28 novembro 2014

A Semana em Revista - 24 a 30 de Novembro de 2014

 Boa Noite, caros leitores e leitoras que se dão ao trabalho de ler este blog (e também para aqueles que o ignoram  e se enganaram ao entrar nesta página). Em Agosto tomámos a decisão de "folgar" aos fins de semana, uma medida que se manteve em Setembro e regressou a semana passada. Começa a existir algum cansaço acumulado e situações como esta não ajudam (mas não vou gastar mais caracteres com o assunto). Um blog não é um emprego, não temos subsídios/apoios para financiar o nosso hobbie, pelo que estes dias de descanso também são necessários para arejarmos ideias e sobretudo para termos mais tempo para nós. Para quem não conhece, esta é uma espécie de rubrica semanal que consiste num post manhoso onde aproveito para efectuar um balanço do que foi feito no Rick´s Cinema ao longo da semana.

O primeiro destaque vai para as oito críticas publicadas ao longo da semana:

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O segundo destaque vai para os textos em atraso da cobertura que efectuámos ao Lisbon & Estoril Film Festival (algo que ficará concluído com o texto do Hugo a "Hermosa Juventud" e o meu texto ao "Opening Night"):

- http://bogiecinema.blogspot.pt/search/label/Lisbon%20and%20Estoril%20Film%20Festival

O terceiro destaque centra-se nos posts diários ou bidiários que remetem para as notícias do dia. Cada vez mais parece inútil andar dia após dia a publicar notícias de forma sistemática, sobretudo quando cada vez mais sites, blogs, páginas de Facebook e grupos nas redes sociais fazem o mesmo. Nesse sentido, decidimos começar a publicar as notícias num post diário, algo que permite agilizar a publicação das mesmas e dar um tom mais pessoal a este espaço:

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O quarto destaque centra-se no post sobre as estreias da semana, escrito pelo Hugo Barcelos:

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O quinto destaque vai para o mini artigo sobre os êxitos de Jim Carrey em 1994:

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Voltamos a recordar que o Rick's Cinema conta com dez nomeações para os TCN Blog Awards. As votações já se encontram a decorrer. Quem quiser votar pode encontrar no segundo post as nomeações deste espaço e os locais de voto, bem como o link para o Cinema Notebook que remete para a página onde se encontram todos os nomeados:

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Resenha Crítica: "The Bourne Ultimatum" (2007)

 A demanda de Jason Bourne para descobrir os elementos sobre o seu passado continua em "The Bourne Ultimatum", o terceiro capítulo de uma marcante saga que mescla com perícia acção e espionagem, enquanto Matt Damon empresta o seu carisma a um anti-herói que outrora fora um assassino e agora pretende de uma vez por todas saber tudo sobre o programa do qual fez parte. No primeiro filme encontramos Jason Bourne à deriva no meio do mar, sendo salvo por um conjunto de pescadores, sabendo praticamente nada sobre a sua pessoa. Aos poucos descobre que fez parte do Programa Treadstone, uma iniciativa secreta dos serviços secretos dos EUA que visava criar soldados praticamente perfeitos, letais e leais. Este forma uma relação de proximidade com Marie (Franka Pottente) que é eliminada no segundo filme da saga, "The Bourne Supremacy", com Bourne a ter de vingar a amada e a lidar com um plano para incriminá-lo do assassinato de dois agentes da CIA e do roubo dos fundos para recuperar informação dos "ficheiros Neski", algo que o conduz nos momentos finais a ter de se deslocar a Moscovo. "The Bourne Ultimatum" continua os eventos que aconteceram um pouco antes do término do filme anterior, com Jason Bourne a procurar fugir da Rússia, algo que consegue com sucesso, assumindo desta vez uma postura mais activa, deixando de ser apenas a presa com enorme instinto de sobrevivência que reage quando colocada em perigo. No caso, Bourne procura descobrir quem se encontra por detrás do programa, ao mesmo tempo que tem que lidar com uma nova ameaça, Noah Vosen (David Strathairn), uma figura sinistra que lidera a Operação Blackbriar, uma espécie de continuidade do desactivado Projecto Treadstone, representando o lado negro e mais nebuloso da segurança dos EUA. Vosen é uma figura que não olha a meios para proteger a sua operação, procurando eliminar Bourne mas também todos aqueles que se coloquem no seu caminho, incluindo Simon Ross (Paddy Considine num pequeno mas relevante papel), um jornalista do The Guardian que consegue informação sobre o projecto Treadstone através de Neal Daniels, um elemento ligado à fundação do mesmo que procura colocar este lado nebuloso dos serviços secretos a público. Bourne consegue reunir-se com Ross em Londres, na estação de Waterloo, num momento de enorme estratégia onde procura ludibriar os homens de Vosen e fazer com que o personagem interpretado por Paddy Considine escape, mas este acaba por ser morto por Paz (Édgar Ramirez), um assassino às ordens dos elementos da Operação Blackbriar. Na sede da CIA encontra-se ainda Pamela Landy (Joan Allen), uma mulher a quem Bourne forneceu informações sobre Ward Abbott (Brian Cox), um elemento corrupto da agência, procurando uma acção mais pacífica em relação a Bourne, enquanto Vosen apenas pensa em eliminar um dos poucos elementos a ligar a agência a Treadstone. As pistas reunidas por Bourne conduzem-no até Madrid para procurar pelo contacto de Ross, deparando-se pelo caminho com Nicky (Julia Stiles), um dos poucos contactos positivos que este gera ao longo dos filmes, com a personagem interpretada por Julia Stilles a ter uma maior relevância no terceiro filme da franquia, deixando uma ponta solta sobre a possibilidade de terem partilhado um passado em comum. Entretanto, Daniels viajou para Tânger, onde Bourne e Nicky têm de lidar com Desh Bouksani (Joey Ansah), um letal elemento da Operação Blackbriar, naquele que será um dos muitos contratempos que o protagonista vai encontrar para finalmente descobrir a verdade sobre o seu passado e manter a sua vida, ao mesmo tempo que se embrenha pelos mais variados locais.

No terceiro filme da saga, Jason Bourne ainda continua com amnésia em relação a vários dos episódios do seu passado, embora tenha consciência das mortes que provocou, permitindo mais uma vez a Matt Damon emprestar o seu talento a este carismático anti-herói que continua sem saber ao certo quem realmente foi antes de integrar o programa Treadstone. Quase sempre com vestes de cores escuras, personalidade discreta, uma enorme capacidade para as lutas corpo a corpo e para a correria, Bourne é ainda um hábil estratega, algo que comprova nas fugas em espaços tão distintos como Londres, Tânger e até nos EUA, com o filme a não poupar nos momentos de enorme dinamismo. Não faltam perseguições, cenas de acção intensas, tudo adensado por um magnífico trabalho de montagem e uma cinematografia capaz de traduzir a enorme pulsão violenta que envolve o enredo, ao mesmo tempo que nos vamos deliciando perante aquele que supostamente seria o último capítulo desta saga livremente baseada no personagem criado por Robert Ludlum. O protagonista volta mais uma vez a ter de lidar com os fantasmas do seu passado, iniciando um jogo entre "o gato e o rato" com Vossen, com este último a parecer o maior desafio ao longo dos três filmes. Strathain interpreta um burocrata frio que representa o lado negro da espionagem dos EUA e das políticas menos claras deste país no que diz respeito à defesa nacional, com o actor a ser capaz de expressar esta frieza que contrasta com as dúvidas de Pamela Landy. Se em "The Bourne Supremacy" Pamela Landy tinha um pouco as características de Vossen, já em "The Bourne Ultimatum" esta aparece com bastantes dúvidas em relação a Jason Bourne, percebendo que este é muito mais vítima do que culpado em toda a situação em que se envolveu. Apesar de toda acção que rodeia o filme e da atmosfera de enorme inquietação que envolve o enredo, "The Bourne Supremacy" volta a manter uma qualidade que ficou como uma imagem de marca das duas obras anteriores: não descurar o desenvolvimento dos personagens. Temos perseguições de carros a alta velocidade, muita pancadaria, corridas pelos telhados dos prédios e ruas de Tânger, estratégias mirabolantes, mas no final o maior ponto de interesse é ficarmos a conhecer mais sobre Jason Bourne. Este é um tipo aparentemente comum que foi treinado por vontade própria para um programa cujas características nefastas parecia desconhecer, desenvolvendo uma força e habilidades acima da média embora apenas as utilize quando é instigado a tal. Não está isento de defeitos e até parece apresentar algum sentimento de culpa, algo notório quando se desculpa junto do irmão (Daniel Brühl) de Marie, numa obra que nunca se cansa de nos dizer que Jason Bourne não é uma máquina. Os antagonistas e os vários elementos secundários do programa Treadstone e Blackbriar por vezes são algo unidimensionais, naquela que é a grande pecha do filme, embora Joey Ansah tenha alguns momentos intensos de pancadaria com o protagonista. O trabalho com a câmara é dinâmico, com Paul Greengrass e Olivier Wood a contribuírem e muito para o mesmo dinamizar o enredo, auxiliados mais uma vez por uma certeira banda sonora de John Powell. A cena final de "The Bourne Ultimatum" remete para o início de "The Bourne Identity", com Paul Greengrass a pretender efectuar um movimento circular que reunisse os três filmes, onde a acção surgiu em doses assinaláveis, a espionagem nunca foi descurada, tal como a faceta humana do protagonista nunca foi esquecida.

