30 setembro 2014

Resenha Crítica: "Au Bonheur des Ogres" (O Bode Expiatório)

 Benjamin Malaussène (Raphaël Personnaz) é um indivíduo algo bizarro, por vezes meio alienado da sociedade, que vive na sua casa com os seus dois irmãos e as suas duas irmãs mais novas em "Au Bonheur des Ogres", a segunda longa-metragem realizada por Nicolas Bary. O quotidiano de Benjamin é algo caótico, tendo um trabalho meio humilhante como bode expiatório de forma a poder sustentar o seu lar. No papel este é o controlador técnico do Au Bonheur Parisien, um grande estabelecimento comercial, enquanto na realidade é um bode expiatório que procura fazer com que os clientes tenham pena de si de forma a não prestarem reclamações. O chefe finge que o humilha, este finge que se encontra bastante culpado, enquanto os clientes ficam constrangidos ao ponto de não apresentarem a dita reclamação. É um trabalho pouco gratificante e ilegal que este procura esconder dos seus familiares, tendo na sua imaginação o palco primordial para escapar a esta realidade quotidiana contando histórias ao seu irmão mais novo que envolvem aventuras no espaço do seu trabalho e a presença de uma girafa gigante. Interpretado por Mathis Bour, o mais jovem dos irmãos de Benjamin, apresenta uma enorme curiosidade e utiliza um aparelho devido à surdez, algo que proporciona alguns gags relativamente divertidos, sobretudo quando os restantes personagens pretendem esconder palavrões. Jeremy (Adrien Ferran) é um pouco mais velho que o seu irmão com problemas de audição, aparentando estar entre o primeiro e o segundo ciclo de escolaridade, não tendo problemas em lançar palavrões e fazer experiências menos próprias para fabricar bombas caseiras. Thérèse (Armande Boulanger) é uma jovem adolescente que acredita conseguir ler o futuro nas cartas de tarot, vendo várias mortes no futuro do irmão. Nesta casa habita ainda Louna (Mélanie Bernier), uma jovem adulta que se encontra grávida. Benjamin sustenta esta gente toda devido à sua mãe estar constantemente ausente, coleccionando filhos de diferentes pais, embora nem por isso deixe de procurar novos amantes. No entanto, a vida deste indivíduo que anda quase sempre com a companhia do seu simpático cão muda por completo quando lhe pedem para mexer no interruptor de um letreiro eléctrico e é provocada uma explosão que causa a morte de um dos funcionários. Inicialmente este caso é visto como um acidente, embora a possibilidade de um atentado não esteja colocada de lado, com Benjamin a ser considerado um dos principais suspeitos. Benjamin é inicialmente interrogado pelo Inspector Carrega (Thierry Neuvic) e Coudrier (Marius Yelolo), tendo ainda de lidar com uma inspectora (Alice Pol) ligada à protecção de menores que ameaça levar as crianças para fora da sua casa devido à confusão que grassa na mesma. O protagonista ainda volta ao local de trabalho, onde se depara com uma mulher (Bérénice Bejo) que parece estar a furtar produtos, mas logo descobrimos ser uma jornalista que se encontra a investigar sobre lojas que utilizam de forma abusiva as câmaras de segurança nos locais onde os clientes experimentam as roupas. Sem saber quem esta é, Benjamin logo tenta salvar a mulher de ser apanhada pelo segurança (e cair nas boas graças da mesma), apesar de se aproximarem mais problemas. Ao colocar o seu cartão para abrir a sala de vigilância para exibir o que os vigilantes observam, ocorre mais uma explosão, com Benjamin a ser visto como o principal culpado do assassinato do funcionário, curiosamente mais um veterano do local que se encontrava prestes a reformar-se.

 Benjamin e Julia saem do local e iniciam um caso de forma algo extemporânea, que não começa a correr da melhor maneira, embora esta venha a ter um papel fulcral na exposição da profissão ilegal do protagonista, bem como na revelação do assassino. O personagem interpretado por Raphaël Personnaz tem como um dos seus maiores amigos Stojil (Emir Kusturica), um segurança nocturno que vive atormentado pelos erros do passado, tendo desaparecido três crianças quando este se encontrava a fazer vigilância, há vários anos atrás, um caso que pode ter ligação com os atentados do presente. Enquanto isso, Sainclair (Guillaume de Tonquedec), o director do Au Bonheur Parisien, procura dar entrevistas e expor a "boa saúde" do seu estabelecimento, apesar de guardar alguns segredos por revelar. Este é o herdeiro do Au Bonheur Parisien, um negócio gerido pelo seu pai durante largos anos, contando no espaço com vários funcionários contratados pelo falecido. As mortes no estabelecimento não se vão ficar pelos dois elementos citados, ao longo de um filme para toda a família marcado por algum mistério, humor, fantasia e romance. Nem tudo funciona, mas também são muitos os momentos de bom humor do filme, que nos conquista não só pela sua simplicidade e na forma como nos apresenta as peculiares relações dos personagens, mas também pela forma fantasiosa com que nos expõe a cidade de Paris. É filme sem grandes pretensões e não nos engana nos seus objectivos, surpreendendo pela dinâmica de Benjamin com as irmãs e os irmãos, bem como estes últimos entre si, mas também a química do protagonista com a jornalista interpretada por Bejo, com estes dois a serem dos personagens em maior destaque. Raphaël Personnaz destaca-se como Benjamin, um personagem que conta com uma profissão humilhante, mas nem por isso perde o sentido de humor, procurando sustentar e unir a família como pode. Este é a peça principal da unidade familiar, o cimento que reúne todas as diferenças desta peculiar família, onde não faltam jovens com tendências bombistas, uma grávida, uma vidente e um jovem um pouco surdo mas bastante curioso. Benjamin não tem problemas em utilizar um pijama azul bebé com uns cães, envolver-se em situações rocambolescas, acabando por inesperadamente conquistar a "Tia Julia", com Raphäel Personnaz a conseguir credibilizar algumas destas situações completamente caricatas. Julia é uma jornalista intrépida, pronta a investigar casos complicados e a coleccionar casos amorosos que é rapidamente integrada junto dos Malaussène, ou melhor, são estes que se integram na sua vida. Muito do que resulta ao longo do filme é a capacidade do realizador Nicolas Bary em conseguir atribuir alguma coesão a estes relacionamentos, mas também algum humor. Veja-se os momentos de maior intimidade entre Benjamin e Julia, a relação caótica entre os irmãos mais novos do “bode expiatório”, os gags com a surdez do jovem elemento dos Malaussène, para além das próprias situações inerentes ao trabalho do protagonista. O estabelecimento comercial onde Benjamin trabalha é o caso paradigmático do trabalho meritório a nível de design dos cenários interiores, com os vários departamentos a terem sido elaborados de propósito para o filme, com Nicolas Barry a evitar a preguiça do CGI e a fazer-nos sentir que estávamos perante um verdadeiro espaço comercial, habitado por diversos funcionários e clientes, embora muitas das situações que por lá ocorram sejam devidamente exageradas ao serviço da narrativa.

 Se o Au Bonheur Parisien é marcado por enorme cuidado na sua decoração, já o cenário exterior parece saído de outros tempos, com a paleta cromática a contribuir para a exposição de uma Paris que tanto tem de real mas ao mesmo tempo de fantasiosa, onde uma girafa pode surgir num estabelecimento comercial e um atentado ocorrer no mesmo local. Nicolas Bary nem sempre consegue conciliar a vertente mais séria e cómica do filme, algo paradigmaticamente representado quando estamos perante uma explosão e morte em simultâneo com uma cena romântica, com o cineasta a procurar conciliar o irreconciliável, embora este momento até contribua para o tom meio surreal do filme. É uma comédia para quase toda a família, onde os perigos para o protagonista parecem ser mínimos e raramente acreditamos que a sua vida ou inocência esteja em causa, com Nicolas Bary a dar-nos praticamente tudo o que esperamos. Isso não implica que não tenhamos alguns bons momentos a ver o filme, bem pelo contrário, com este a conseguir despertar alguns risos, fazer-nos apreciar a dupla formada por Benjamin e Júlia, embora o enredo não sustenha o fôlego devido à sua excessiva previsibilidade. A própria investigação policial desenvolvida pelos agentes da polícia raramente é levada a sério ou revela-se capaz de despertar totalmente o nosso interesse, mesmo as explosões não envolvem uma violência capaz de nos chocar (embora surjam imbuídas de um delicioso humor negro), para além de nunca duvidarmos da inocência de Benjamin, com tudo a parecer ter sido feito para conseguir agradar a adultos e crianças. O resultado final é previsível e algo desequilibrado, mas os actores conseguem elevar esta adaptação cinematográfica do primeiro volume da saga literária dos Malaussène, criada por Daniel Pennac. A saga conta com seis livros, com o filme a adaptar o primeiro volume da mesma, uma obra literária que foi um sucesso de vendas em França, conseguindo gerar um enorme apelo junto do público de todas as idades, algo que Nicolas Bary procura recuperar na película. Nesse sentido consegue ter algum sucesso, com "Au Bonheur des Ogres" a ser marcada por uma procura de chegar a vários tipos de públicos, conciliando a própria complexidade da vida do protagonista: liderar os irmãos e irmãs mais novas embora por vezes seja tão infantil como estes, iniciar um romance com uma intrépida e fogosa jornalista e procurar provar a sua inocência no meio de vários atentados. Ou seja ficamos perante romance, humor, acção, mistério, onde o real e o irreal se juntam e o protagonista vive uma série de peripécias num curto espaço de tempo. Se Raphaël Personnaz sobressai pela positiva como Benjamin, já Guillaume de Tonquédec surge demasiado em modo cliché e caricatural, interpretando o herdeiro do espaço comercial, um negócio gerido com sucesso durante anos pelo seu pai. O seu personagem pouco se parece preocupar com o local, tendo no protagonista o "bode expiatório" perfeito para os erros nos diversos sectores da loja.

