos de diversos elementos, ao mesmo tempo que nos deixa com uma ideia de quem foi na essência Cássia Eller. A certa altura somos contagiados pela música desta mulher, pela sua personalidade recheada de contradições, mas também comovidos com episódios relacionados com a sua morte, a batalha legal protagonizada por Maria Eugênia Vieira Martins para ficar com a guarda de Francisco, o papel sensacionalista de alguns meios de comunicação social que fizeram capas a associar a morte da cantora ao consumo de drogas, algo que não se confirmou, com as várias testemunhas a salientarem isso mesmo. Existe um comentário efectuado por Zélia Duncan sobre o destaque dado por um meio de comunicação ao facto da morte de Élis Regina se encontrar ligada ao consumo excessivo de drogas, com a primeira a salientar se uma cantora com uma carreira notável merece ter como primeiro destaque após a sua morte a overdose. O sensacionalismo sobrepôs-se à informação e àquilo que deveria ser relembrado, recordado e reverenciado, em particular os grandes feitos alcançados, com estes a serem relegados para segundo plano para dar destaque ao material sensacionalista que, infelizmente, é consumido por uma parte do público. No caso de Cássia Eller, o papel da imprensa em relação aos relatos sobre o seu falecimento não parece ter sido o melhor, sobretudo se tivermos em conta que a morte desta se deveu a um enfarto do miocárdio. A morte ocorreu a 29 de Dezembro de 2001, tinha Cássia Eller apenas trinta e nove anos, uma carreira a rondar os vinte anos de duração mas a deixar marca de forma inquestionável. "Cássia Eller" apresenta-nos a vários elementos da vida da cantora, desde o início da carreira, na companhia teatral de Oswaldo Montenegro, passando pelos seus trabalhos a cantar em bares até ir ascendendo gradualmente no mundo da música, com esta a nem sempre parecer estar preparada para o sucesso que granjearia. O seu estilo foi mudando ao longo do tempo, com esta a mesclar a irreverência rockeira no palco com uma timidez fora do mesmo, algo exposto ao longo do documentário por vários intervenientes que conviveram com a mesma e salientaram o seu pouco à vontade com a imprensa e lidar com o excessivo assédio dos fãs.

Cássia Eller mudou de penteados, apresentou estilos musicais distintos, mesclando uma ferocidade e fragilidade que a tornavam única, algo que era transmitido para as suas músicas. Mais do que se concentrar em polémicas, embora não fuja das mesmas, "Cássia Eller" procura apresentar a artista do título na sua intimidade, a forma como a imprensa e o público a receberam de forma positiva, a mudança de estilo com o nascimento do filho e a posterior colaboração com artistas como Nando Reis, um dos vários elementos que prestam interessantes depoimentos ao longo do documentário. Um dos álbuns da cantora a efectuar um grande sucesso de público, intitulado "Com Você... Meu Mundo Ficaria Completo", surgiu já depois do nascimento do filho, com esta a procurar seguir em parte os gostos do mesmo, apreciador de Marisa Monte. Este disco foi produzido por Nando Reis, um dos colaboradores marcantes da cantora, com esta a exibir mais uma vez a sua versatilidade, conquistando novamente o público e a crítica. A mudança deveu-se em parte ao facto do filho dizer que esta gritava e Marisa Monte cantava, algo com que a cantora brincou, expondo essa preferência do rebento em diversos momentos, incluindo numa presença no programa de Jô Soares, num momento de humor que marca o documentário. Diga-se que "Cássia Eller" surge diante de nós como uma obra muitíssimo recomendável em grande parte devido às escolhas inteligentes de Paulo Henrique Fontenelle que, associadas ao magnífico material que tinha à disposição, resultaram num documentário sublime na forma delicada e bem viva como nos apresenta a esta cantora. Tanto aparece de cabelo cortado em formato de moicano e pintado, a coçar a dita cuja, a exibir os seios nos concertos, como nos aparece numa versão mais frágil durante a gravidez ou nos momentos em família, para além da sua inaptidão para entrevistas ou para contactar abertamente com o público fora do concerto devido à timidez. É esta complexidade de Cássia Eller e a eficácia a representar a mesma que permitem e muito ao filme sobressair, com Paulo Henrique Fontenelle a ancorar-se em depoimentos de figuras como Nando Reis, Zélia Duncan, Oswaldo Montenegro, Rúbia Eller (irmã de Cássia), Maria Eugênia Vieira Martins, Lan Lan (percussionista da banda de Cássia), Nancy Ribeiro Eller (mãe de Cássia), entre vários outros elementos que foram importantes na carreira desta cantora ou privaram com a mesma. O filme exibe-nos ainda a procura de Cássia em criar um grupo restrito em sua volta, com a sua banda a ter um papel de relevo no trabalho, enquanto esta muitas das vezes colocava a cabeça em água ao seu agente com a marcação de concertos imprevistos, com a sua enorme disponibilidade em participar nos mesmos a nem sempre se coadunar com a capacidade real de poder estar em todo o lado ao mesmo tempo. O seu concerto no Rock in Rio, em 2001, onde sobressaiu num dia onde constavam bandas como os R.E.M. e Foo Fighters, é surpreendente, sobretudo para pessoas como eu que nunca tinham visto esta cantora em palco. Aparece inicialmente de violão na mão, num estilo aparentemente distinto daquele que o público e a organização esperariam, até passar por temas como "Smells Like Teen Spirit" dos Nirvana e exibir a sua enorme capacidade de envolver os espectadores. A própria já tinha apresentado alguma polémica ao comentar que o cachet dado pela organização serviria apenas para pagar os custos do concerto, com esta a tocar acima de tudo pela oportunidade. Agarrou o público com o seu estilo magnético, dominando os palcos como poucos elementos conseguiram, com a sua inteligência e talento a permitirem adaptar-se tanto a grandes espaços como este, como a locais dedicados ao samba e a pequenos espaços, com esta a preferir sempre tocar onde pudesse ver e interagir directamente com o público. Existe algo de apaixonante na figura de Cássia Eller que Paulo Henrique Fontenelle consegue transmitir, com o cineasta a criar um documentário capaz de expor as diversas "camadas" que fizeram com que esta cantora deixasse poucas pessoas indiferentes.