Título original: "The Bourne Ultimatum". 
Título em Portugal: "Ultimato".
Realizador: Paul Greengrass. 
Argumento: Tony Gilroy, Scott Z. Burns, George Nolfi.
Elenco: Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Scott Glenn, Paddy Considine, Édgar Ramírez, Albert Finney, Joan Allen.

1994 - Um bom ano para ser Jim Carrey

 A estreia de Dumber and Dumber To está para breve. O filme marca o regresso de Jim Carrey ao papel de Lloyd Christmas, um dos personagens mais populares da carreira do actor, tendo interpretado o mesmo em Dumb and Dumber. Realizado pela dupla formada por Peter e Bobby Farrelly, Dumb and Dumber foi lançado originalmente a 16 de Dezembro de 1994, tendo conquistado o público e até alguns sectores da crítica, conseguindo criar uma larga base de fãs. Diga-se que 1994 foi um bom ano para ser Jim Carrey. Apesar de ter participado em obras cinematográficas como Once Bitten, Earth Girls Are Easy, Pink Cadillac, entre outras, para além de ter conhecido algum sucesso na série In Living Color, o actor apenas viria a ser reconhecido globalmente a partir de Ace Ventura: Pet Detective, uma comédia realizada por Tom Shadyac, que permitiu ao actor finalmente ganhar o reconhecimento do público, com o filme a conseguir gerar cerca de 107 milhões de dólares em receitas globais ao redor do Mundo. Apesar das críticas negativas, o nome de Jim Carrey ganhou destaque, algo realçado por Emanuel Levy no seu site: "Ace Ventura: Pet Detective, directed by Tom Shadyac, is overall a rather silly comedy with some very funny moments, putting on the map a new comedian, Jim Carrey, who in the same year also made The Mask. Both movies were popular at the box-office, largely due to the overly energetic and even manic performance of Carrey, who proved he could contort his elastic face and body in unparalleled amazing manner". O actor destacou-se pela capacidade de utilizar o seu corpo ao serviço do humor, bem como pelo seu timing geralmente certeiro para os momentos de comédia, apesar de por vezes perder por completo o controlo e exagerar com os improvisos (sem um realizador competente a controlá-lo Carrey pode ser "um perigo"). Ace Ventura: Pet Detective estreara a 4 de Fevereiro de 1994, permitindo a Carrey destacar-se como o personagem do título, um detective "especialista" na arte de descobrir animais desaparecidos e protector das espécies indefesas, cuja personalidade é deveras peculiar. 

 A 29 de Julho de 1994 Jim Carrey viria a conhecer aquele que seria o seu maior êxito até então: The Mask. Baseado na série de comics homónima, The Mask catapultou definitivamente Jim Carrey para o estrelato. Não falta humor slapstick, irreverência, alguma acção, uma sensual Cameron Diaz e um simpático personagem canino em The Mask mas o maior destaque é a interpretação de Jim Carrey como Stanley Ipkiss. Este é um indivíduo introvertido cuja vida muda quando encontra uma misteriosa máscara que o coloca com um rosto verde, corpo flexível, força acima da média e a extravasar as suas emoções. A realização de Chuck Russell está longe de ser inovadora ou surpreendente mas The Mask funcionou como um filme de entretenimento, tendo surpreendido os analistas com os seus resultados de bilheteira: mais de 351 milhões de dólares ao redor do Mundo, valores muito superiores aos 23 milhões de dólares do seu orçamento. Com dois sucessos de bilheteira praticamente de seguida, Jim Carrey passou a ser um nome a ter ainda mais em atenção. No final de 1994, Dumb and Dumber viria a comprovar o grande ano de Jim Carrey, naquele que foi mais um sucesso de bilheteira do actor. No ano seguinte, Jim Carrey voltaria a dar vida a Ace Ventura em Ace Ventura: When Nature Calls e interpretaria o vilão The Riddler em Batman Forever. Sucesso junto do público, embora sem convencer por completo a crítica, Jim Carrey teria em The Truman Show uma das suas obras com críticas mais positivas. Nos dias de hoje, Jim Carrey encontra-se numa fase menos positiva da carreira, com The Incredible Burt Wonderstone a falhar nas bilheteiras, para além das polémicas geradas por se recusar a promover Kick-Ass 2 devido à violência presente na obra, quase que comprovando a teoria do protagonista de Nayak de que três fracassos podem conduzir à queda em desgraça de um actor. Dumb and Dumber To pode permitir a Jim Carrey regressar aos seus melhores momentos, pelo menos junto do público, após ter conseguido conquistar o mesmo em 1994. A sua carreira posterior a 1994 nem sempre foi marcada pelo sucesso, contando com "flops" de bilheteira como Man on the Moon (1999), The Majestic (2001), The Incredible Burt Wonderstone (2013), embora nem por isso possamos falar de uma carreira de mau nível. Se é certo que Jim Carrey nem sempre tem convencido a crítica, já o mesmo não se pode dizer do sucesso que alcançou junto do público, tendo conseguido granjear um número considerável de fãs. Algo parece relativamente certo: o ano de 1994 ficará para sempre marcado na carreira do actor.

Mini artigo publicado originalmente na Take 37: http://take.com.pt/

Notícias - 28 de Novembro de 2014 - Teaser trailer de "Star Wars: Episode VII - The Force Awakens"; TV Spot especial do Dia de Acção de Graças de "Exodus: Gods and Kings"; Dois novos posters de "Big Hero 6"; Novo trailer de "Shaun the Sheep"; Mais uma arte conceptual de "The Good Dinosaur"; Trailer e poster de "Wild Card"

- Foi divulgado um TV Spot especial do Dia de Acção de Graças de "Exodus: Gods and Kings", o novo filme de Ridley Scott. O argumento do filme foi originalmente escrito por Adam Cooper e Bill Collage, tendo posteriormente sido rescrito por Steve Zaillian. O elenco deve contar com elementos como Ben Kingsley ("Iron Man 3"), John Turturro ("Fading Gigolo"), Sigourney Weaver ("Alien"), Aaron Paul ("Breaking Bad"), Joel Edgerton ("The Great Gatsby") e Christian Bale ("The Dark Knight Rises").
O enredo do filme é baseado na história de Moisés. De acordo com lenda, Moisés liderou o povo judeu na fuga da escravidão no Antigo Egipto, tendo instituído a Páscoa Judaica. Depois guiou seu povo através de um êxodo pelo deserto durante quarenta anos, que se iniciou através da famosa passagem em que Moisés abre o Mar Vermelho, para possibilitar a travessia segura dos judeus. Segundo a Bíblia, Moisés recebeu no alto do Monte Sinai as Tábuas da Lei de Deus, contendo os Dez Mandamentos. Christian Bale vai dar vida a Moisés, enquanto Joel Edgerton vai interpretar Ramsés II.



"Big Hero 6" ganhou mais dois novos posters internacionais. O filme é realizado por Don Hall e Chris Williams e conta no elenco vocal com TJ Miller, Jamie Chung, Maya Rudolph, Ryan Potter, Genesis Rodriguez, Scott Adsit, entre outros.
A série de comics "Big Hero 6" foi criada por Steven T. Seagle e Duncan Rouleau em 1998, sendo protagonizada por um grupo de super-heróis japoneses. A equipa inicial incluía Silver Samurai, Sunfire, GoGo Tomago, Honey Lemon, Hiro Takachiho and Baymax. O grupo recentemente participou no arco "Ends of the Earth", escrito por Dan Slott para os comics de "The Amazing Spider-Man". O enredo do filme de animação centra-se no prodígio Hiro Hamada e no seu companheiro robótico BayMax, uma dupla que se une aos super-heróis para combater o mal.

- Já se encontra online um novo trailer da adaptação cinematográfica de "Shaun the Sheep". O filme é escrito e realizado por Richard Starzak (aka Golly) e Mark Burton, sendo produzido pelo  StudioCanal e a Aardman Animations.

 Shaun the Sheep surgiu pela primeira vez na curta vencedora de um Oscar, "A Close Shave". A longa metragem é desenvolvida em stop-motion e acompanha as aventuras de Shaun, Bitzer e companhia na cidade, tendo em vista a resgatar o responsável pela quinta, após este ter sido colocado fora da mesma devido aos estragos provocados por Shaun.



- Foi divulgada mais uma arte conceptual de "The Good Dinosaur", um filme de animação realizado por Peter Sohn, após Bob Peterson ter sido afastado do projecto. "The Good Dinosaur" conta no elenco vocal com Lucas Neff, John Lithgow, Frances McDormand, Bill Hader e Neil Patrick Harris.
"The Good Dinosaur" coloca a questão: O que teria acontecido se o asteroide catastrófico que mudou para sempre a vida da Terra, tivesse passado ao lado do planeta e os dinossauros nunca tivessem sido extintos? A história centra-se em Arlo, um Apatosaurus adolescente que conta com um enorme coração. Após um evento traumático que mexe com a pequena comunidade de Arlo, este tem de iniciar uma jornada para restaurar a paz, contando com uma companhia inesperada - um jovem rapaz humano chamado Spot. 

- Foi divulgado o teaser trailer de "Star Wars: Episode VII - The Force Awakens". O novo filme da saga "Star Wars" é realizado por J.J. Abrams ("Star Trek Into Darkness"). O argumento esteve inicialmente a cargo de Michael Arndt, tendo posteriormente entrado em cena Abrams e Lawrence Kasdan.