 O filme conta ainda com alguns actores secundários de relevo, tais como Emir Kusturica, com o actor e cineasta a regressar às lides da representação para interpretar um homem atormentado pelo passado. A sua relação de amizade com o protagonista nem sempre é bem explorada (e os flashbacks para explicarem a sua história parecem completamente desnecessários, repetindo aquilo que depois é exposto no presente e pelos diálogos), mas nem por isso Kusturica deixa de criar um personagem algo soturno mas capaz de gerar algum interesse e simpatia. O elenco mais jovem também consegue cumprir naquilo que se pede, convencendo como um núcleo familiar, numa obra na qual ainda não podemos deixar de destacar o guarda-roupa. A certa altura do filme encontramos Benjamin a receber os dois polícias vestido com um pijama azul bebé decorado com cães. Numas simples vestes de dormir fica bem expresso o carácter despreocupado, algo infantil e sonhador do protagonista, um indivíduo cuja inocência é colocada em causa por alguns personagens. Por sua vez, Julia surge vestida com roupas práticas que não deixam de evidenciar a sua beleza, feminilidade e forte personalidade, com a Bérénice Bejo a claramente elevar uma personagem relativamente simples, atribuindo uma enorme dinâmica e expressividade a esta ruiva, algo que até contrasta com a passividade do protagonista. A relação entre Benjamin e a "Tia Julia" é relativamente esperada, mas nem por isso deixamos de gostar de os ver juntos no meio destes caóticos e belos cenários parisienses. Regressando ao trabalho dos cenários interiores, vale ainda a pena destacar as casas destes dois personagens. A casa de Benjamin completamente desarrumada e cheia de tralha. A habitação de Julia com fotografias das conquistas desta com flores na mão, apresentando uma organização que até espelha bem o pouco tempo que passa em casa e a sua vida de solteira. Com uma banda sonora adequada ao tom por vezes fantasioso do filme, um conjunto de cenários interiores elaborados com primor e um protagonista capaz de despertar a nossa atenção, "Au Bonheur des Ogres" raramente nos surpreende mas nem por isso nos aborrece, surgindo como um filme marcado por algum humor, fantasia, tensão e romance, onde por vezes imaginamos o que poderia ter resultado desta obra se o cineasta tivesse corrido mais riscos (ou se tivesse sido realizado por Jean-Pierre Jeunet, uma clara fonte de inspiração de Bary, ou um Michel Gondry nos seus momentos mais inspirados). Nicolas Bary prefere não arriscar e realiza uma obra agradável, bem intencionada, com alguns desequilíbrios a nível do argumento (a resolução do caso parece "colada com cuspo" e as constantes explicações dadas pelos personagens são alguns exemplos), mas capaz de proporcionar alguns momentos de escapismo e de não dar o nosso tempo por perdido, embora o cineasta tivesse material para nos dar ainda muito mais do que aquilo que nos conseguiu oferecer.

Título original: "Au Bonheur des Ogres". 
Título em Portugal: "O Bode Expiatório".
Realizador: Nicolas Bary.
Argumento:  Jérôme Fansten, Nicolas Bary, Serge Frydman.
Elenco: Raphaël Personnaz, Bérénice Bejo, Emir Kusturica, Guillaume de Tonquedec, Mélanie Bernier.

Notícias - 30 de Setembro de 2014 - Trailer de "Inherent Vice", David Fincher vai realizar a primeira temporada de "Utopia", Tommy Wirkola não vai realizar a sequela de "Hansel & Grettel: Witch Hunters", Stephen Chbosky vai escrever o novo argumento de "The Beauty and the Beast", Trailer de "Taken 3"

- David Fincher vai voltar a colaborar com Gillian Flynn, a argumentista do recomendável "Gone Girl". O cineasta confirmou ao The Guardian que vai realizar todos os episódios da primeira temporada de "Utopia" para a HBO: “I like the world of it (...) I like the characters – I love Dennis’s [Kelly, creator of the UK show] honesty and affinity for the nerds. I mean, I’ve always been a bit of a junior conspiracy theorist cos I don’t have time to connect them all! But it’s nice to see that somebody has". A série centra-se num grupo de fãs de uma graphic novel underground. Estes descobrem que o autor escreveu uma sequela em segredo, algo que os conduz a iniciarem uma busca para encontrarem o manuscrito. "Utopia" vai ocupar boa parte da agenda do realizador em 2015. 

- Tommy Wirkola confirmou ao Fangoria que não vai realizar a sequela de "Hansel & Grettel: Witch Hunters". Wirkola mantém-se envolvido na sequela do filme, tendo escrito o argumento da mesma. O realizador salientou que neste momento pretende realizar algo de diferente. A produção ainda não conta com um cronograma definido.

- Foi divulgado o trailer de "Inherent Vice", o novo filme do realizador Paul Thomas Anderson. A imagem centra-se nos personagens interpretados por Joaquin Phoenix e Benicio Del Toro. O filme vai estrear a 12 de Dezembro de 2014 nos EUA. "Inherent Vice" conta com um elenco de luxo onde constam nomes como Joaquin Phoenix, Josh Brolin, Martin Short, Jena Malone, Reese Witherspoon, Owen Wilson, Benicio Del Toro, Maya Rudolph, entre outros.

O argumento do filme é escrito por Paul Thomas Anderson, sendo baseado no livro Inherent Vice, de Thomas Pynchon. O livro foi publicado em Portugal com o título "Vício Intrínseco" e tem a seguinte sinopse (via Bertrand): «Em parte noir, em parte farsa psicadélica, protagonizado por Doc Sportello (Phoenix), detective privado, que de vez em quando se ergue de uma névoa de marijuana para assistir ao fim de uma era.
Há já algum tempo que Doc Sportello não vê a ex-namorada. Mas um dia ela aparece com uma história acerca de um plano para raptar o milionário por quem por acaso se apaixonou. Esta ponta solta dos anos sessenta em Los Angeles é o mote para o livro, mas Doc sabe que o «amor» não passa de mais uma palavra que anda na moda, como trip ou «curte». Mais um livro inesquecível de um dos escritores mais influentes da actualidade».





- A Entertainment Weekly noticiou que Stephen Chbosky ("The Perks of Being a Wallflower") vai escrever a nova versão do argumento da adaptação de "A Bela e o Monstro" ("Beauty and the Beast"). O argumento inicial esteve a cargo de Evan Spiliotopoulos ("Hercules"). O filme vai ser realizado por Bill Condon ("The Twilight Saga: Breaking Dawn"). A produção está a cargo da Disney. O enredo do filme ainda não é conhecido. A história deve ser livremente inspirada no conto "La Belle et la La Bête" de Gabrielle-Suzanne Barbot. O conto já foi adaptado várias vezes ao grande ecrã e a peças de teatro. As versões cinematográficas mais conhecidas do conto são "La Belle et la bête" de Jean Cocteau e "Beauty and the Beast" da Disney. A nova adaptação do filme vai ser com actores reais. Vale a pena recordar que estreou recentemente em França. A produção ainda não conta com um cronograma definido

- Foi divulgado um teaser poster de "Inherent Vice":

-  Foi divulgado um trailer legendado em português de "Taken 3".

 O filme é realizado por Olivier Megaton, através do argumento de Robert Mark Kamen e Luc Besson. "Taken 3" conta no elenco com Liam Neeson, Famke Janssen, Maggie Grace, Forest Whitaker, entre outros. Em "Taken 3", Bryan Mills torna-se a presa após ter sido acusado de eliminar alguém próximo da sua pessoa.



-  Foi divulgado um novo trailer internacional de "John Wick", um filme protagonizado por Keanu Reeves. O filme é realizado por David Leitch e Chad Stahelski, através do argumento de Derek Kolstad. Reeves interpreta um assassino que regressa ao activo.



-  - Foi divulgado um novo trecho de "Dracula Untold". O filme conta no elenco com Samantha Barks, Thor Kristjansson, Art Parkinson, Charlie Cox, Dominic Cooper, Sarah Gadon e Luke Evans. "Dracula Untold" é realizado por Gary Shore ("The Draft"), através do argumento de Matt Sazama e Burk Sharpless ("Missile Command", "Flash Gordon").

O enredo de "Dracula Untold" desenrola-se na Transilvânia e explora as origens do Conde Drácula (Evans), mesclando a mitologia vampírica com elementos da história do Principe Vlad, o Empalador. Barks vai dar vida a uma bela mulher da Europa do Leste, que se transforma numa bruxa.  Kristjansson vai interpretar Bright Eyes, um indivíduo que é tomado como escravo durante a infância e agora é um assassino ao serviço do Império Otomano. Parkinson interpretará Ingeras, o filho do Dracula.



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- Post em actualização ao longo do dia.