Confesso que dei por mim a viver intensamente os trechos dos concertos da cantora (o momento em que canta "Non, Je ne regrette rien" de Édith Piaf é simplesmente arrepiante), a deixar-me levar pela história de alguns dos "pedaços" da sua vida, a comover-me com alguns episódios relacionados com a sua morte, com "Cássia Eller" a manter um tom por vezes algo nostálgico mas também de enorme amor a uma figura simplesmente apaixonante. Não era conhecida pelas suas capacidades como compositora, mas sim pela forma como se apropriava das letras que outros escreviam para si atribuindo-lhes uma alma muito própria, algo visível em temas como "Malandragem", escrito pelo não menos marcante Cazuza, um compositor brilhante que falecera precocemente aos trinta e dois anos de idade. Para representar uma figura tão especial, Paulo Henrique Fontenelle providencia-nos um documentário brilhante, capaz de retratar a intimidade, o talento e complexidade de Cássia Eller, mesclando material de arquivo que varia entre fotografias, vídeos privados, de concertos e entrevistas, depoimentos que acrescentam algo, elaborando um magnífico trabalho com as imagens, beneficiando ainda de uma montagem que imprime um ritmo fluído a este documentário especial. Diga-se que, devido a não contar com uma biografia oficial sobre Cássia Eller para seguir, Fontenelle recorreu a "Acervos de jornais, TVs e lembranças de amigos (...) como principal matéria-prima para o roteiro, que não teve interferência da família". Nesse sentido, não vão faltar ainda recortes de jornais, onde somos colocados diante das críticas à cantora, na maioria positivas, incluindo a estrondosa recepção à sua performance no Rock in Rio de 2001, um momento que marcou um pico de popularidade da cantora. Vão ainda ser utilizados depoimentos de alguns críticos e jornalistas, com o trabalho da cantora a ser mesclado na justa medida com a vida privada da mesma, com ambos a influenciarem-se um ao outro. Veja-se quando é salientado que tiveram de ir para uma espécie de retiro com a banda devido a uma terceira pessoa na vida de Cássia e Maria Eugênia Vieira Martins, que veio em certa parte mexer com o status quo, embora a prioridade da cantora sempre fosse a parceira de longa data. Na visualização de um documentário devemos ter sempre em consideração que estamos diante de um ponto de vista sobre os elementos retratados. O caso de "Cássia Eller" não é diferente embora se note uma procura de Paulo Henrique Fontenelle em ser fiel ao elemento que retrata, elaborando uma obra cinematográfica sem grandes tabus que aborda de forma simultaneamente delicada e intensa a história da vida de uma mulher que passou por este planeta pronta a deixar marca, embora muitas das vezes não parecesse estar consciente disso. Acima de tudo parecia querer cantar, interagir com o público, tendo na música uma forma primordial de se exprimir e soltar-se da sua timidez, exibindo um lado mais doce quando se encontrava a cuidar do filho. É uma mulher marcante, com Paulo Henrique Fontenelle a procurar explorar essa complexidade da cantora, mesclando o lado mais selvagem e sensível da mesma, bem como o seu amor pela música e a sua capacidade de surpreender aqueles que a acompanhavam. Marcante e apaixonante, "Cássia Eller" surge como um documentário arrebatador que nos expõe a uma mulher talentosa, que deixou a sua marca no mundo da música, naqueles que a rodearam e nos seus fãs. Sem mais rodeios: "Cássia Eller" é um documentário simplesmente brilhante e apaixonante.

Título original: "Cássia Eller". 
Realizador: Paulo Henrique Fontenelle. 
Argumento: Paulo Henrique Fontenelle.