"Star Wars: The Force Awakens" conta no elenco com Christina Chong ("W.E."), John Boyega ("Attack the Block"), Daisy Ridley, Adam Driver ("Girls"), Oscar Isaac ("Inside Llewyn Davis"), Andy Serkis ("Dawn of the Planet of the Apes"), Domhnall Gleeson ("About Time"), Max von Sydow ("Flash Gordon"), Lupita Nyong'o ("12 Years a Slave"), Gwendoline Christie ("Game of Thrones"), Crystal Clarke ("The Moon and the Sun"), Pip Anderson, Harrison Ford, Carrie Fisher, Mark Hamill, Anthony Daniels, Peter Mayhew, e Kenny Baker. O enredo do filme ainda é desconhecido, sabe-se apenas que é o primeiro volume de uma nova trilogia da famosa saga criada por George Lucas.



- Já se encontra online um trailer e um novo poster de "Wild Card", um filme protagonizado por Jason Statham. "Wild Card" é realizado por Simon West, através do argumento de William Goldman.
O elenco é composto por elementos como Sofía Vergara, Milo Ventimiglia, Jason Statham, Stanley Tucci, Anne Heche, entre outros. O enredo centra-se em Nick Wild, um indivíduo que procura perder o vício do jogo que trabalha como segurança de alguns amigos. O trailer pode ser visto no seguinte link: The Film Stage.

27 novembro 2014

Resenha Crítica: "The Bourne Supremacy" (2004)

 "The Bourne Supremacy" continua com grande intensidade os eventos da saga cinematográfica iniciada em "The Bourne Identity", colocando-nos novamente perante Jason Bourne (Matt Damon), um antigo assassino que fez parte do programa secreto Treadstone. A sequela começa dois anos depois dos eventos de "The Bourne Identity", apresentando-nos a Jason Bourne a viver com Marie Kreutz (Franka Potente) em Goa, na Índia, após se ter reencontrado com a mesma no final do último filme. Este continua a não saber tudo do seu passado como assassino ao serviço de um programa dos serviços secretos dos EUA, recordando-se de alguns momentos em flashbacks que esporadicamente assolam a sua memória, procurando apontar os mesmos e levar uma vida pacata ao lado da amada. Tudo muda quando Kirill (Karl Urban) assassina os elementos da CIA que se encontravam ao serviço de Pamela Landy (Joan Allen) em Berlim, tendo em vista a transacionarem os "ficheiros Neski" por três milhões de dólares, com o assassino a roubar o dinheiro, eliminar os agentes secretos e utilizar as impressões digitais de Jason Bourne, colocando o mesmo de volta à rota da agência de segurança. Enquanto isso, Kirill, um assassino supostamente contratado por Yuri Gretkov (Karel Roden), um magnata associado aos negócios com o petróleo, viaja até Goa para eliminar Jason Bourne, uma missão que pensa ter cumprido, embora o seu disparo atinja mortalmente Marie, algo que desperta o ímpeto assassino do protagonista que se vai procurar vingar do personagem interpretado por Karl Urban, para além de ter de exibir o seu instinto de sobrevivência ao ser perseguido pela CIA por um crime que não cometeu. Pamela Landy contacta Ward Abbott (Brian Cox), um elemento responsável pelo Projecto Treadstone, supostamente encerrado no último filme, uma figura nebulosa que vai ter mais ligações com o assassinato dos elementos que iam trocar os ficheiros Neski do que poderíamos esperar, para este lhe fornecer informações sobre o caso. Com a CIA no seu encalço, Bourne parte até Nápoles, utilizando o dinheiro que tem de reserva e um passaporte com o seu nome para demonstrar que está de volta ao activo, até se deslocar a Munique e posteriormente a Berlim para procurar descobrir a verdade sobre os acontecimentos que o rodearam e limpar o seu nome. Por sua vez, Pamela enceta uma caçada a Bourne, enquanto Kirill desconhece inicialmente que o personagem interpretado por Matt Damon se encontra vivo, algo que irá descobrir com o avançar da narrativa. Os ficheiros Neski remetem para um roubo de vinte milhões de dólares que ocorrera há sete anos, com Vladimir Neski, um político russo, a revelar que o furto foi efectuado por elementos do interior da CIA, algo que não é confirmado devido à misteriosa morte deste, supostamente às mãos da esposa, e ao suicídio desta. Mais tarde é-nos revelado que esta foi a primeira missão da carreira de Jason Bourne, com a operação de Kirill a envolver uma procura de esconder uma situação nebulosa que envolve elementos corruptos no interior da CIA, algo que vai afectar o protagonista, enquanto este se desloca mais uma vez para uma miríade de locais. Desde Goa, passando por Nápoles e Berlim, até Moscovo, Jason Bourne entra numa busca solitária por descobrir por que é que o envolveram no assalto inicial e a sua amada foi morta, com Paul Greengrass a assumir com sucesso a realização do novo filme da franquia, após Doug Liman ter realizado "The Bourne Identity".

As cenas de acção voltam a ser marcadas por uma enorme intensidade, sobressaindo mais uma vez a capacidade de Matt Damon nas lutas corpo a corpo e as coreografias das mesmas, para além das intensas corridas e perseguições de carros, destacando-se aquela que é efectuada em Goa nos momentos iniciais do filme e em Moscovo no último terço, para além das várias fugas por zonas públicas como em Berlim durante uma manifestação que evidenciam mais uma vez o engenho de Jason Bourne para este tipo de situações. Apesar de toda a acção frenética e da utilização de um conjunto variado de espaços citadinos, "The Bourne Supremacy" volta a sobressair pelo mistério colocado em volta do protagonista e pelo argumento nunca o representar como uma máquina de matar infalível e sem sentimentos. Matt Damon volta a contribuir para humanizar o personagem, com a sua relação com Marie e as recordações da mesma a serem novamente um dos elementos que permitem colocar Bourne como um ser humano que, apesar de todas as suas qualidades para o combate e estratégia, está longe de não apresentar sentimentos e os seus pontos fracos. Veja-se que inicialmente ainda pensa que o programa Treadstone está activo, embora tenha sido encerrado e Conklin (Chris Cooper) misteriosamente assassinado, para além de parecer notório que Bourne apenas utiliza a sua habilidade para o combate porque assim é obrigado. Já Karl Urban interpreta um personagem letal e completamente unidimensional, ao serviço de um elemento surpreendente, cabendo a Brian Cox e Joan Allen terem os papéis secundários de maior relevo e alguma complexidade. Brian Cox como o burocrata que guarda segredos sobre o programa Treadstone, capaz de representar o lado mais nebuloso das agências de segurança. Por sua vez, Allen interpreta a personagem feminina mais forte do filme, uma mulher disposta a tudo para capturar Bourne e a descobrir a verdade sobre os ficheiros Neski, inteirando-se gradualmente do intrincado programa secreto que envolveu o protagonista, enquanto Bourne continua a ter várias dúvidas sobre a sua pessoa. Vale ainda a pena realçar Julia Stilles como "Nicky", um elemento com quem Bourne exige reunir-se devido à ligação desta ao programa Treadstone no primeiro filme da saga. "The Bourne Supremacy" volta a manter várias das qualidades de "The Bourne Identity": não falta o mistério em relação ao protagonista e a descoberta de elementos sobre o seu passado que vamos efectuar com o mesmo, cenas de acção intensas e bem coreografadas, um argumento coeso capaz de nos deixar perante uma investigação intrincada, algumas reviravoltas, mortes e uma banda sonora capaz de atribuir maior intensidade aos momentos mais frenéticos. Nesse sentido, vamos ter um conjunto de cenas de perseguição a alta velocidade mais intensas do que no primeiro filme, mas também um maior desenvolvimento do protagonista, com "The Bourne Supremacy" a servir o propósito de incrementar a saga cinematográfica baseada no popular personagem criado por Robert Ludlum, parecendo claro que neste filme Jason Bourne está ciente de uma parte menos positiva do seu passado, que bem procura deixar para trás, embora seja um desiderato difícil de conseguir. Temos ainda uma atmosfera de paranoia de parte a parte, com os elementos da CIA a temerem os próximos passos de Bourne e este a ter de manter o controlo para não ser capturado e eliminado antes de conseguir os seus objectivos, com o filme a, tal como em "The Bourne Identity", conseguir mesclar com sucesso as cenas do personagem solitário com os momentos nos escritórios da agência secreta. "The Bourne Supremacy" surge como uma intensa e marcante sequela de "The Bourne Identity" confirmando mais uma vez o carisma de Matt Damon a interpretar o personagem, ao mesmo tempo que somos colocados perante alguns momentos de enorme intensidade, com Paul Greengrass a assumir com sucesso a cadeira de realizador daquele que é um dos melhores filmes da saga. 

Título original: "The Bourne Supremacy".
Título em Portugal: "Supremacia".
Realizador: Paul Greengrass.
Argumento: Tony Gilroy.
Elenco: Matt Damon, Franka Potente, Brian Cox, Julia Stiles, Karl Urban, Gabriel Mann, Joan Allen.