29 setembro 2014

Resenha Crítica: "Gone Girl" (Em Parte Incerta)

 Deliciosamente negro e violento, "Gone Girl" surge como aquele que é até ao momento um dos melhores filmes sobre relações conjugais do ano, com David Fincher a aproveitar para colocar em evidência as dicotomias entre o ser e o parecer nos casamentos com uma mordacidade sublime. A banda sonora de Trent Reznor e Atticus Ross bombeia os acontecimentos da narrativa, conseguindo exacerbar os momentos da maior tensão ou de dramatismo, enquanto David Fincher nos apresenta a Nick (Ben Affleck) e Amy Dunne (Rosamund Pike), um casal cujos relatos que nos transmitem das suas vidas são tudo menos confiáveis. Na vida de um casal existe sempre os dois lados da história. No caso de "Gone Girl" existem dois lados, mais a verdade que esse casal não nos conta e as interpretações que tiramos dessa realidade que David Fincher nos exibe. David Dunne é um homem aparentemente afável, quase sempre sorridente, um jornalista/escritor desempregado que conhecemos no dia que se prepara para comemorar o quinto aniversário de casamento. Este tem um bar chamado "The Bar" com a sua irmã Margo (Carrie Coon), uma pedra basilar da sua existência, passando por este estabelecimento regularmente. Quando sai do bar da irmã, Nick chega a casa e encontra a mesa partida e a esposa desaparecida, contactando imediatamente a polícia, que surge representada através da Detective Rhonda (Kim Dickens) e o Detective Jim Gilpin (Patrick Fugit), com este último a apresentar uma atitude bem menos favorável em relação a Nick. O caso começa a ganhar maiores repercussões quando a polícia decide marcar uma conferência de imprensa, onde constam Nick e os pais de Amy, Marybeth (Lisa Banes) e Rand Elliott (David Clennon), algo que facilmente transforma este caso num circo mediático e o protagonista no principal suspeito pelo desaparecimento da esposa. Nick fala de forma algo fria sobre a personalidade da esposa nos relatos feitos à polícia, apresentando algum desconhecimento sobre a mesma e salientando que esta não tem amigos, apesar de não revelar tudo sobre os problemas que os afectavam. As suas atitudes exteriores, incluindo com a imprensa indicam que este ama a esposa, mas será que este sentimento é verdadeiro? Por sua vez, estas cenas no presente surgem alternadas com Amy a apresentar-nos a sua versão da história, através do diário que escreve, durante os flashbacks, onde muitas das vezes temos a voz doce de Rosamund Pike a dar-nos uma visão distinta da sua personalidade e dos acontecimentos do que aquela que Nick apresentara. Esta apresenta-nos ao primeiro encontro entre ambos, onde parecem querer conquistar-se mutuamente, colocando-nos perante a felicidade dos primeiros anos, bem como ao corrente da vida sexual activa destes dois elementos. A própria cinematografia (trabalho exímio de Jeff Cronenweth) parece apresentar toda uma paleta cromática pronta a dar um ar mais de fábula a este casal (veja-se o beijo na "nuvem de açúcar), pelo menos até estes se mudarem de Nova Iorque para Missouri, devido a uma doença terminal da mãe de Nick. Se Nick apresentava a sua esposa como alguém com poucos amigos, já Amy exibe-o como uma pessoa que gradualmente entra numa espiral descendente, após um período inicial de aparente felicidade, enquanto ficamos perante os relatos de cada um e não sabemos em quem confiar.

David Fincher joga com as nossas percepções em relação aos personagens, conseguindo que desconfiemos dos dois, embora Nick inicialmente pareça culpado em relação ao desaparecimento de Amy. Enquanto isso, a investigação policial continua, com o jogo de caça ao tesouro efectuado por Amy, em cada dia de aniversário do casamento, a deixar um conjunto de provas que podem incriminar Nick, sobretudo quando o diário desta mulher é descoberto. Esta é a primeira metade da narrativa, a partir daqui David Fincher atomiza muito do que sabemos sobre estes dois personagens e deixa-nos perante um pedaço deliciosamente negro de cinema, capaz de nos fazer sorrir perante as situações e descobertas mais macabras e regozijar perante a interpretação magnífica de Rosamund Pike. Esta tanto consegue surgir como uma mulher doce e aparentemente frágil com a mesma facilidade que nos aparece como uma femme fatale, ou, se preferirem, uma mulher louca e dissimulada, com o seu olhar cândido a contrastar ainda mais com as suas acções e expressões. David Fincher por vezes aposta em colocar os seus personagens a narrarem os acontecimentos que estamos a ver em voiceover, sabendo utilizar esta técnica de forma pertinente ao serviço do enredo, com o trabalho vocal de Pike e Affleck a ser fulcral para as percepções que vamos gerando sobre os personagens, sobretudo na primeira metade. Ben Affleck interpreta um personagem que lhe permite jogar com as suas limitações a nível de interpretação e utilizá-las a seu favor, algo que já tinha acontecido em "Argo", ao mesmo tempo que dá vida a um indivíduo que tanto parece ter de si. Nick Dunne começa por ser bastante querido e adorado pela imprensa, sendo posteriormente arrasado e julgado pelos media, até finalmente tudo voltar a mudar. Também Affleck conseguiu o sucesso inicial, tendo sido alçado quase a "pop star" com a sua relação com Jennifer Lopez em momentos que coincidiram com a entrada numa fase negra da sua carreira (veja "Gigli"), até regressar em grande como realizador. Em "Gone Girl", Nick procura passar pelo escrutínio público, exibindo sorrisos, procurando que gostem da sua pessoa e gerar empatia, algo que provoca ainda mais dúvidas nos media e volta a remeter-nos para o próprio Ben Affleck, um actor aparentemente afável nas entrevistas que dá, embora nem sempre seja devidamente respeitado. Veja-se ainda recentemente todo o burburinho gerado por este vir a interpretar Batman quando Ben Affleck já mostrou que, tendo um argumento coeso e um bom realizador a acompanhá-lo, é capaz de criar personagens com alguma complexidade. Diga-se que David Fincher, tal como fizera em "Zodiac", volta a saber jogar com o papel da imprensa na sociedade do seu tempo. Desta vez não temos a redacção do San Francisco Chronicle e o papel da imprensa escrita e televisiva sobretudo nos anos 60 e 70, mas temos a imprensa em geral, incluindo online, sem grande procura por fontes, pronta a explorar ao mínimo detalhe a vida privada, com o programa de Ellen Abbott (Missi Pyle) a ser o paradigma das limitações do infotainment. Ellen Abbott reúne especialistas, julga Nick em praça pública, procura que o público o considere um criminoso (com as redes sociais a terem um papel de relevo), enquanto a imprensa cria uma versão quase angelical de Amy, mas será que é verdade?

 Não vamos aqui estragar surpresas da narrativa mas David Fincher mostra-se mais uma vez exímio a controlar os ritmos da mesma e a controlar o suspense (as comparações com "Vertigo" não estão a surgir por acaso), destruindo por completo as visões que temos destes personagens ao mesmo tempo que cria um puzzle intrincado e deixa a nu algumas das fragilidades das relações matrimoniais. Nick e Amy criaram figuras idealizadas um do outro que, com o passar do tempo, se foram desfazendo perante a realidade. Ela queria ser a "rapariga fixe" para o agradar, ele queria estar à altura dela, embora ambos estivessem a maquilhar temporariamente as suas personalidades. Como salientou David Fincher em entrevista à Time Out, "I was looking for something I'd never seen before. The book talked about narcissism in a really interesting way—the way we concoct not only an ideal version of ourselves in hopes of seducing a mate, but in hopes of seducing someone who is probably doing the same thing. [Laughs] Gillian was looking at what it is that erodes the foundation of marriage". O resultado final, apesar de todo o humor negro, os episódios mais mórbidos e a acidez de Fincher, não deixa de ser um estudo sobre o que por vezes muito falha numa relação. Não basta um moldar-se ao outro, mas também cada um aceitar as suas personalidades, algo que nem sempre parecia acontecer neste casal. Ou seja, David Fincher acaba por conseguir efectuar um retrato sardónico e satírico das relações contemporâneas, ao mesmo tempo que nos exibe o papel da imprensa para mediatizar casos onde muitas das vezes as provas são dúbias. Nem é preciso irmos para casos desta gravidade, basta abrirmos um jornal desportivo em época de transferências que facilmente percebemos que o rigor jornalístico por vezes apresenta limitações, embora tenhamos excelentes profissionais nesta área. Nesse sentido, deixamos de estar perante a busca incessante pela verdade do personagem interpretado por Jake Gyllenhaal em "Zodiac", para termos elementos dos media que fazem deste caso um espectáculo grandioso, enquanto o público adere em massa qual reality show pronto a exibir a vida animal em directo. Grande parte do mérito de "Gone Girl" também deve ser colocado no argumento de Gillian Flynn, a autora do livro que inspirou o filme, capaz de criar uma história que vale muito mais do que pela reviravolta da sua segunda metade, apresentando várias das qualidades citadas mas também um conjunto de personagens secundários com algum relevo no enredo. Um desses elementos é Tyler Perry como Tanner Bolt, um advogado de defesa carismático que tem recursos como poucos, com o actor a surgir com uma contenção surpreendente neste papel (apesar de uma pitada de humor quando diz ao personagem interpretado por Ben Affleck que este tem de ser menos rígido nas expressões que apresenta, algo que soa a piada a interna). Outro dos casos é Carrie Coon como Margo, a irmã de Nick, uma mulher decidida que não tem problemas em confrontar o irmão, embora o defenda a todo o custo. No entanto, a relação de Margo e Nick com o pai raramente é abordada, com esta subtrama a ficar quase sempre pela rama, algo que poderia e deveria ter sido mais bem explorado. Vale ainda a pena realçar Kim Dickens como Detective Rhonda, uma polícia que parece nutrir alguma simpatia por Nick e acreditar na sua inocência, bem como Neil Patrick Harris como Desi Collings, uma espécie de Clare Quilty (um personagem de relevo de "Lolita"), um indivíduo que sempre foi apaixonado por Amy que vai ter alguma relevância nos acontecimentos do enredo.