Notícias - 27 de Janeiro de 2014 - Novo trailer internacional de "Kingsman: The Secret Service"; Sequela de "Independence Day" vai avançar; Novo banner de "Inherent Vice"; Três novas imagens promocionais de "Fifty Shades of Grey"; Dois novos posters de "The SpongeBob Movie: Sponge Out of Water"; "Shaun the Sheep" ganha um novo poster

- O Deadline noticiou que a 20th Century Fox deu luz verde para o desenvolvimento da sequela de "Independence Day". A mesma fonte salienta que a sequela vai começar a ser filmada em Maio de 2015, esperando-se que estreie a 24 de Junho de 2016. O estúdio encontra-se a fechar contrato com Roland Emmerich para que este realize o filme. O enredo da sequela de "Independence Day" ainda não é conhecido. Bill Pullman e Jeff Goldblum devem regressar para interpretarem os mesmos personagens a quem deram vida no primeiro filme. Will Smith não deve estar presente no elenco.

- Foi divulgado um novo banner de "Inherent Vice", o novo filme do realizador Paul Thomas Anderson. O filme vai estrear a 12 de Dezembro de 2014 nos EUA. "Inherent Vice" conta com um elenco de luxo onde constam nomes como Joaquin Phoenix, Josh Brolin, Martin Short, Jena Malone, Reese Witherspoon, Owen Wilson, Benicio Del Toro, Maya Rudolph, entre outros.
 O argumento do filme é escrito por Paul Thomas Anderson, sendo baseado no livro Inherent Vice, de Thomas Pynchon. O livro foi publicado em Portugal com o título "Vício Intrínseco" e tem a seguinte sinopse (via Bertrand): «Em parte noir, em parte farsa psicadélica, protagonizado por Doc Sportello (Phoenix), detective privado, que de vez em quando se ergue de uma névoa de marijuana para assistir ao fim de uma era.
  Há já algum tempo que Doc Sportello não vê a ex-namorada. Mas um dia ela aparece com uma história acerca de um plano para raptar o milionário por quem por acaso se apaixonou. Esta ponta solta dos anos sessenta em Los Angeles é o mote para o livro, mas Doc sabe que o «amor» não passa de mais uma palavra que anda na moda, como trip ou «curte». Mais um livro inesquecível de um dos escritores mais influentes da actualidade».

- Foram divulgadas três imagens promocionais de "Fifty Shades of Grey" centradas individualmente em Mia Grey (Rita Ora), Grace Trevelyan Grey (Marcia Gay Harden) e Carrick Grey (Andrew Airlie). O filme é realizado por Sam Taylor-Johnson. O argumento inicial foi escrito por Kelly Marcel ("Terra Nova"), tendo posteriormente sido alvo de alterações de Patrick Marber ("Closer") e Mark Bomback ("The Wolverine," "Live Free Or Die Hard," the "Total Recall", "Race To Witch Mountain). O filme conta no elenco com Luke Grimes ("True Blood"), Jamie Dornan ("The Fall"), Jennifer Ehle ("The Ides of March"), Dakota Johnson ("The Social Network"), entre outros.
"Fifty Shades of Grey" foi escrito por E.L. James. O livro foi publicado em Portugal com o título "Cinquenta Sombras de Grey". Sinopse (via Bertrand): Anastasia Steele é uma estudante de literatura jovem e inexperiente. Christian Grey é o temido e carismático presidente de uma poderosa corporação internacional. O destino levará Anastasia a entrevistá-lo. No ambiente sofisticado e luxuoso de um arranha-céus, ela descobre-se estranhamente atraída por aquele homem enigmático, cuja beleza corta a respiração. Voltarão a encontrar-se dias mais tarde, por acaso ou talvez não. O implacável homem de negócios revela-se incapaz de resistir ao discreto charme da estudante. Ele quer desesperadamente possuí-la. Mas apenas se ela aceitar os bizarros termos que ele propõe... Anastasia hesita. Todo aquele poder a assusta - os aviões privados, os carros topo de gama, os guarda-costas... Mas teme ainda mais as peculiares inclinações de Grey, as suas exigências, a obsessão pelo controlo… E uma voracidade sexual que parece não conhecer quaisquer limites. Dividida entre os negros segredos que ele esconde e o seu próprio e irreprimível desejo, Anastasia vacila. Estará pronta para ceder? Para entrar finalmente no Quarto Vermelho da Dor? As Cinquenta Sombras de Grey é o primeiro volume da trilogia de E. L. James que é já o maior fenómeno literário do ano em todos os países onde foi publicado.

 - Foram divulgados dois novos posters de "The SpongeBob Movie: Sponge Out of Water". O filme é realizado por Paul Tibbitt, através do argumento de Jonathan Aibel e Glenn Berger.
O enredo de "The SpongeBob Movie: Sponge Out of Water" acompanha SpongeBob e os seus amigos numa aventura pela superfície, tendo em vista a salvarem o Bikini Bottom.

-  Foi divulgado um novo trailer internacional de "Kingsman: The Secret Service".O filme é realizado por Matthew Vaughn ("X-Men: First Class"), através do argumento do próprio e Jane Goldman. "Kingsman: The Secret Service" conta no elenco com Sophie Cookson ("Moonfleet"), Samuel L. Jackson ("The Avengers"), Taron Egerton (estreante em longas-metragens), Colin Firth ("The King's Speech"), Michael Caine ("The Italian Job"), Sofia Boutella ("StreetDance 2"), Mark Hamill (o Luke Skywalker da saga "Star Wars"), entre outros.

"Kingsman: The Secret Service" adapta ao grande ecrã a minissérie de banda desenhada "The Secret Service", escrita por Mark Millar e desenhada por Dave Gibbons. A minissérie foi criada por Matthew Vaughn ("Kick-Ass") e Millar, após terem visionado "Casino Royale" e terem sentido a falta de cenas que mostrassem o treino do espião. O enredo de "The Secret Service" centra-se num rapaz rebelde do Norte de Londres, que treina para tornar-se num espião ao estilo de James Bond. Firth vai dar vida a Uncle Jack, o "mentor" do protagonista. Egerton interpreta o jovem que treina para ser um agente.



- Já se encontra online um novo poster da adaptação cinematográfica de "Shaun the Sheep". O filme é escrito e realizado por Richard Starzak (aka Golly) e Mark Burton, sendo produzido pelo  StudioCanal e a Aardman Animations.
 Shaun the Sheep surgiu pela primeira vez na curta vencedora de um Oscar, "A Close Shave". A longa metragem é desenvolvida em stop-motion e acompanha as aventuras de Shaun, Bitzer e companhia na cidade, tendo em vista a resgatar o responsável pela quinta, após este ter sido colocado fora da mesma devido aos estragos provocados por Shaun.


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- Em actualização

Os Minions em pleno espírito natalício...


26 novembro 2014

Resenha Crítica: "Dumb and Dumber To" (Doidos à Solta, de Novo)

 Praticamente vinte anos depois da estreia do filme original é caso para nos questionarmos se será mesmo necessária uma continuação de "Dumb and Dumber”. Depois de assistirmos a "Dumb and Dumber To" a resposta a esta questão não pode deixar de ser bastante positiva, sobretudo para quem apreciou minimamente "Dumb and Dumber". Peter e Bobby Farrelly mantêm o mesmo estilo de humor politicamente incorrecto, marcado por grandes doses de loucura e patetice, com os gags a irem do mais elaborado ao mais grosseiro, enquanto Jim Carrey e Jeff Daniels voltam a exibir a dinâmica considerável que têm a interpretar Lloyd Christmas e Harry Dunne. Vinte anos se passaram na nossa vida, na dos actores e na dos personagens, mas estes continuam com a mesma personalidade, embora seja notório o avançar do tempo nos seus rostos. Jim Carrey volta a apostar imenso no seu talento para a pantomina, utilizando o seu corpo e elasticidade ao serviço do humor físico, voltando a improvisar imenso e a ter momentos que variam entre o hilariante e o completamente despropositado. Lloyd pensa que é mais inteligente do que Harry, embora ambos sejam dois idiotas que se envolvem nas mais variadas confusões e mostram a enorme cumplicidade que os une apesar de um ou outro acto menos positivo que cometem para com o seu interlocutor. Jeff Daniels volta a entregar-se de corpo e alma para interpretar Harry, um indivíduo que apresenta uma união aparentemente à prova de tudo com Lloyd. No início de "Dumb and Dumber To" encontramos Lloyd internado num hospital psiquiátrico em estado catatónico devido a não ter conseguido superar o facto de ter sido rejeitado por Mary Swanson (Lauren Holly), uma mulher a quem procurara entregar uma mala que continha o dinheiro do resgate do seu esposo em "Dumb and Dumber". Harry cuida do amigo de forma zelosa, visitando-o todas as Quartas-Feiras, trocando-lhe as fraldas e os sacos com urina, algo que até chega a comover algumas enfermeiras. Lloyd encontra-se num estado lastimável, com uma enorme barba, sem locomover-se, sem falar, parecendo quase um vegetal. É então que Harry revela que se encontra com um grave problema de saúde que o vai levar a ausentar-se e deixar de visitar Lloyd, uma situação que conduz este último a levantar-se de forma enérgica e revelar que foi tudo uma partida. Harry ainda questiona o acto do amigo em gastar os melhores anos da sua vida só para pregar uma partida, mas logo demonstra a sua admiração pelo empenho e esforço de Lloyd para fazer com que uma piada funcione. A amizade, cumplicidade e parvoíce dos dois ficam paradigmaticamente representadas nestes momentos, com Peter e Bobby Farrelly a não nos enganarem e a evidenciarem que as personalidades de Harry e Lloyd mantêm-se e prometem proporcionar-nos alguns momentos completamente non sense (veja-se desde logo quando procuram tirar o cateter de Lloyd de forma pouco ortodoxa). Harry logo revela que necessita do transplante de um rim, uma situação que os conduz a visitarem os pais do personagem interpretado por Jeff Daniels, com este finalmente a descobrir que foi adoptado, enquanto Lloyd se diverte a comparar o sotaque chinês da mãe do amigo com o esquilo de "Caddyshack" (curiosamente Bill Murray é um dos convidados especiais do filme).