 Mais do que a interpretação de Harris sobressair pela positiva, quem mais se destaca é o personagem, com a sua casa de férias a exibir as suas posses financeiras, bem como todo o cuidado na criação dos cenários interiores. Esta casa é marcada pelos luxos, remetendo para a personalidade marcada pelo gosto requintado de Desi, enquanto que a habitação de Nick e Amy é rodeada por alguma frieza que apenas a presença do gato parece dar alguma cor e calor. Já os cenários exteriores do Missouri são exibidos com algum rigor, com o filme a abordar locais menos "turísticos" deste espaço, tais como uma zona marcada por sem-abrigos, bem como temáticas relacionadas com o desemprego no território. Temos ainda o "The Bar", o local onde Nick se refugia, desabafando com a irmã, uma mulher também na casa dos trinta anos de idade. É sempre bom relembrar que Nick se encontra desempregado, tendo apenas o bar e leccionando alguns cursos de escrita criativa, enquanto que Amy já conheceu melhores dias, tendo na personagem de livros infantis, Amazing Amy, o seu melhor feito, embora esta até tenha sido criada pelos seus pais. Ambos são personagens complexos, que facilmente expõem os podres do ideal de casal perfeito, embora Amy ganhe claramente a Nick no capítulo da malícia, com "Gone Girl" a dar a Rosamund Pike a oportunidade de ter um dos grandes papéis femininos das estreias de 2014. A actriz parece quase possuída, com a sua Amy a ser sedutoramente doentia, enquanto David Fincher tem o condão de não julgar os seus personagens. Nem a jornalista de fofocas interpretada por Missi Pyle parece ser condenada pelo cineasta, algo que deixa esse desiderato no espectador. No final, ou pendemos para o lado de Nick ou para o de Amy, mas algo parece certo: a vida dos personagens principais de "Gone Girl" nunca mais será a mesma depois destes acontecimentos. Como salienta Amy a certa altura da narrativa "isto é o casamento". David Fincher apresenta-nos de forma negra e satírica ao lado negro das relações matrimoniais falhadas (existe até algum voyeurismo na forma como este entra "pela casa" do casal e nos deixa perante a sua bizarra realidade), conseguindo pelo caminho puxar por alguns risos, sejam estes nervosos ou apenas pela situação impensável que estamos a ver, onde tudo aparece montado de forma relativamente credível. Temos ainda alguma violência, seja esta física, seja esta a nível psicológico, com David Fincher a não poupar os seus personagens a alguns dissabores, numa obra cuja duração raramente é sentida e o humor surge nos momentos mais inesperados. Se em "Seven" e "Zodiac" a identidade do serial killer foi mantida em segredo durante boa parte da narrativa, já em "Gone Girl" o mistério passa por descobrir as verdadeiras personalidades de Nick e Amy, apesar das certezas em relação às suas pessoas apenas começarem a surgir na segunda metade do enredo, onde ficamos perante um conjunto de reviravoltas surpreendentes. Os flashbacks são utilizados de forma precisa, ao longo de um filme que procura explorar a erosão da relação de um casal, deixando-nos perante um lado mais negro da humanidade, enquanto Fincher se parece divertir a apresentar-nos a este universo narrativo marcado pela imoralidade. "Gone Girl" pode não ser o melhor David Fincher mas é certamente uma das melhores estreias nas salas de cinema portuguesas em 2014.

Título original: "Gone Girl".
Título em Portugal: "Em Parte Incerta". 
Realizador: David Fincher. 
Argumento: Gillian Flynn.
Elenco: Ben Affleck, Rosamund Pike, Neil Patrick Harris, Tyler Perry, Carrie Coon.

Notícias - 29 de Setembro de 2014 - "The Equalizer" lidera a tabela do box office dos EUA, Novo quad de "Nightcrawler", Poster internacional de "Taken 3", Kristen Stewart e Nicholas Hoult na imagem de "Equals", Fotos do set de "Mission: Impossible 5", Imagens dos personagens de "The Hunger Games: Mockingjay - Part 1", Daniel Brühl e Emma Watson protagonizam "Colonia", Novo trailer de "The Loft", Babak Najafi pode realizar "London Has Fallen", Aidan Gillen no elenco de "Maze Runner: Scorch Trials", Terrence Howard no elenco de "Man Down", Novo TV Spot de "Birdman"

 - Denzel Washington e o sentimento anti-Rússia continuam a "vender" nos EUA, algo que certamente terá sido do agrado de Antoine Fuqua. "The Equalizer" obteve o primeiro lugar da tabela do box office dos EUA, tendo alcançado 35 milhões de dólares em 3236 salas de cinema. O filme realizado por Antoine Fuqua conta com um orçamento de 55 milhões de dólares e foi largamente desprezado por esta pessoa. O segundo lugar ficou para o anterior líder, "The Maze Runner". O filme realizado por Wes Ball obteve mais 17,5 milhões de dólares em 3638 salas de cinema, contando com uma receita interna de 58 milhões de dólares (orçamento de 34 milhões de dólares). O terceiro lugar ficou para outro estreante da semana: "The Boxtrolls". O filme de animação obteve 17,2 milhões de dólares em 3464 salas de cinema. De salientar ainda a queda de "A Walk Among the Tombstones" do segundo para o sétimo lugar (o filme teve uma quebra a nível de receitas superior a 66% em relação à sua semana de estreia).

http://boxofficemojo.com/weekend/chart/


- Foi divulgado um quad de "Nightcrawler", um filme realizado pelo estreante Dan Gilroy (argumento de "Real Steel" e "The Bourne Legacy"), através do argumento do próprio.


A produção está a cargo de Gyllenhaal e Tony Gilroy (o irmão de Dan). "Nightcrawler" conta no elenco com Jake Gyllenhaal ("End of Watch"), Rene Russo ("Lethal Weapon"), Bill Paxton ("The Colony"), entre outros. O enredo de "Nightcrawler" centra-se num jovem jornalista que descobre as maravilhas nocturnas de Los Angeles, enquanto se encontra a investigar alguns crimes como jornalista freelancer.

- Dwayne Johnson ("Hercules") confirmou que vai protagonizar a adaptação cinematográfica de "The Janson Directive", um livro escrito por Robert Ludlum. Johnson confirmou ainda que o argumento está a cargo de Akiva Goldsman. O enredo de "The Janson Directive" acompanha Paul Janson, um antigo militar, que agora trabalha como detective privado na agência Consular Operations.


Já se encontra online um poster internacional de "Taken 3". O filme é realizado por Olivier Megaton, através do argumento de Robert Mark Kamen e Luc Besson. "Taken 3" conta no elenco com Liam Neeson, Famke Janssen, Maggie Grace, Forest Whitaker, entre outros. Em "Taken 3", Bryan Mills torna-se a presa após ter sido acusado de eliminar alguém próximo da sua pessoa.


- Foi divulgada uma imagem dos personagens interpretados por Kristen Stewart e Nicholas Hoult em "Equals". O filme conta no elenco com Aurora Perrineau ("Jem"), Guy Pearce ("The Rover"), Kristen Stewart ("On the Road"), Nicholas Hoult ("Warm Bodies"), entre outros. "Equals" é realizado por Drake Doremus ("Like Crazy"), através do argumento de Nathan Parker ("Moon"). O enredo de "Equals" desenrola-se numa sociedade futurista onde as emoções foram erradicadas. Nicholas Hoult e Kristen Stewart interpretam dois elementos que conseguem sentir emoções. Perrineau vai dar vida a Iris, uma mãe cujo filho nasceu a chorar, um sinal de que este pode ter emoções.

Foram divulgadas várias fotos de Rebecca Ferguson e Tom Cruise no set de "Mission: Impossible 5". O filme vai ser realizado por Christopher McQuarrie e conta no elenco com Tom Cruise, Jeremy Renner, Ving Rhames e Simon Pegg.


A Lionsgate encontra-se a divulgar várias imagens dos personagens de "The Hunger Games: Mockingjay - Part 1". O filme é realizado por Francis Lawrence ("The Hunger Games: Catching Fire"). "The Hunger Games: Mockingjay" conta no elenco com Natalie Dormer, Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Philip Seymour Hoffman, Jeffrey Wright, Stanley Tucci, Donald Sutherland, Stef Dawson, Evan Ross, Robert Knepper e Julianne Moore.








  "The Hunger Games: Mockingjay" foi publicado em Portugal com o título: "Os Jogos da Fome - Revolta" e tem a seguinte sinopse (Bertrand): Katniss Everdeen não devia estar viva. Mas, apesar dos planos do Capitólio, a rapariga em chamas sobreviveu e está agora junto de Gale, da mãe e da irmã no Distrito 13. Recuperando pouco a pouco dos ferimentos que sofreu na arena, Katniss procura adaptar-se à nova realidade: Peeta foi capturado pelo Capitólio, o Distrito 12 já não existe e a revolução está prestes a começar. Agora estão todos a contar com Katniss para continuar a desempenhar o seu papel, assumir a responsabilidade por inúmeras vidas e mudar para sempre o destino de Panem - independentemente de tudo aquilo que terá de sacrificar…

- Foi divulgado um novo TV Spot de "Interstellar", um filme realizado por Christopher Nolan ("The Dark Knight Rises"). O argumento original foi escrito por Jonathan Nolan ("The Prestige").O filme conta no elenco com John Lithgow, Ellen Burstyn, Mackenzie Foy, Casey Affleck, Bill Irwin, Jessica Chastain, Anne Hathaway, Matthew McConaughey, Michael Caine, Topher Grace, entre outros. O argumento de "Interstellar" é inspirado nas teorias de Kip S. Thorne, um físico do Instituto de Tecnologia da Califórnia (CalTech), que é especialista na Teoria da Relatividade. O enredo do filme deve acompanhar um grupo de exploradores espaciais, que acaba por ir parar a outra dimensão, através de um wormhole no espaço.



-  Foi divulgado um novo TV Spot de "Birdman", um filme realizado por Alejandro Gonzalez Iñárritu ("Biutiful"), através do argumento do próprio, Armando Bo, Alexander Dinelaris e Nicolas Giacobone. O filme conta no elenco com Edward Norton, Michael Keaton, Emma Stone, Naomi Watts, Zach Galifianakis, Andrea Riseborough, Amy Ryan, entre outros.

 O enredo de "Birdman" acompanha um actor (Keaton) que ficou conhecido por outrora ter interpretado um super-herói icónico (o Homem-Pássaro do título). Este procura montar um musical da Broadway para tentar reconquistar as glórias do passado.



O The Hollywood Reporter noticiou que Aidan Gillen ("Game of Thrones") vai interpretar o vilão Janson em "Maze Runner: Scorch Trials", a sequela de "The Maze Runner". O filme vai ser realizado por Wes Ball, o cineasta responsável pelo primeiro filme da saga. 