 Fica assim colocada de parte a hipótese destes dois elementos poderem ter um rim compatível com o de Harry ou estarem dispostos a testar essa possibilidade. No entanto, os pais adoptivos dão a Harry toda a correspondência dos últimos vinte e poucos anos em que este ficou fora de casa depois de dizer que era gay (para não ter de cortar a relva), na qual o protagonista encontra uma carta de Fraida Felcher (Kathleen Turner) a revelar que se encontrava grávida deste. Harry vai ao encontro de Fraida, embora tanto ele como Lloyd tenham dificuldade em reconhecer a mulher que outrora era desejada por tudo e todos e era conhecida pelas suas habilidades sexuais, com "Dumb and Dumber To" a exibir mais uma vez o seu lado politicamente incorrecto ao colocar a dupla o gozar com um lado possivelmente menos atraente do avançar da idade, apesar de Harry e Lloyd parecerem esquecer-se que o tempo também avançou para ambos. Fraida continua a manter uma agência funerária, tendo revelado que deu a filha para a adopção há cerca de vinte anos, contando apenas com uma carta devolvida com a morada da jovem Fanny. Lloyd e Harry logo partem em busca de Fanny, agora chamada de Penny (Rachel Melvin), uma jovem que conta com o famoso cientista Dr. Pinchelow (Steve Tom) como pai adoptivo e a interesseira Adele Pinchelow (Laurie Holden) como mãe adoptiva. Adele procura eliminar o marido para ficar com a herança e viver com Travis (Rob Riggle), o seu amante, enquanto Harry procura saber se a filha tem um rim compatível com o seu e Lloyd fica encantado com a foto da jovem. Ficamos assim com uma nova road trip da dupla, com a procura da filha de Harry e posteriormente a entrega de um objecto para a mesma a servirem de fio condutor para unir um conjunto de gags que nos vão sendo expostos ao longo do enredo, com o argumento a depender e muito destes momentos de humor e da dinâmica entre Jim Carrey e Jeff Daniels. Essa situação fica desde logo evidente quando se enganam no caminho e vão ter de novo a casa de Fraida, num momento hilariante a fazer recordar quando Lloyd se enganou na estrada a seguir no primeiro filme. Diga-se que muitos dos momentos de "Dumb and Dumber To" parecem ter sido quase que reciclados do primeiro filme, embora nem por isso essa situação tire mérito a esta obra que tanto nos consegue despertar gargalhadas sonoras como logo de seguida um silêncio embaraçoso perante mais uma piada falhada. Pelo caminho, Harry e Lloyd vão ter de lidar com o perigoso amante de Adele, um agente secreto corrupto, uma idosa tarada, cientistas, entre muitos outros, espalhando a confusão pelos diversos cenários por onde passam, com Peter e Bobby Farrelly a aproveitarem esta viagem para criarem um conjunto de momentos marcados por uma enorme loucura, onde não falta algum humor politicamente incorrecto. Não faltam piadas sobre cegos, chineses, mulheres, idosas, sotaques, cientistas, bem como momentos em que os excrementos e os gases são utilizados para o humor, entre muitas outras situações que mantêm de forma praticamente intocável o estilo do primeiro filme. Mais do que gozar com as minorias e os momentos politicamente incorrectos, "Dumb and Dumber To" faz-nos rir da sua dupla de protagonistas completamente chanfrada cujos elementos pensam ser mais inteligentes do que realmente são, algo que nos faz rir dos mesmos. Claro que nem todas as piadas resultam e por vezes o filme cai em exageros embaraçosos, sobretudo no último terço quando Harry e Lloyd se encontram na convenção Ken em El Paso, onde lidam com um diversificado número de cientistas e a parvoíce de ambos é levada a um extremo que não funciona. São momentos dispensáveis, completamente desinspirados, que claramente Peter e Bobby Farrelly poderiam ter cortado que não fariam falta nenhuma (veja-se o momento em que Harry avalia invenções ou quando está com o amigo a berrar no meio da plateia). Temos também momentos hilariantes, tais como o regresso de Billy (Brady Bluhm), a criança cega do primeiro filme a quem Lloyd vendeu um pássaro decapitado, hoje um adulto que colecciona pássaros raros, incluindo um que repete citações de filmes famosos. Escusado será dizer que a coleccção de pássaros não terá o melhor dos destinos, com Peter e Bobby Farrelly a fazerem-nos rir por antecipação por sabermos o que poderá acontecer e na exposição do acto num momento que poderia ser ofensivo mas mais uma vez atesta a idiotice de Lloyd. 

 Não é só Billy que tem novos animais de estimação, também Harry adopta um gato a quem dá o nome de Butthole. Este habita na casa de Harry em Providence, onde o protagonista agora conta com um traficante e fabricante de droga (Bill Murray) como inquilino, cujos produtos de boa qualidade são testados pelo gato que logo decide saltar pelos candeeiros provavelmente a pensar que é o Homem-Aranha. Diga-se que os momentos de comédia de "Dumb and Dumber To" também surgem da capacidade de Peter e Bobby Farrelly em encontrarem o humor nos pequenos pormenores, tais como deixarem Harry e Lloyd a conversarem no centro do plano, enquanto vemos em pano de fundo o gato nas alturas em cima do candeeiro a balançar num movimento pendular. O riso é praticamente garantido, num momento simples, onde "Dumb and Dumber To" demonstra algumas das suas qualidades. No entanto, a maior qualidade de "Dumb and Dumber To" é fazer-nos recordar por que é que Harry Dunne e Lloyd Christmas granjearam uma longa base de fãs e tornaram-se em personagens bastante populares nas carreiras de Jeff Daniels e Jim Carrey. Se este último estivesse numa fase positiva da sua carreira, tal como os irmãos Farrelly, provavelmente não estaríamos agora a escrever sobre "Dumb and Dumber To", mas parece notório que existiu uma procura em emular o estilo do primeiro filme e honrar os personagens, com Jeff Daniels e Jim Carrey a fazerem parecer que o hiato entre a sequela e "Dumb and Dumber" não contou com um período a rondar os vinte anos (não contemos com a prequela sem a presença de Jeff Bridges e Jim Carrey). Quem não apreciou o primeiro filme, provavelmente não é agora que ficará fã de Harry e Lloyd. Quem gostou bastante de "Dumb and Dumber" provavelmente (para não dizer seguramente) voltará a ter alguns momentos de boa disposição com estes personagens, enquanto Harry e Lloyd espalham a confusão. Não faltam berros aos ouvidos de um cego para provar que este não tem os sentidos mais apurados, a mão de Lloyd no interior da vagina de uma idosa, humor num espaço fúnebre, gases mal-cheirosos como método de vingança, fogo de artifício utilizado de forma explosiva, um objecto supostamente valioso transportado de forma negligente e até o regresso temporário do cão-pastor. Temos ainda um conjunto de personagens secundários peculiares que sobressaem, entre os quais Penny, a bela mas pouco inteligente jovem que é filha de Fraida, também ela uma mulher com uma personalidade deveras invulgar. Já a Rob Riggle e Laurie Holden calha ficarem como antagonistas, embora raramente sintamos que existe perigo para os protagonistas, algo que se repete em relação ao primeiro filme. Mesmo o próprio argumento parece apenas uma desculpa para um juntar de gags, com muito a funcionar e muito a falhar, com "Dumb and Dumber To" a estar longe de ser a comédia mais conseguida dos Farrelly, mas também a estar distante de desonrar o primeiro filme. Entre os gags mais elaborados e a completa parvoíce, "Dumb and Dumber To" nem sempre acerta nos momentos de humor mas quando o consegue evidencia de forma paradigmática porque Lloyd Christmas e Harry Dunne continuam a ser tão populares, com Jim Carrey e Jeff Daniels a voltarem a revelar uma enorme dinâmica e capacidade de nos fazerem rir.

Título original: "Dumb and Dumber To". 
Título em Portugal: "Doidos à Solta, de Novo".
Título no Brasil: "Debi & Lóide 2".
Realizadores: Peter Farrelly e Bobby Farrelly.
Argumentistas: Peter Farrelly, Bobby Farrelly, Sean Anders, John Morris, Bennett Yellin, Mike Cerrone.
Elenco: Jim Carrey, Jeff Daniels, Laurie Holden, Kathleen Turner, Rob Riggle, Rachel Melvin.

Notícias - 26 de Novembro de 2014 - Novo trailer de "Cake"; Ridley Scott não vai realizar a sequela de "Blade Runner"; "A Most Violent Year" ganha um novo poster; Três imagens de "Hotel Transylvania 2"; Dois TV Spots de "The Gambler"; Quatro posters de "Kingsman: The Secret Service"; Poster de "Snoopy and Charlie Brown: The Peanuts Movie"; Natalie Portman pode integrar o elenco do filme sobre Steve Jobs; Dois trailers e três posters de "Unfinished Business"

- Foi divulgado um novo trailer de "Cake". O filme é realizado por Daniel Barnz (“Won't Back Down”), através do argumento de Patrick Tobin. "Cake" conta no elenco com Jennifer Aniston, Sam Worthington, Anna Kendrick, Chris Messina, Felicity Huffman, William H. Macy, Britt Robertson, entre outros.