- De acordo com o The Wrap, Terrence Howard encontra-se em negociações para juntar-se a Shia LaBeouf, Kate Mara e Gary Oldman no elenco de “Man Down”, um filme que vai ser realizado por Dito Montiel. O argumento está a cargo de Adam Simon (“Synapse”). "Man Down" acompanha um atormentado veterano de guerra que esteve a cumprir serviço no Afeganistão. Este procura lidar com o seu passado e encontrar a sua família num território pós-Apocalíptico dos EUA.

-  O The Hollywood Reporter noticiou que Babak Najafi ("Easy Money II: Hard to Kill") encontra-se em negociações para realizar "London Has Fallen", a desnecessária sequela de "Olympus Has Fallen". "London Has Fallen" vai contar no elenco com Gerard Butler, Aaron Eckhart, Morgan Freeman, entre outros.

- Foi divulgado um novo trailer internacional de "The Loft", um filme realizado por Erik Van Looy, que conta no elenco com Karl Urban, James Marsden, Wentworth Miller, entre outros. "The Loft" é um remake do filme belga homónimo, tendo sido lançado em 2008, e realizado por Erik Van Looy. O remake de "Loft" é dirigido pelo realizador do filme original, e conta com o argumento de Wesley Strick. O filme conta no elenco com Karl Urban, James Marsden, Wentworth Miller, Eric Stonestreet, Matthias Schoenaerts, Isabel Lucas, Rachael Taylor, Rhona Mitra, Valerie Cruz, Margarita Levieva, Kali Rocha, entre outros.  O enredo de "The Loft" centra-se em cinco homens casados que partilham um loft de luxo que utilizam para se encontrarem com as respectivas amantes. Quando o corpo de uma mulher é encontrada no loft, estes homens começam a desconfiar sobre qual o elemento do grupo que cometeu o assassinato, visto que são os únicos com acesso à entrada das instalações. Através de um conjunto de flashbacks, intercalados com cenas do presente, a história é revelada e promete surpreender o espectador.



- O Deadline noticiou que Florian Gallenberger ("Honolulu") vai realizar "Colonia", um filme que vai ser protagonizado por Daniel Brühl e Emma Watson. Estes interpretam um casal que se envolve durante o Golpe Militar no Chile em 1973. O enredo acompanha a procura efectuada por Lena (Watson) para encontrar Daniel (Brühl), o seu namorado, após este ter sido capturado pela polícia secreta de Pinochet e transportado para um local denominado de Colonia Dignidad.

- Foi divulgado um novo poster internacional de "Big Hero 6", um filme realizado por Don Hall e Chris Williams, contando no elenco vocal com TJ Miller, Jamie Chung, Maya Rudolph, Ryan Potter, Genesis Rodriguez, Scott Adsit, entre outros.
A série de comics "Big Hero 6" foi criada por Steven T. Seagle e Duncan Rouleau em 1998, sendo protagonizada por um grupo de super-heróis japoneses. A equipa inicial incluía Silver Samurai, Sunfire, GoGo Tomago, Honey Lemon, Hiro Takachiho and Baymax. O grupo recentemente participou no arco "Ends of the Earth", escrito por Dan Slott para os comics de "The Amazing Spider-Man". O enredo do filme de animação centra-se no prodígio Hiro Hamada e no seu companheiro robótico BayMax, uma dupla que se une aos super-heróis para combater o mal.

- O elenco e a sinopse de "Magic Mike XXL" foram confirmados. O filme vai contar no elenco com os regressos de Channing Tatum, Matt Bomer, Joe Manganiello, Kevin Nash, Adam Rodriguez e Gabriel Iglesias, para além de receber novos elementos como Elizabeth Banks ("The Hunger Games"), Donald Glover ("Community"), Amber Heard ("The Rum Diary"), Andie MacDowell ("Footloose"), Jada Pinkett Smith ("Gotham") e Michael Strahan ("Live with Kelly and Michael"). O filme vai ser realizado por Gregory Jacobs ("Wind Chill"). "Magic Mike XXL" decorre três anos depois de Mike ter abandonado a vida de stripper no topo da sua forma. O filme acompanha os restantes Kings of Tampa, com estes a encontrarem-se prontos a abandonar a actividade de strippers. Estes pretendem dar um último espectáculo em Myrtle Beach, tendo como cabeça de cartaz Magic Mike. Na estrada, a caminho do espectáculo, com paragens em Jacksonville e Savannah estes renovam antigas amizades e fazem novos amigos, enquanto Mike e os seus colegas aprendem alguns novos movimentos.

 -  A Variety noticiou (via Coming Soon) que Keegan-Michael Key ("Key and Peele's") e Regina Hall ("Think Like a Man") vão juntar-se a Ed Helms, Christina Applegate, Chris Hemsworth, Charlie Day, Skyler Gisondo, Steele Stebbins, Chevy Chase e Beverly D'Angelo no elenco do reboot de "Vacation". Hall e Key vão interpretar os líderes de uma família aparentemente perfeita que forma amizade com os Griswold. O filme vai ser realizado por John Francis Daley e Jonathan Goldstein, através do argumento dos próprios. O enredo do novo filme irá desenrolar-se vários anos depois dos eventos do primeiro filme e acompanha Rusty Griswold, um pai de família que decide levar a mulher e os filhos para uma viagem em direcção ao Wally World, antes que este feche para sempre. Chevy Chase deverá regressar para interpretar Clark Griswold, agora um avô.

Resenha Crítica: "Attila Marcel"

 Estreia de Sylvain Chomet na realização de longas-metragens em live action, "Attila Marcel" não se centra no personagem do título, embora este tenha uma influência bastante directa na vida de Paul (Guillaume Gouix), o seu filho e protagonista da obra cinematográfica. Este parece uma figura muito próxima de um pierrot, de olhar triste e algo vazio, que raramente fala ou exprime sentimentos, algo resultante dos traumas da sua infância, na qual assistiu à morte do pai e da mãe. Não se recorda do episódio na totalidade, embora este não seja a causa principal para o seu trauma, mas sim a possibilidade do seu pai poder ter sido um indivíduo violento que agredia a sua mãe, uma situação visível nos pesadelos que tem durante a noite. O seu próprio andar indica uma rigidez e incapacidade de se soltar, com os traumas do passado a reflectirem-se no presente. Vive com as suas tias controladoras, Anna (Hélène Vincent) e Annie (Bernadette Lafont), duas vivazes professoras de dança, ajudando as mesmas nas sessões ao tocar piano. Paul é um exímio pianista, com a larga sala da sua casa a ser ocupada por um piano envelhecido onde este pratica, por vezes por gosto, por vezes quase obrigado pelas tias. Nesse sentido, o acto de tocar piano faz parte da sua enfadonha rotina quotidiana, bem como comprar bolinhos (chouquettes) e ficar sentado no jardim a observar este espaço verdejante marcado por vezes pela presença da Madame Proust (Anne Le Ny), a sua vizinha do quarto andar, uma mulher que toca ukelele e anda quase sempre acompanhada por Mimi, a sua cadela surda, já de idade avançada. Seja em casa ou na rua, Paul pouco fala, deixando recados no quadro da casa quando tem de sair. O passado e as vagas recordações que tem do mesmo atormentam-no, mas será que estas memórias estão certas? Sylvain Chomet aproveita logo o início do filme para apresentar uma citação de Marcel Proust, quase que nos avisando que vai abordar questões relacionadas com o tempo e a memória, algo que cumpre durante o enredo de "Attila Marcel", uma obra na qual a cidade de Paris é apresentada de forma real mas ao mesmo tempo tão fantasiosa, habitada por personagens algo extravagantes ou peculiares, parecendo querer evocar a atmosfera de "Le fabuleux destin d'Amélie Poulain". Chomet também parece querer evocar Jacques Tati e o seu Sr. Hulot (note-se a influência que as obras de Tati e este magnífico actor e realizador tiveram em "L'Illusionniste", um filme de animação realizado por Sylvain Chomet a partir de um argumento que nunca chegou a sair do papel, elaborado por Jacques Tati), embora os personagens apresentem largas distinções, apesar de ambos serem duas figuras pouco comunicativas que parecem ter alguma dificuldade em adaptar-se à sociedade e realidade que os rodeia, com muitos dos risos a serem provocados não tanto pelas suas pessoas, mas pela sua interacção com aqueles que estão à sua volta. Veja-se desde logo a festa de aniversário de Paul, onde este conta com a presença das tias e de alguns amigos destas, bem como várias prendas relacionadas com o piano, desde um aparelho para treinar os dedos, passando por uma maqueta, com o Sr. Coelho a distinguir-se ao oferecer um objecto decorado com um galo de Barcelos (algo representante do facto deste ser descendente de portugueses ou português, embora nunca nos seja esclarecido).

A casa das tias de Paul é marcada pelo enorme piano (um instrumento musical que representa a infância perdida do protagonista), mas também por várias estantes com enciclopédias, quadros, reveladores dos gostos das mesmas. Mesmo na dança são fãs do minuet embora os alunos não apresentem grande interesse (veja-se o fuck minuet na entrada do estabelecimento destas), algo que não impede estas de tentarem impor os seus gostos tal como fazem com Paul. O cuidado a nível dos cenários interiores é notório, com estes a combinarem até com as personalidades dos personagens. O caso do quarto de Paul é paradigmático, guardando diversas fotos da mãe, cortando a parte do pai, apresentando objectos do tempo em que era bebé, uma época que ainda o atormenta. Já a casa de Madame Proust, um apelido muito ligado a Marcel Proust, é marcada pela presença do cão na entrada, mas também por um conjunto de plantações, parecendo ter um jardim no interior da sua casa, com a cinematografia de Antoine Roch a fazer sobressair as tonalidades verdes e coloridas que rodeiam este espaço, onde não falta a presença de um Buda sorridente. Esta vizinha prepara um conjunto de infusões que fariam inveja a qualquer xamã (é subentendido que estamos perante drogas), oferecendo a Paul a possibilidade de se recordar do passado com a ajuda das mesmas e da música. Este reluta mas acaba por aceitar, entrando em transe, e ficamos perante o sonho e a memória, com o protagonista a revisitar o passado e Sylvain Chomet a aproveitar para mesclar de forma exímia algum surrealismo e realismo, conjugando de forma exímia os momentos musicais com os momentos importantes da vida do protagonista e as imagens em movimento. As memórias deste nos anos 70 tornam-se bem reais, por vezes marcadas por muita cor, luz e ilusão (veja-se as cenas da praia), mas também algum negrume, com Paul a procurar saber mais sobre o pai e a mãe. No último terço, tal como Paul percebe que algumas memórias o podem ter atraiçoado, também nós ficamos perante o poder das imagens em movimento e de como estas podem ter diferentes significados consoante os contextos em que são inseridas. Mérito para Sylvain Chomet, mas também para o trabalho de montagem de Simon Jacquet, capaz de nos fazer crescer dúvidas sobre as recordações nos momentos dos sonhos, ao mesmo tempo que somos apresentados a Attila Marcel (Guillaume Gouix) e à sua esposa Anita (Fanny Touron). Este é um indivíduo musculado, com Guillaume Gouix a conseguir convencer-nos da dubiedade deste personagem, um indivíduo aparentemente agressivo, supostamente lutador de wrestling, contrastando com a doçura de Anita. Diga-se que também nos convence como Paul (é notável o duplo trabalho do actor), um personagem algo à parte da sociedade, embora o argumento peque um pouco na forma como tarda em conseguir fazer evoluir o personagem nas cenas do presente. Apesar da sua pouca capacidade de comunicação, Paul nem por isso deixa de formar amizade com a Madame Proust, criando com esta estranha mulher uma peculiar relação. Anne Le Ny é provavelmente um dos maiores destaques do filme, interpretando uma mulher idealista, considerada maluca por muitos mas com um enorme coração, revelando-se uma das personagens mais interessantes e intrigantes de "Attila Marcel".

Madame Proust cultiva legumes e outras ervas no interior da sua casa, tem uma personalidade expansiva, embora padeça de uma doença prolongada, surgindo como uma figura quase maternal para Paul. Já Bernadette Lafont e Hélène Vincent também apresentam o seu espaço de destaque. A primeira provavelmente é bem mais conhecida pelo seu papel extravagante em "Paulette", formando em "Attila Marcel" uma boa dupla com Vincent, proporcionando alguns gags divertidos durante as sessões de dança, onde não apresentam problemas em reclamar com os alunos. Berram, chateiam-se, procuram cuidar de Paul, tendo num sem-abrigo uma figura atenta ao que se passa nas suas aulas, com este a ser alguém relevante no passado do protagonista, embora a sua presença no presente seja algo esquecida a partir do momento em que é efectuada uma descoberta importante. As próprias aulas de dança, inicialmente marcadas por algum humor, por vezes tornam-se repetitivas, parecendo que Sylvain Chomet poderia ter sido mais sagaz e eliminado algumas cenas redundantes que apenas expõem o óbvio. Já os sonhos de Paul contribuem e muito para elevar o nível do filme, mas também explorar de forma meio fantasiosa as questões ligadas com a memória e a psicanálise. Não guardamos nós todos memórias a partir do nosso ponto de vista? Paul poderá não se ter recordado bem de tudo do seu passado, com o filme a efectuar um movimento circular, com o seu final a conjugar-se imenso com os seus momentos iniciais, qual ciclo da vida que se completa, onde assistimos a uma constante procura do personagem em descobrir aquilo que se encontrava oculto nas brumas da sua memória. Temos ainda alguns personagens secundários com algum relevo, tais como o senhor Coelho, um indivíduo invisual que afina o piano de Paul e é cliente das infusões de Proust, para além de Michelle (Kea Kaing), uma violoncelista asiática, filha adoptiva de um amigo das tias do protagonista que se interessa pelo personagem interpretado por Guillaume Gouix. O argumento de Sylvain Chomet é eficaz a permear o enredo de personagens com personalidades bastante próprias, com o cineasta a destacar-se ainda pela elaboração de alguns gags que resultam, tais como o dos animais de estimação embalsamados num consultório médico, a cara de Paul antes de entrar em transe, entre muitos outros. Fantasia, realidade e memória juntam-se em "Attila Marcel", com Sylvain Chomet a realizar uma obra que por vezes se parece estender um pouco em demasia devido às suas redundâncias, mas nem por isso deixa de abordar algumas questões bastante interessantes. A começar pela memória e pela forma como nós guardamos as nossas recordações, passando pela forma como o passado pode influenciar os nossos actos do presente, ao mesmo tempo que ficamos perante um protagonista marcado por um quotidiano aparentemente enfadonho, que gradualmente começa a ganhar alguma emoção com o regresso ao passado, onde memórias coloridas e dolorosas se juntam mas permitem-lhe reconciliar-se com os episódios de outrora e finalmente amadurecer.

O protagonista é interessante, mas também todo o universo narrativo que Sylvain Chomet cria em volta do mesmo, algo visível na representação fantasiosa da cidade de Paris, os cenários interiores decorados com rigor, os personagens secundários com relevo no enredo. Já muito do que funcionava em vários dos filmes realizados por Jacques Tati, tais como "Mon Oncle", "Les Vacances de Monsieur Hulot" resultava da criação de um universo narrativo que permitisse o personagem sobressair diante do mesmo. Em "Attila Marcel", Sylvain Chomet deixa-nos perante um adulto algo desintegrado da sociedade que o rodeia, sem amigos aparentes, mas um enorme talento para o piano, embora os seus sentimentos sejam um enigma e a sua relação com as mulheres algo complicada. Como salienta Sylvain Chomet no press kit do filme "Deep down, the film is the story of Paul’s relationship with women - his mother, his aunts, Madame Proust, with whom he forges a genuinely loving bond and who is a sort of universal woman, and, of course, with Michelle, the young Asian cellist". Esta é uma relação difícil, com as tias a procurarem ter no protagonista um pianista de excepção, esquecendo-se muitas das vezes de procurar compreender a sua personalidade e atitudes. Nesse sentido, a presença de Madame Proust acaba por trazer alguma frescura à narrativa, enquanto Michelle permite a Paul conhecer o seu primeiro amor. A relação entre os dois é típica de alguma da bizarria que envolve o filme, proporcionando alguns risos pelo caminho, ou não fossem estes duas figuras algo solitárias com dificuldades em comunicarem de forma certeira. Os olhos do protagonista são vitais para Paul se expressar, ao longo de uma obra que recupera um pouco a atmosfera de obras de animação do cineasta como “The Triplets of Belleville”, onde os personagens pouco falavam, mas muito se expressavam. Curiosamente, ou talvez não, nesse filme também tínhamos um órfão como um dos personagens principais, bem como uma presença portuguesa, a Madame Souza, a mãe de Champion, uma senhora que não tem problemas em cantar “Uma Casa Portuguesa”, enquanto Sylvain Chomet exibe uma capacidade de criar personagens de idade avançada capazes de criarem interesse, algo que repete em “Attila Marcel”. Vale ainda a pena realçar que título do filme remete para a música homónima presente em ''The Triplets of Belleville'', um dos filmes de animação de Sylvain Chomet, constando em "Attila Marcel". No final, "Attila Marcel" resulta como uma boa estreia de Sylvain Chomet em filmes com actores reais, deixando-nos com alguma curiosidade em relação aos seus próximos trabalhos.

Título original: "Attila Marcel". 
Realizador: Sylvain Chomet.
Argumento: Sylvain Chomet.
Elenco: Guillaume Gouix, Anne Le Ny, Bernadette Lafont, Hélène Vincent, Luis Rego.

26 setembro 2014

A Semana em Revista - 22 a 28 de Setembro de 2014

 Desde o dia 1 de Janeiro de 2014 que o blog é regularmente actualizado, pelo que decidimos aproveitar o mês de Agosto para parar aos fins-de-semana, uma medida que passou a ser aplicada nos restantes meses do ano. Escrever é um dos meus hobbies preferidos, algo visível na quantidade de críticas manhosas publicadas ao longo dos últimos meses neste espaço, embora essa situação não implique que comece a existir algum cansaço. Tendo em conta que um blog não é um trabalho (se contasse com este espaço como fonte de rendimento estava bem tramado), esse cansaço pode ser combatido com estas pequenas pausas. Nesse sentido, "A Semana em Revista" continua a chegar às Sextas-Feiras. Para quem não conhece, esta é uma espécie de rubrica semanal que consiste num post manhoso onde aproveito para efectuar um balanço do que foi feito no Rick´s Cinema ao longo da semana.