Jennifer Aniston dá vida a Claire, uma mulher que fica fascinada com o suicídio de Nina (Kendrick), uma mulher do seu grupo de apoio. Enquanto procura descobrir os detalhes sobre o suicídio de Nina, Claire acaba por se envolver com o marido desta (Worthington), ao mesmo tempo que confronta a sua tragédia pessoal. Messina vai dar vida ao ex-marido da personagem interpretada por Aniston, enquanto Huffman interpreta a responsável por ajudar os elementos do grupo de apoio. Mana vai interpretar a enfermeira de Claire.


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- Ridley Scott revelou à Variety que não vai realizar a sequela de "Blade Runner". O cineasta confirmou que vai produzir o filme, tendo escrito o argumento ao lado de Hampton Fancher. Scott salientou ainda que Harrison Ford vai estar no elenco do filme, com o personagem interpretado pelo actor a ter um papel de relevo no último terço da narrativa.

- Mel Brooks vai emprestar a sua voz a Vlad em "Hotel Transylvania 2". Para além deste anúncio, foram ainda divulgadas três imagens da sequela de "Hotel Transilvanya". O filme vai ser realizado por Genndy Tartakovsky, através do argumento de Adam Sandler e Robert Smigel. 
"Hotel Transylvania 2" conta no elenco vocal com Adam Sandler, Molly Shannon, Steve Buscemi, Kevin James, Jon Lovitz, Andy Samberg, Fran Drescher, Cee-Lo Green, Selena Gomez, David Spade, entre outros. O enredo acompanha a visita de Vlad à família, algo que promete complicar a vida dos habitantes do Hotel Transylvania. 

- Já se encontram online dois TV Spots do remake de "The Gambler". O filme é realizado por Rupert Wyatt ("Rise of the Planet of the Apes"). O remake de "The Gambler" conta no elenco com John Goodman, Jessica Lange, Brie Larson, Mark Wahlberg, Michael K. Williams e Travis Tope, entre outros.

Lançado originalmente em 1974, "The Gambler" foi realizado por Karel Reisz, através do argumento de James Toback. O enredo do filme fora inspirado na obra "O Jogador" de Fyodor Dostoyevsky, e acompanhava Axel Freed (James Caan), um professor de literatura, de Nova Iorque, cujo vício do jogo leva-o a perder completamente o controlo. Com as constantes dívidas provocadas pelo seu vício, este acaba por ficar nas mãos da máfia, colocando em risco todos os que lhe são próximos. É então, que decide convencer um aluno seu a perder pontos num jogo de basquetebol, para assim poder pagar as dívidas.







- Foram divulgados quatro novos posters de "Kingsman: The Secret Service".O filme é realizado por Matthew Vaughn ("X-Men: First Class"), através do argumento do próprio e Jane Goldman. "Kingsman: The Secret Service" conta no elenco com Sophie Cookson ("Moonfleet"), Samuel L. Jackson ("The Avengers"), Taron Egerton (estreante em longas-metragens), Colin Firth ("The King's Speech"), Michael Caine ("The Italian Job"), Sofia Boutella ("StreetDance 2"), Mark Hamill (o Luke Skywalker da saga "Star Wars"), entre outros.

"Kingsman: The Secret Service" adapta ao grande ecrã a minissérie de banda desenhada "The Secret Service", escrita por Mark Millar e desenhada por Dave Gibbons. A minissérie foi criada por Matthew Vaughn ("Kick-Ass") e Millar, após terem visionado "Casino Royale" e terem sentido a falta de cenas que mostrassem o treino do espião. O enredo de "The Secret Service" centra-se num rapaz rebelde do Norte de Londres, que treina para tornar-se num espião ao estilo de James Bond. Firth vai dar vida a Uncle Jack, o "mentor" do protagonista. Egerton interpreta o jovem que treina para ser um agente.

Foi divulgado um poster de "Snoopy and Charlie Brown: The Peanuts Movie", um filme baseado nos clássicos personagens criados por Charles Schulz. "Peanuts" será realizado por Steve Martino ("Horton Hears a Who"), através do argumento de Craig Schulz, Bryan Schulz e Cornelius Uliano.
O enredo do filme ainda é desconhecido, sabe-se apenas que conta com a presença dos populares Snoopy, Charlie Brown, Lucy e Linus van Pelt, Schroeder, Peppermint Patty, Woodstock, entre outros. "Peanuts" estreia a 6 de Novembro de 2015, uma data comemorativa dos 65 anos das tiras de banda desenhada de Charles Schulz e os 50 anos do especial de Natal "A Charlie Brown Christmas".

- O Dedline noticiou que Natalie Portman encontra-se em negociações para integrar o elenco do filme biográfico sobre Steve Jobs. Não foram revelados detalhes sobre a personagem que a actriz pode interpretar. Vale a pena recordar que Michael Fassbender encontra-se em negociações para interpretar Steve Jobs. O filme vai ser realizado por Danny Boyle. O argumento ficou a cargo de Aaron Sorkin ("The West Wing"), tendo como base o livro "Steve Jobs", escrito por Walter Isaacson. 
 O livro de Walter Isaacson foi lançado originalmente no dia 24 de Outubro de 2011. "Steve Jobs" foi publicado em Portugal pela editora Objectiva e tem a seguinte sinopse (site da Bertrand): Conheça um percurso de vida marcado pelo inconformismo, pelas conquistas, por lançamentos de sucesso e discursos apaixonantes. Deles é feita a história da Apple e de uma figura incontornável no mundo da tecnologia e dos negócios. Seguido por muitos e respeitado por todos, Steve Jobs, hoje uma espécie de segunda designação para o que atualmente reconhecemos como "inovação".
  A única biografia autorizada de Steve Jobs baseia-se em dezenas de entrevistas ao líder da Apple, aos seus familiares, amigos, colegas e até adversários. O resultado é uma história de vida fascinante e intensa, marcada pela personalidade invulgar de um empreendedor criativo, determinado e perfeccionista. Steve Jobs colaborou activamente no processo de criação desta biografia, partilhando experiências até agora nunca reveladas, com uma transparência e sinceridade inesperadas. Porque não temia a verdade, Jobs não impôs quaisquer limites ao biógrafo e aceitou falar de tudo. Igualmente reveladoras são as impressões dos seus amigos, companheiros e colegas, que contribuem para formar a imagem de um homem apaixonado, complexo e genial, nos negócios e na vida. Apoiado no inconformismo e numa vontade férrea, Steve Jobs revolucionou a indústria dos computadores, dos filmes de animação, da música e dos telefones. Transformou o modo como nos relacionamos com a tecnologia e deixou ao mundo um importantíssimo legado de inovação e criatividade.
  As suas criações reflectem a sua personalidade, tão carismática quanto problemática. A sua história de vida, marcada por altos e baixos, conquistas e obstáculos, é extremamente inspiradora, recheada de lições de inovação, liderança, carácter e valores.

- Foram divulgados três teaser posters e dois trailers de "Unfinished Business". O filme é realizado por Ken Scott ("Starbuck"), através do argumento de Steve Conrad e Todd Black.
"Unfinished Business" conta no elenco com Dave Franco, Vince Vaughn, Tom Wilkinson, Sienna Miller, Nick Frost, entre outros. O enredo de "Unfinished Business" centra-se num indivíduo que viaja para a Europa em negócios e acaba por se envolver em profundas confusões no Velho Continente.





- Já se encontra online um novo poster de "A Most Violent Year", um filme realizado por J.C. Chandor ("All is Lost"), através do argumento do próprio. O filme conta no elenco com Oscar Isaac, Jessica Chastain, Albert Brooks, Alfred Molina, entre outros.
 O enredo de "A Most Violent Year" desenrola-se em Nova Iorque, no Inverno de 1981, estatisticamente considerado como um dos anos mais violentos da história da cidade. O filme segue um imigrante (Oscar Isaac) e a sua família, enquanto procuram expandir o seu negócio e capitalizar as oportunidades que lhes surgem, ao mesmo tempo que têm de lidar com a crescente violência e corrupção que ameaçam derrubar tudo aquilo que construíram.

Estreias da semana - 27 de Novembro de 2014

Boa-tarde, caros leitores, e bem-vindos a mais um post das estreias.

Esta semana vamos ter oito novos filmes nas nossas salas, sendo que, desta vez, temos críticas a metade deles.

Passarei, brevemente, a debitar sobre cada um dos filmes que merecem mais destaque da nossa parte.

Realçamos, e recomendamos, antes de mais, a estreia de "Boyhood - Momentos de uma Vida", a nova, ambiciosa, obra escrita e realizada por Richard Linklater, que o Aníbal já viu, e apreciou. Já lhe foi escrita uma crítica, publicada neste nosso espaço, que culmina do seguinte modo: «Richard Linklater incita-nos ainda a seguir a vida dos seus personagens, por vezes de forma quase voyeurista, ao mesmo tempo que nos faz reflectir sobre os mesmos e os seus relacionamentos, sempre com um ritmo fluido que faz com que as suas cerca de duas horas e quarenta minutos passem de rompante. O trabalho de montagem de Sandra Adair também é essencial para o filme funcionar, com tudo a avançar de forma perfeitamente natural, sem avisos do avançar de cada ano, com "Boyhood" a destacar-se por todos os elementos já citados em relação às várias histórias de transição para a idade adulta. Já na trilogia "Before...", Richard Linklater tinha-nos deixado perante a sua dupla de personagens em diferentes períodos de tempo da sua vida e maturidade, mas em "Boyhood" este concentra as alterações do seu protagonista e daqueles que o rodeiam num único filme, num estilo quase documental que parece e quase consegue captar a realidade. Ambicioso, terno, comovente, por vezes com alguns momentos de humor, "Boyhood" é uma longa-metragem fascinante e intensa do ponto de vista emocional, sendo capaz de nos fazer recordar a nossa própria juventude e apresentar a uma história surpreendentemente coesa tendo em conta a forma como a obra foi filmada

O elenco de "Boyhood" conta com Ellar Coltrane, Patricia Arquette, Ethan Hawke e Lorelei Linklater.

O enredo do filme acompanha uma família através do olhar de uma criança. Linklater registou o crescimento do jovem interpretado por Ellar Coltrane ao longo dos últimos 12 anos.

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Recomenda-se igualmente o drama "O Desaparecimento de Eleanor Rigby: Eles", uma obra que conta com uma excelente interpretação de Jessica Chastain, contracenada pelo sempre talentoso James McAvoy. Eu próprio já vi a obra em causa, não é uma obra-prima mas tem valor e entretém, e já lhe escrevi uma crítica que da qual passo a transcrever um excerto: «De facto, apesar de ter uma construção narrativa pouco complexa, o filme em análise alicerça-se na exposição de numerosas cenas intensas, causadoras de impacto. A carga dramática da história dá-lhes credibilidade e os seus atores aproveitam a liberdade de que dispõem para tirar interpretações que, mais do que competentes, conseguem agarrar a atenção do espetador e puxar pelo seu sentimentalismo. Jessica Chastain é sublime ao expor a sensação de perda e em retratar a depressão da sua personagem, causa pena no espetador através dos seus olhares vazios e da sua face soturna, e terá sido tanto pelo seu talento impressionante como pela sua presença que o filme se irá focar mais nela do que no seu co-protagonista; James McAvoy, por seu turno, transmite eficazmente a sua constante solitude e falta de rumo, apresentando, além disso, uma química visível com a personagem de Chastain; Isabelle Huppert não tem muito tempo de ecrã mas demonstra uma classe evidente e William Hurt sobressai pela intensidade que incute a uma das cenas finais; Viola Davis, por fim, retrata com facilidade uma mulher que, mesmo desiludida com a vida, nunca perdeu o sentido de humor, e com quem é fácil simpatizarmos. Ned Benson parece ter a perfeita noção do talento dos seus intérpretes e sabe potenciar os momentos por eles protagonizados. As cenas decorrem maioritariamente em locais escuros e pouco iluminados, e a banda sonora é silenciada na hora certa para que nos concentremos unicamente nas reações das personagens, evidenciadas eficazmente através de close ups

O filme foi escrito e realizado por Ned Benson, um estreante em longas-metragens. "The Disappearance Of Eleanor Rigby" conta no elenco com Jessica Chastain ("Lawless"), James McAvoy ("Welcome to the Punch"), Nina Arianda ("Joplin"), Isabelle Huppert ("Amour"), Viola Davis ("The Help"), William Hurt ("Late Bloomers"), Ciaran Hinds ("The Woman in Black"), Bill Hader ("Superbad"), e Jess Weixler ("Teeth").

O enredo de The Disappearance of Eleanor Rigby" acompanha Conor (McAvoy) e Eleanor (Chastain), um casal de Nova Iorque que vive uma fase complicada na sua relação. O filme explora a história de Conor e Eleanor, enquanto estes procuram recuperar a vida e o amor de outrora.

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Vindo de Itália chega-nos "Viva a Liberdade", uma comédia sobre política que o Aníbal já viu e gostou. Ele próprio escreveu-lhe uma crítica, e eis um excerto da mesma: «Roberto Andò realiza o filme de forma eficaz, não procurando inventar, ao mesmo tempo que procura despertar consciências com sorrisos. Não estaremos nós a precisar de mais espontaneidade no mundo da política? Não estaremos a precisar de mais políticos com discursos francos, abertos e prontos a pensar no povo que os elege? "Viva a Liberdade" utiliza o humor, embora não descure os momentos mais sérios para nos colocar perante o mundo da política, quer nos jogos de bastidores, quer no discurso para o povo, explorando de forma muito viva a situação de Itália, que até pode entroncar com a portuguesa. Não teremos nós neste momento um Governo que conta com alguma contestação, cuja oposição não consegue apresentar alternativas que permitam trazer para junto de si o eleitorado? "Viva a Liberdade" apresenta assim um questionar da política, ainda que de forma leve, sempre com alguma acidez e mordacidade, enquanto dá espaço para Toni Servillo mostrar mais uma vez que é um actor de enorme qualidade

A obra foi realizada por Roberto Andò, e escrita pelo próprio em parceria com Angelo Pasquini.

Toni Servillo, Valerio Mastandrea, Valeria Bruni Tedeschi, Michela Cescon e Anna Bonaiuto compõem o seu elenco.

Sinopse (Sapo): O secretário do principal partido da oposição, Enrico Oliveri, está em crise - as sondagens para as próximas eleições não o favorecem. Uma noite, após um longo debate, Oliveri desaparece sem deixar pistas. O seu assessor, Andrea Bottini, e a sua mulher, Anna, começam a investigar a razão da fuga do secretário. A única solução que encontram para evitar a derrota política é substituí-lo pelo seu irmão gémeo, Giovanni Ernani – acabado de sair de uma clínica psiquiátrica. O secretário reaparece assim, sob a forma de um político poeta, detentor de uma linguagem lúcida, acutilante e supreendente.

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Estreia igualmente o francês "Saint Laurent", uma biopic sobre o estilista Yves Saint Laurent, que também visionei, não a achando particularmente recomendável apesar de ter algumas decisões corajosas. Também lhe escrevi um texto, e eis parte da sua conclusão: «Concluímos por nós próprios que construir uma história com um clímax a meio, seguido de acontecimentos repetitivos e desinteressantes, não faz o mínimo sentido, e ponderamos se as emoções que o realizador quer suscitar nos seus espetadores não devem ser geridas de modo a serem constantes ou progressivamente mais intensas. Infelizmente, Bertrand Bonello não chegou à mesma conclusão – é possível que tenha pensado que meia dúzia de cenas esteticamente eficazes compensariam uma narrativa frouxa e superficial, que não faz mais do que cambalear com muitos passos em falso até um final que só causa indiferença. E por mais que respeitemos a sua coragem para fugir aos convencionalismos dos filmes de género, é difícil deixar de pensar que, nas suas duas horas e meia de duração, “Saint Laurent” não nos leva a lado nenhum e não nos ensina o que quer que seja sobre esta figura incontornável do mundo da moda, a não ser que, no período retratado, gostava de acompanhar o seu álcool com uma boa dose de comprimidos

O filme foi realizado por Bertrand Bonello ("L'Apollonide (Souvenirs de la maison close)"), através do argumento do próprio e de Thomas Bidegain, e conta no elenco com Gaspard Ulliel, Jérémie Renier, Louis Garrel, Léa Seydoux, Amira Casar, Valeria Bruni Tedeschi, Jasmine Trinca, entre outros.

O enredo de "Saint Laurent" é baseado na vida de Yves Saint Laurent. A história vai centrar-se no período compreendido entre os anos 60 e 70.

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Teremos também "O Guia de Ideologia do Depravado", um documentário realizado por Sophie Fiennes (sim, é irmã de Ralph Fiennes), que tem sido bem recebido pela crítica lá fora.

O seu argumento foi escrito por Slavoj Zizek, voltando-se assim a repetir a parceria entre ambos depois de "O Guia de Cinema do Depravado", de 2006.

Sinopse (Sapo): Os criadores de «O Guia de Cinema do Depravado» regressam com «O Guia de Ideologia do Depravado». O filósofo Slavoj Žižek e a cineasta Sophie Fiennes recorrem à sua interpretação de um conjunto de filmes para apresentar uma fascinante viagem cinematográfica ao coração da ideologia – os sonhos que moldam as nossas crenças e as nossas práticas colectivas.





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Para além destas obras vão ainda estrear "Um Verão na Provença", um filme francês protagonizado por Jean Reno; "Jessabelle - A Revolta do Espírito", um thriller de terror norte-americano, e o português "Virados do Avesso", protagonizado por Diogo Morgado, Jorge Corrula e Nicolau Breyner.

Como apagar uma entrevista...

Em 46 entrevistas efectuadas ao longo dos anos nunca tivemos uma reclamação. Mais de dois anos depois da entrevista a Rita Azevedo Gomes sobre "A Vingança de Uma Mulher", a realizadora resolveu salientar com uma arrogância extrema que se sentia envergonhada pela edição da mesma. Depois de termos esperado quase uma hora pela realizadora para efectuarmos a entrevista e da cineasta não ter facilitado a mesma em um único momento (magnífica a forma como se afastava do microfone e magnífico o momento sobre os fantasmas), continuamos a manter o ficheiro de voz mas apagámos a entrevista, a crítica e tudo o que esteja ligado ao filme e ao nome da mesma senhora. Quanto à minha resposta ao email foi a seguinte:

"Cara Rita Azevedo Gomes,

A mim também me envergonha a sua atitude durante boa parte da entrevista que mantenho guardada em ficheiro de voz. No entanto, irei apagar, tal como o texto da crítica ao seu filme para não ter nada ligado a si. Parabéns pelo seu magnífico inglês. Em relação a erros, teria muito mais a apontar aos seus trabalhos.