- O primeiro destaque vai para as sete críticas publicadas ao longo da semana:

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O segundo destaque centra-se nos posts diários que remetem para as notícias do dia. Cada vez mais parece inútil andar dia após dia a publicar notícias de forma sistemática, sobretudo quando cada vez mais sites, blogs, páginas de Facebook e grupos nas redes sociais fazem o mesmo. Nesse sentido, decidimos começar a publicar as notícias num post diário, algo que permite agilizar a publicação das mesmas e dar um tom mais pessoal a este espaço:
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O terceiro destaque vai para o post sobre as estreias da semana, escrito pelo nosso enviado especial na Madeira, Hugo Barcelos:
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O quarto destaque vai para o meu texto escrito para uma recomendável iniciativa do nosso mui adorado Girl on Film:
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Resenha Crítica: "Alphaville" (Alphaville: une étrange aventure de Lemmy Caution)

"Alphaville" surge como uma espécie de filme noir que tanto tem das películas deste subgénero, mesclando os vários elementos destas obras cinematográficas que marcaram o cinema dos EUA nos anos 40 e 50 com componentes de ficção-científica e mistério. Jean-Luc Godard deixa-nos perante uma versão alternativa do nosso futuro próximo, colocando como protagonista da sua obra Lemmy Caution (Eddie Constantine), um agente secreto que muito tem dos detectives noir, desde o seu chapéu, atitude pragmática e desafiadora das autoridades, o relacionamento complicado com as figuras femininas, a gabardina, enquanto este se envolve por Alphaville, um território distópico, dominado pelo Alpha 60, um computador criado pelo Professor von Braun (Howard Vernon) para controlar o território de forma despótica. Ninguém se pode comportar de forma inadequada, todos têm números que os catalogam, os sentimentos não podem ser exibidos, o livre pensamento está proibido, sendo que quem se mostrar contra as regras é punido com a morte. Oriundo de um território das Terras Externas, Lemmy surge em Alphaville com a identidade de Ivan Johnson, um jornalista do Figaro-Pravda, acompanhado por uma máquina fotográfica para dar alguma credibilidade à sua suposta profissão e uma M1911A1 Colt Commander para se defender. A sua primeira missão passa por encontrar o agente Henry Dickson (Akim Tamiroff), acabando inicialmente por contactar com Natacha von Braun (Anna Karina), a filha do Professor von Braum, uma jovem que desperta a sua atenção, apesar de não deixar de desconfiar da mesma. Esta convida Lemmy a ir consigo a uma recepção de gala num ministério, onde vão estar presentes vários elementos importantes, incluindo o pai desta. O professor von Braun (numa referência ao cientista Wernher von Braun) é um antigo elemento das Terras Externas, tendo sido expulso das mesmas, onde tinha o nome de Leonard Nosferatu (homenagem a "Nosferatu" de F.W. Murnau, diga-se que a homenagem a cineastas é algo comum nas obras de Godard, veja-se por exemplo a presença de Fritz Lang em "Le Mépris", mas também o trecho de "La passion de Jeanne d'Arc" de Carl Theodor Dreyer em "Vivre Sa Vie: Film en douze tableaux" e as imensas referências em “Made in U.S.A.”). Lemmy tem a missão de assassinar von Braun e destruir o Alpha 60, procurando terminar com o estatuto ditatorial desta sociedade e evitar que este se alastre além-fronteiras, algo que se encontra a acontecer, visto serem enviados elementos infiltrados para gerarem revoltas no território das Terras Externas.

A missão é perigosa, com Lemmy a procurar cumprir a todo o custo os desideratos que lhe foram incumbidos, encontrando pelo caminho o agente Dickson, um elemento que aparentemente foi corrompido, enquanto Natacha parece fazer balançar a sua pessoa. Este acaba por ser descoberto pelo Alpha 60, que logo o interroga, procurando trazer o agente secreto para o seu lado ou eliminá-lo no caso deste rejeitar a proposta, ao longo de um futuro não muito distante, com Jean Luc-Godard a utilizar os cenários parisienses para nos deixar perante um local onde o livre pensamento é tudo menos uma realidade. Todos são formatados para corresponder aos padrões do Alpha 60, incluindo a bela Natacha, com esta a não conhecer sentimentos como o amor e a desconhecer a poesia, algo que o protagonista lhe vai apresentar. Interpretada por Anna Karina, Natacha apresenta inicialmente um certo vazio, embora os seus gestos indicassem que facilmente poderia ceder aos sentimentos, com Godard mais uma vez a usar os close-ups de forma exímia, permitindo exibir toda a expressividade da actriz e a demonstrar uma enorme adoração pela sua face. O rosto de Anna Karina é único na forma como é capaz de dar uma dimensão imensa às palavras proferidas pelas personagens que interpreta, quase que nos hipnotizando, com esta a voltar a colaborar com Jean-Luc Godard, um cineasta com quem foi casada e com quem trabalhou em várias obras cinematográficas. Esta surge muito bem acompanhada por Eddie Constantine, com o actor a interpretar um personagem muito ao jeito dos detectives noir, algo desencantado com a vida, que tem nesta missão uma procura para destronar um estado despótico. Constantine interpretara o detective Lemmy Caution em obras de série b, embora Godard se tenha apropriado do personagem para "Alphaville", inserindo várias matizes noir, num cenário distópico, embora bem real, onde a liberdade está longe de existir. Godard aproveita para efectuar um comentário político e social, explorando o lado negro dos estados ditatoriais, ao mesmo tempo que parece efectuar uma crítica ao caminho que a cultura do seu país está a levar. Como salienta Andrew Sarris, "His whole theme, imagination versus logic, is consistent with his deployment of Paris as it was in the ’60s—or at least, those portions of Paris which struck Godard as architectural nightmares of impersonality", algo que remete exactamente para a crítica à sociedade do seu tempo através dos elementos de ficção científica, numa obra muito ao seu jeito (nos anos 60). Não faltam os close-ups utilizados de forma paradigmática, os personagens a olharem directamente para a câmara, a presença e os comentários sobre a arte, os travellings, referências cinéfilas, literárias (o livro de poemas “Capitale de la douleur” de Paul Éluard que o protagonista dá a Natacha) e da cultura pop (Dick Tracy), uma banda sonora a preceito, personagens a fumarem muito, mas também os diálogos marcantes.

O Alpha 60 prima por um mundo que se distingue daquilo que Godard procura nos seus filmes, com o cineasta a procurar jogar com as regras cinematográficas e quebrar as mesmas, amando a sua arte e tendo consciência do legado que o antecedeu. Os elementos noir são exemplo disso, com o personagem interpretado por Eddie Constantine a parecer saído dos filmes negros protagonizados por actores como Humphrey Bogart, Dana Andrews e Robert Mitchum, pronto a narrar alguns dos seus pensamentos e experiências, mas também pela utilização assertiva das sombras (o filme também parece ter tirado inspiração das obras do chamado expressionismo alemão), com o trabalho de fotografia de Raoul Coutard a beneficiar mais uma vez as películas de Jean-Luc Godard. O cineasta volta ainda a abordar questões sobre a condição humana e a arte, criticando a tecnocracia e elogiando o livre pensamento, citando José Luís Borges e deixando Anna Karina e Eddie Constantine brilharem. Os personagens interpretados pela dupla formam uma relação de proximidade que inicialmente parecia improvável, ao longo de uma obra de ficção-científica praticamente sem efeitos especiais, com o tom futurista a estar no argumento e na forma como os cenários são explorados, remetendo até para um passado recente, em particular a II Guerra Mundial, numa sociedade que até tem um pouco de "1984" de George Orwell. Nesse sentido, Jean-Luc Godard e a sua equipa são bastante eficazes na criação de um universo narrativo credível, marcado por um cenário primordial onde tudo e todos são controlados, não faltando prostitutas prontas a satisfazerem os desejos sexuais dos clientes, execuções colectivas (sejam em salas de teatro ou piscinas), robôs controladores, tudo isto associado à história do protagonista, algo que nos permite ainda contar com algumas perseguições e muita tensão. Tudo ao jeito de Jean-Luc Godard, nome de relevo da Nouvelle Vague, que tem aqui uma obra onde fica latente, tal como em filmes como "À Bout de Souffle", a sua capacidade em explorar e subverter elementos de cinema do género, criando um filme noir com nuances de ficção-científica ou vice-versa, onde mais uma vez elabora algo de único e muito recomendável.

Título original: "Alphaville: une étrange aventure de Lemmy Caution".
Título em Portugal: "Alphaville". 
Realizador: Jean-Luc Godard.
Argumento: Jean-Luc Godard.
Elenco: Eddie Constantine, Anna Karina, Akim Tamiroff, Howard Vernon.

Notícias - 26 de Setembro de 2014 - Trailer de "Blackhat", Novas imagens de "Exodus", Paul Verhoeven vai realizar "Elle", Divulgada a banda sonora de "Gone Girl", Novo poster de "Jupiter Ascending", Guy Pearce e Dominic West no elenco de "Genius", Novo poster de "Birdman", Benicio Del Toro e Joaquin Phoenix na nova imagem de "Inherent Vice", Novo poster de "Nightcrawler"

- Paul Verhoeven está de regresso à realização cinematográfica. O cineasta vai realizar "Elle", uma obra cinematográfica baseada no livro "Oh..." de Philippe Djian. O filme vai ser falado em francês e protagonizado por Isabelle Huppert. O enredo centra-se no jogo psicológico entre uma mulher de negócios e um stalker que a violou. Esta procura vingar-se do criminoso.

Foram divulgados três featurettes e novas imagens de "Exodus: Gods and Kings", o novo filme de Ridley Scott. O argumento do filme foi originalmente escrito por Adam Cooper e Bill Collage, tendo posteriormente sido rescrito por Steve Zaillian. O elenco deve contar com elementos como Ben Kingsley ("Iron Man 3"), John Turturro ("Fading Gigolo"), Sigourney Weaver ("Alien"), Aaron Paul ("Breaking Bad"), Joel Edgerton ("The Great Gatsby") e Christian Bale ("The Dark Knight Rises").

  O enredo do filme é baseado na história de Moisés. De acordo com lenda, Moisés liderou o povo judeu na fuga da escravidão no Antigo Egipto, tendo instituído a Páscoa Judaica. Depois guiou seu povo através de um êxodo pelo deserto durante quarenta anos, que se iniciou através da famosa passagem em que Moisés abre o Mar Vermelho, para possibilitar a travessia segura dos judeus. Segundo a Bíblia, Moisés recebeu no alto do Monte Sinai as Tábuas da Lei de Deus, contendo os Dez Mandamentos. Christian Bale vai dar vida a Moisés; Edgerton vai interpretar Ramsés II; Ben Kingsley pode dar vida a um erudito hebraico; John Turturro vai interpretar Seti, o pai de Ramsés; Weaver pode dar vida a Tuya, a tutora de Ramsés. Aaron Paul vai interpretar Joshua, um escravo hebraico.