Em quarenta e seis entrevistas elaboradas é a primeira reclamação. Ainda bem que os erros ficaram todos concentrados nesta entrevista.

Cumprimentos".

25 novembro 2014

Resenha Crítica: "Henry & June" (1990)

 Baseado livremente no livro "Henry and June: From the Unexpurgated Diary of Anaïs Nin", uma obra que reúne material dos diários não publicados de Anaïs Nin, "Henry & June" transporta-nos para uma jornada marcada por enorme erotismo e espírito boémio, onde a literatura e o sexo fazem parte da vida da protagonista em plena Paris dos anos 30. A história começa por nos apresentar a Anaïs Nin (Maria de Medeiros) e ao seu esposo, Hugo (Richard E. Grant), um casal que se mudou recentemente para Paris, apresentando um conjunto de comportamentos distintos. Este é um banqueiro que parece pretender uma vida estável, formando amizade com o escritor Henry Miller (Fred Ward) e Richard Osborn (Kevin Spacey), um argumentista de peças de teatro e actor com enormes teorias da conspiração. Nin é uma escritora que se encontra a desenvolver um trabalho sobre D. H. Lawrence, um escritor que considera de grande relevância, apesar de não lhe ser dado o devido valor. Esta fica estranhamente fascinada com Henry Miller, um autor que apresenta um estilo desinibido a escrever e falar sobre sexo, conta com poucas maneiras à mesa, encontrando-se a elaborar uma obra literária que mais tarde viria a resultar em "Tropic of Cancer". Miller é casado com June (Uma Thurman), uma mulher bissexual que se encontra a viver nos Estados Unidos da América e financia o marido através de um caso com o seu "patrono", habitando na mesma casa que uma amiga que nunca chegamos a ver. Henry é um indivíduo algo calvo, incapaz de compreender as mulheres, que promete apresentar Anaïs a todo um mundo de descobertas sexuais. Inicialmente esta até procura demonstrar algum desprezo a nível exterior, salientando que Henry é um parasita, embora no seu interior considere-o como alguém semelhante a si, emprestando inclusive a sua máquina de escrever para este seguir em frente com os seus intentos literários. Esta é uma mulher de enorme sensibilidade e imaginação, que parece movida pelo desejo sexual e de descoberta, iniciando uma relação extra-matrimonial com Miller, com ambos a parecerem bastante compatíveis, sobretudo a nível sexual (veja-se quando Anaïs salienta que tinha de utilizar vaselina com Hugo, enquanto que o pénis de Henry adequa-se perfeitamente). A chegada de June vem trazer um novo elemento à narrativa, com esta a surgir como uma vamp, capaz de despertar desejo nas mulheres e nos homens, gerando em Anaïs uma enorme curiosidade. Aos poucos desenha-se um triângulo amoroso entre estes personagens, com Anaïs a beijar June antes de iniciar um caso com Henry. June é uma mulher ambiciosa, que tem uma sensual cena de dança com Anaïs que culmina num beijo, enquanto a câmara de filmar gira de forma incessante de forma a exprimir como os sentimentos da protagonista se encontram ao rubro e completamente destravados.

O regresso de June aos Estados Unidos da América para perseguir o desejo de ser actriz não tira esta mulher das memórias dos restantes personagens. Henry Miller escreve no livro uma personagem ficcional baseada em June, tal como Anaïs irá escrever uma obra literária sobre a sua versão da personagem interpretada por Uma Thurman, embora ambos tenham interpretações diferentes sobre a mesma. Diga-se que Anaïs escreve bastante no seu diário, narrando-nos parte do mesmo e deixando o seu marido ler os textos esporadicamente. Hugo volta a envolver-se com a esposa, enquanto esta continua numa descoberta sexual pela zona boémia de Paris. Veja-se quando Hugo e Anaïs visitam um clube nocturno e pagam a duas mulheres para estas terem sexo à sua frente, enquanto a protagonista procura a todo o custo descobrir novas formas de prazer numa obra rodeada de enorme erotismo e sensualidade. A própria cinematografia contribui para esta sensualidade que em certa medida nos fascina numa obra que por vezes parece estender-se em excesso, repetindo ideias em demasia no seu desenvolvimento até chegar finalmente ao seu clímax no último terço. Um desses casos em excesso é a abordagem do curto affair de Anaïs com Eduardo Sanchez (Jean-Philippe Ecoffey), o seu primo, quando esta relação é abordada pela rama e pouco peso tem comparada com os triângulos Henry-Anaïs-Hugo e Henry-Anaïs-June. A própria entrada, saída e regresso de Hugo na narrativa por vezes não parece ser feita de forma homogénea (o personagem interpretado por Richard E. Grant por vezes é mal tratado pelo argumento), numa obra onde Maria de Medeiros tem uma sólida interpretação como Anaïs Nin, embora Uma Thurman roube as atenções quando surge em cena. June é uma mulher que sabe da sua beleza e como utilizá-la para obter os seus intentos, tendo uma personalidade algo misteriosa que é exacerbada pela interpretação de Uma Thurman. Esta consome quase por completo o destaque dos seus colegas de elenco quando se encontra no ecrã como esta mulher que atrai Henry e Anaïs. Não tem problemas em criticar o trabalho do esposo e a visão que este apresenta dela, surgindo como o elemento que verdadeiramente parece despertar a atenção de Anaïs, enquanto esta última parece procurar descobrir-se a si própria. Philip Kaufman não tem problemas em explorar a sexualidade dos seus personagens, com esta a estar muito associada às personalidades das mesmas. Veja-se desde logo o caso de Anaïs, uma escritora que gradualmente se aventura pelos espaços nocturnos de Paris, ao mesmo tempo que a encontramos a soltar os desejos sexuais reprimidos e até a procurar novas experiências que a estimulem. Maria de Medeiros dá o corpo ao manifesto, convencendo-nos da curiosidade da sua personagem em "explorar novos mundos", ao mesmo tempo que dá a Anaïs uma certa classe que rodeia toda a obra, com as cenas de cariz sexual a nunca atingirem a vulgaridade. Nesse sentido, a realização de Philip Kaufman contribui para criar toda uma sensualidade em volta de uma obra que procura ainda capturar o tom da época, seja nos comportamentos, seja no guarda-roupa, seja na representação do mundo boémio, seja nos eventos que decorrem no exterior de Paris, seja nos carros, seja na decoração do interior das casas.

Existem alguns anacronismos e liberdades históricas à mistura, mas nem por isso deixamos de ser compelidos para o interior desta história de ficção sobre elementos que foram bem reais. O próprio envolvimento de Henry Miller com Anaïs Nin aconteceu mesmo, com "Henry & June" a procurar explorar a estranha relação de admiração que desenvolveram um pelo outro e o gosto que tinham pela literatura e o sexo. O processo de fruição criativa também é exposto, embora Philip Kaufman pareça sempre dar mais destaque aos relacionamentos sentimentais e sexuais dos seus personagens do que às suas vidas laborais (fica sempre a faltar algo para demonstrar o que tornou Henry Miller num escritor reconhecido), apesar das experiências que vivem contribuírem e muito para os seus escritos. Fred Ward é talvez dos elementos em maior destaque ao longo do filme, com o personagem que interpreta a procurar terminar o seu livro, enquanto se envolve numa intensa relação carnal com Anaïs. Veja-se quando "a possui" no interior do clube nocturno, mas também num espaço aberto citadino, procurando expor esta mulher a novas sensações, ao mesmo tempo que ele próprio aproveita estes intensos momentos. Este é o elemento sem eira nem beira, completamente falido e por vezes até algo embrutecido que contrasta com a aparente delicadeza de Anaïs, uma mulher aparentemente frágil que vive acompanhada por algum requinte. Ao longo do filme, Miller encontra-se no meio de duas mulheres com personalidades peculiares. Anaïs apoia-o. June não tem problema em arrasá-lo. Ambas fazem parte da vida de Henry e a marca que deixam na mesma é exposta de forma paradigmática ao longo do filme. Diga-se que Anaïs e June também vão deixar marca uma na outra. O filme tem um momento poderosíssimo quando as personagens interpretadas por Uma Thurman e Maria de Medeiros se encontram na cama, num momento de maior tensão sexual que logo se desvia para ressentimento, onde desejos e mentiras antigas são expostos. A cinematografia contribui e muito para adensar esta atmosfera marcada por algum erotismo do filme, seja nos momentos de maior intimidade nos quartos onde a luz dá um tom intimista, seja no clube nocturno recheado de cor e uma profusão de sentimentos. Embora por vezes Philip Kaufman se pareça perder em demasia perante os devaneios sexuais dos seus personagens, nem por isso "Henry & June" deixa de causar um efeito quase hipnótico junto do espectador, apresentando uma sensualidade e erotismo latentes, ao mesmo tempo que nos apresenta de forma romanceada a este triângulo amoroso formado por Anaïs Nin, Henry e June Miller.

Título original: "Henry & June". 
Título em Portugal: "Henry e June".
Realizador: Philip Kaufman.
Argumento: Philip Kaufman e Rose Kaufman.
Elenco: Fred Ward, Uma Thurman, Richard E. Grant, Maria de Medeiros, Kevin Spacey.