- Foi divulgado o primeiro trailer de "Blackhat", o novo filme de Michael Mann. O filme é realizado por Michael Mann ("Public Enemies"). Mann co-escreveu o argumento do filme ao lado de Morgan Davis Foehl. "Blackhat" conta no elenco com Wei Tang, Leehom Wang, Holt McCallany, Viola Davis e Chris Hemsworth, entre outros. O enredo de "Blackhat" acompanha um hacker que é liberto da prisão pelas autoridades dos EUA e da China, tendo em vista a colaborar na detenção de uma rede de crimes cibernéticos.



-  - Foi divulgada a banda sonora de "Gone Girl", um filme realizado por David Fincher ("Zodiac"). A banda sonora pode ser ouvida no seguinte link: First Listen. O argumento de "Gone Girl" ficou a cargo de Gillian Flynn (a autora do livro no qual o filme é inspirado). "Gone Girl" conta no elenco com Tyler Perry ("Alex Cross"),  Kim Dickens ("Treme"), Patrick Fugit ("Thanks For Sharing"), Carrie Coon, Neil Patrick Harris ("How I Met Your Mother"), Rosamund Pike ("Star Trek"), Ben Affleck ("Argo"), entre outros.
"Gone Girl" centra-se em Nick Dunne, um indivíduo que é acusado de ter assassinado a mulher. Tudo começou numa quente manhã de Verão, em North Carthage, no Missouri, quando Nick e Amy Dunne preparavam-se para comemorar o quinto aniversário de casamento. Os presentes já estavam embalados e as reservas já estavam feitas, tudo parecia estar a correr bem, até a bela mulher de Nick desaparecer misteriosamente. É então que o aparentemente "marido do ano", acaba por ver-se como o principal suspeito pelo desaparecimento, devido a várias passagens do diário de Amy, que revelam alguns segredos inesperados.
Com a irmã gémea ao seu lado, Nick terá de lutar para provar a sua inocência e descobrir o que realmente aconteceu com Amy. O que terá acontecido à esposa de Nick? O que havia no interior de uma caixa prateada, escondida na parte traseira do armário do quarto do casal? Muitas são as dúvidas e poucas são as certezas, enquanto Nick terá de descobrir o que realmente aconteceu.

-  Sarah Gadon ("Cosmopolis") vai juntar-se a Jamie Dornan ("Fifty Shades of Grey") e Aaron Paul ("Breaking Bad") no elenco da adaptação cinematográfica de "The 9th Life Of Louis Drax", um livro escrito por Liz Jensen. O filme vai ser realizado por Alexandre Aja ("Horns"). Dornan vai interpretar o Dr. Allan Pascal. Aaron Paul vai dar vida ao pai do protagonista. Gadon vai interpretar a personagem feminina principal.
O livro foi publicado em Portugal com o título "A Nova Vida de Louis Drax" e tem a seguinte sinopse (via Wook):  Louis Drax é um miúdo de nove anos, precoce, inteligente, problemático e muito dado a acidentes. Em cada ano da sua curta vida, sofreu pelo menos um episódio de maior gravidade, acidente ou doença, mas sobrevive sempre como o gato que cai sobre as quatro patas. No seu nono aniversário, durante o piquenique familiar, o pequeno Louis cai de uma falésia e afoga-se num rio permanecendo num coma profundo de onde poderá não regressar… Uma história brilhante, contada a duas vozes: a do próprio Louis, dentro do seu inacessível subconsciente, e a do neurologista, ao cuidado de quem o jovem fica após o misterioso desaparecimento do seu pai.

Foi divulgado mais um poster de "Birdman", um filme realizado por Alejandro Gonzalez Iñárritu ("Biutiful"), através do argumento do próprio, Armando Bo, Alexander Dinelaris e Nicolas Giacobone. O filme conta no elenco com Edward Norton, Michael Keaton, Emma Stone, Naomi Watts, Zach Galifianakis, Andrea Riseborough, Amy Ryan, entre outros.
 O enredo de "Birdman" acompanha um actor (Keaton) que ficou conhecido por outrora ter interpretado um super-herói icónico (o Homem-Pássaro do título). Este procura montar um musical da Broadway para tentar reconquistar as glórias do passado.

- Já se encontra online um novo poster de "Nightcrawler", um filme é realizado pelo estreante Dan Gilroy (argumento de "Real Steel" e "The Bourne Legacy"), através do argumento do próprio.
A produção está a cargo de Gyllenhaal e Tony Gilroy (o irmão de Dan). "Nightcrawler" conta no elenco com Jake Gyllenhaal ("End of Watch"), Rene Russo ("Lethal Weapon"), Bill Paxton ("The Colony"), entre outros. O enredo de "Nightcrawler" centra-se num jovem jornalista que descobre as maravilhas nocturnas de Los Angeles, enquanto se encontra a investigar alguns crimes como jornalista freelancer.

Foi divulgada mais imagem de "Inherent Vice", o novo filme do realizador Paul Thomas Anderson. A imagem centra-se nos personagens interpretados por Joaquin Phoenix e Benicio Del Toro. O filme vai estrear a 12 de Dezembro de 2014 nos EUA. "Inherent Vice" conta com um elenco de luxo onde constam nomes como Joaquin Phoenix, Josh Brolin, Martin Short, Jena Malone, Reese Witherspoon, Owen Wilson, Benicio Del Toro, Maya Rudolph, entre outros.
O argumento do filme é escrito por Paul Thomas Anderson, sendo baseado no livro Inherent Vice, de Thomas Pynchon. O livro foi publicado em Portugal com o título "Vício Intrínseco" e tem a seguinte sinopse (via Bertrand): «Em parte noir, em parte farsa psicadélica, protagonizado por Doc Sportello (Phoenix), detective privado, que de vez em quando se ergue de uma névoa de marijuana para assistir ao fim de uma era.
Há já algum tempo que Doc Sportello não vê a ex-namorada. Mas um dia ela aparece com uma história acerca de um plano para raptar o milionário por quem por acaso se apaixonou. Esta ponta solta dos anos sessenta em Los Angeles é o mote para o livro, mas Doc sabe que o «amor» não passa de mais uma palavra que anda na moda, como trip ou «curte». Mais um livro inesquecível de um dos escritores mais influentes da actualidade».

- Já se encontra online um novo poster de "Jupiter Ascending", um filme realizado por Lana e Andy Wachowski, através do argumento dos próprios. O filme conta no elenco com Channing Tatum, Mila Kunis, Eddie Redmayne, Sean Bean, Douglas Booth, Tuppence Middleton, Doona Bae, James D’Arcy, Doona Bae, entre outros.
Sinopse de "Jupiter Ascending": Jupiter Jones (Mila Kunis) nasceu sob um céu nocturno, com sinais que previam que esta estava destinada a grandes feitos. Quando Caine (Channing Tatum), um antigo militar geneticamente alterado chega à Terra para localizá-la, Jupiter começa a vislumbrar o destino pelo qual sempre ansiou - a sua assinatura genética coloca-a como a próxima para receber uma herança extraordinária que poderá alterar para sempre o equilíbrio do cosmos.

O Screen Daily noticiou que Guy Pearce ("Iron Man 3") e Dominic West ("The Hour") vão juntar-se a Jude Law, Nicole Kidman, Colin Firth e Laura Linney no elenco de "Genius". Firth vai dar vida a Max Perkins, enquanto Law interpreta Thomas Wolfe. Pearce vai dar vida a F. Scott Fitzgerald, enquanto que Dominic West vai interpretar Ernest Hemmingway. "Genius" vai ser realizado por Michael Grandage, através do argumento de John Logan ("Gladiator", "The Last Samurai", "The Aviator"). O enredo de "Genius" é inspirado na biografia "Max Perkins: Editor of Genius", da autoria de A. Scott Berg. Berg utilizou como material de investigação a ampla correspondência trocada entre o editor e os seus escritores. O trabalho editorial de Perkins foi considerado revolucionário, sendo conhecidas as suas disputas para convencer a "velha guarda" da Scribner para publicar as obras de jovens e irreverentes talentos, contribuindo para brilhantes descobertas, entre as quais, Thomas Wolfe, com quem irá manter uma relação tumultuosa. Perkins trabalhou ainda com escritores como F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, entre outros.

- Foi divulgado o primeiro clip de "Son of a Gun", um filme realizado por Julius Avery ("Jerrycan"). O filme conta no elenco com Brenton Thwaites, Ewan McGregor, Alicia Vikander.

O enredo de "Son Of a Gun" acompanha a complicada relação entre JR (Thwaites), um indivíduo que foi preso devido a um pequeno crime e Brendan Lynch (McGregor), um criminoso poderoso que oferece protecção ao primeiro se este posteriormente ajudá-lo a sair da prisão. A relação entre os dois começa a deteriorar-se quando os planos do grupo criminoso liderado por Brendan não começam a dar certo.



Foram divulgados dois novos posters de "Fury", um filme realizado por David Ayer ("End of Watch"), através do argumento do próprio. "Fury" conta no elenco com Jason Isaacs ("Things People Do"), Scott Eastwood ("Texas Chainsaw 3D"), Michael Peña ("End of Watch"), Logan Lerman ("The Perks of Being a Wallflower"), Shia LaBeouf ("Transformers") e Brad Pitt ("Moneyball").
 Sinopse de "Fury": Abril de 1945. À medida que os aliados fazem a sua investida final pelo teatro europeu de guerra, Wardaddy (Brad Pitt), um sargento endurecido pela batalha, comanda um tanque Sherman e a sua equipa de cinco homens numa missão mortal por trás das linhas do inimigo. Com um número muito inferior, tanto de homens como de armas, Wardaddy e os seus homens enfrentam probabilidades esmagadoras na sua tentativa heroica de atacar o coração da Alemanha Nazi.

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- Post em actualização ao longo do dia.